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Antes do filme ‘Odisseia’: manuscritos raros no Rio guardam tradução da ‘Ilíada’ e tradução de ‘Prometeu Acorrentado’ feita por Dom Pedro II

Além da Odisseia: conheça traduções de obras gregas feitas na época do Império no Rio
Muito antes de a "Odisseia" de Christopher Nolan estrear nos cinemas cariocas, personagens como Odisseu, Aquiles e Prometeu estavam adormecidos nos arquivos do Rio, décadas depois de circular entre membros da realeza na época do Império.

Traduções manuscritas de obras como a "Ilíada" e "Prometeu Acorrentado", produzidas no século XIX estão guardados ou já passaram por instituições como a Biblioteca Nacional, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Museu Imperial de Petrópolis. Entre os textos estão traduções de autoria de Dom Pedro II (1825 – 1891) de próprio punho – como no caso de "Prometeu".

As obras mostram o interessedo meio intelectual e da corte imperial na época nos clássicos da literatura da Grécia antiga – onda que parece ter voltado com o filme de Nolan, que tem tido bom desempenho nos cinemas do Brasil.
Entre os achados mais recentes está um manuscrito traduzido do Canto XIII da Ilíada – obra de Homero anterior à Odisseia – que é mantido na Biblioteca Nacional. Ele foi escrito pelo frei José de Santa Maria Amaral, que foi professor de Filosofia das princesas Leopoldina e Isabel, filhas de D. Pedro II.
Ele também foi o "descobridor" e protetor intelectual de Ramiz Galvão — o mesmo Ramiz que décadas depois doaria o manuscrito da tradução da Ilíada à Biblioteca Nacional.
Trecho de manuscrito da Ilíada encontrado na Biblioteca Nacional e obra "A Fúria de Aquiles" de Giovanni Battista Tiepoloo
Arquivo/Biblioteca Nacional e Wikimedia Commons
🔎A “Ilíada”, composta oralmente pelo poeta grego Homero entre os séculos VIII e IX a.C. narra um recorte da guerra de Troia durante o qual o herói Aquiles abandona e retorna ao conflito, interagindo com personagens como Odisseu, Agamenon, Heitor e os deuses. “Prometeu acorrentado”, do dramaturgo Ésquilo, escrita entre 462 e 450 a.C. narra o castigo imposto pelo deus Zeus a Prometeu, um titã que roubou o fogo sagrado do Monte Olimpo e o entregou à humanidade. A "Odisseia", também de Homero, do final do século VIII a.C. conta as aventuras de Odisseu (Ulisses) na volta à Grécia durante 10 anos após o fim da guerra de Troia.

D. Pedro II foi deposto pela Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, e a família imperial recebeu ordem de deixar o Brasil em poucos dias, embarcando para o exílio já em 17 de novembro daquele ano.

Ele passou a viver primeiro em Portugal, com estadias em cidades como Lisboa e Porto — onde morreu sua esposa, a imperatriz Teresa Cristina, logo nos primeiros meses do exílio — e depois circulou por diferentes cidades da França, como Cannes, Versalhes, Baden-Baden e Vichy. Fixou-se por fim em Paris, no Hotel Bedford, onde viveu seus últimos anos dedicado à leitura, aos estudos de línguas antigas e a traduções.
Uma das obras desse período do "imperador tradutor" é justamente a "Odisseia", a mesma história que ganhou uma adaptação cinematográfica dirigida por Christopher Nolan em 2026. Porém, este documento, citado várias vezes nos diários de Dom Pedro – a última vez cerca de 11 meses antes de sua morte, em 1891 – nunca foi encontrado.
"Eu acho que quando um pesquisador encontrar isso vai ser um um grande achado. Ele registra no diário e ninguém encontrou ainda", lamenta Ricardo.
Matt Damon caracterizado como o personagem Ulisses em "A Odisseia"
Reprodução

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