Em coligação entre o PSD, PL, Podemos e o Novo, o candidato ao governo do Amapá, Dr. Furlan (PSD), pretende ficar distante da disputa nacional e deverá manter neutralidade na campanha contra o atual governador Clécio Luís (União Brasil).
O candidato, oficializado na convenção partidária na última segunda-feira (20/7), é descrito por aliados como conservador, mas não bolsonarista. Municipalista, diz que deverá tratar com o governo federal independente de questões políticas.
Adversário do senador Davi Alcolumbre (União Brasil), presidente do Senado, Furlan se elegeu para prefeito de Macapá em 2020 e foi reeleito em 2024 em primeiro turno com 85% dos votos, o maior percentual entre as capitais. Sob a alcunha de “prefeitão” e com forte presença nas redes sociais, conseguiu angariar o apoio de quatro partidos sem se comprometer com executivas nacionais.
O PSD, partido ao qual se filiou em 2026, terá Ronaldo Caiado como candidato ao Palácio do Planalto em uma chapa puro-sangue, com o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, como vice. Apesar dos nomes de peso político, Furlan não deverá entrar na campanha nacional do partido.
Isso porque, apesar de ter uma candidatura própria, o partido deverá adotar tolerância nos Estados priorizando composições locais, uma postura adotada por outros partidos do chamado “Centrão”.
O mesmo se repete para o pré-candidato pelo PL Flávio Bolsonaro, cujo partido indicou a candidata a vice-governadora a deputada estadual Luciana Gurgel. A coligação ainda conta com o Novo, que tem Romeu Zema na disputa, mas que não terá candidato na chapa majoritária.
Por fim, o Podemos, que ainda não bateu o martelo sobre os rumos do partido no cenário nacional, terá a ex-primeira-dama de Macapá Rayssa Furlan como candidata ao Senado. A outra vaga será ocupada pelo senador Lucas Barreto (PSD), que tentará a reeleição.
3 imagensFechar modal.1 de 3Júnior Bubu/PSD2 de 3Júnior Bubu/PSD3 de 3Reprodução/Redes sociais
A disputa no Amapá caminha para ser tão polarizada quanto a nacional. Isso se dá porque as eleições deste ano serão protagonizadas pelos dois grupos políticos de maior influência no Estado. De um lado, um grupo comandado por Dr. Furlan, do outro, um grupo comandado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasul).
Na sexta-feira (24/7), a federação União Progressista formalizou a candidatura pela reeleição de Clécio Luís (União Brasil) para o governo do Estado. A chapa pela reeleição repetirá Clécio como governador e Teles Jr. (PDT) como vice, depois dele desistir de disputar o Senado.
As duas candidaturas à Casa Alta serão compostas pelo atual líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT), e pela deputada estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Alliny Serrão (União Brasil).
Ao todo, 9 partidos serão parte da coligação pela reeleição de Clécio. São eles: União Brasil, PP, PT, PCdoB e PV, Rede, PSOL, PDT e Republicanos.
Paraná Pesquisas: Dr. Furlan 65,5%, Clécio 26,3% Dr. Furlan (PSD): 65,5%
Clécio Luís (União Brasil): 26,3%
Marcos Reategui (DC): 0,5%
Branco/Nulo: 4,3%
Não sabe/Não opinou: 3,5% O levantamento ouviu 1.100 pessoas, com 16 anos ou mais, em 14 municípios do Amapá, entre os dias 18 e 20 de julho. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Centrão caminha para consolidar neutralidade
Os partidos do chamado “Centrão” caminham para formalizar posição de neutralidade nas eleições presidenciais deste ano, durante as convenções realizadas até 5 de agosto. A prioridade será investir recursos e esforços nas eleições ao Congresso Nacional.
Assim, as legendas ficarão fora dos palanques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) no cenário nacional, mas poderão selar apoios nas eleições nos Estados, a depender da composição local.
O União Brasil, Progressistas, Republicanos, MDB, Podemos, e Solidariedade deverão se distanciar do debate, ao menos no primeiro turno.
TRE rejeita ação contra Furlan
Antes mesmo de tentar formalizar a candidatura na Justiça Eleitoral, Furlan foi alvo de ações. Na última quarta-feira (22/7), o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) rejeitou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral por abuso de poder econômico nas eleições municipais de 2024.
Os desembargadores entenderam que cabe o pagamento de multa para Furlan e seu vice-prefeito na época, mas não a inelegibilidade. Antes do julgamento, o TRE já havia negado cautelar movida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) contra Furlan.
O MP havia pedido ao TRE que só aceitasse o registro de candidatura ao governo do Estado quando a ação que discute sua elegibilidade for concluída. A ação cautelar extraordinária ocorreu antes mesmo de o pré-candidato apresentar à Justiça Eleitoral o requerimento individual de registro, como foi noticiado pelo Metrópoles, na coluna de Manoela Alcântara.





