Segundo a Abimaq, associação que representa as empresas do setor, a soma das alíquotas elimina a competitividade dos fabricantes brasileiros frente aos concorrentes dos EUA, ameaçando contratos e a previsibilidade dos negócios.
Em 2025, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos somaram US$ 13,8 bilhões. Os EUA foram o principal destino individual, com compras de cerca de US$ 3,2 bilhões, o equivalente a 23% das vendas externas do setor.
O presidente executivo da entidade, José Velloso, avaliou que a justificativa apresentada pelo governo americano tem motivação política e foi uma resposta à exigência da Suprema Corte dos EUA para que o Executivo apresentasse uma fundamentação para a adoção de novas tarifas.
Ele ressaltou ainda que, para o setor, a situação deve se agravar. "Estamos imaginando que devemos ter uma queda entre 10% e 11% nas nossas exportações para os EUA."
"Entendemos que a motivação do governo norte-americano em tarifar produtos importados alegando trabalho forçado é uma decisão que tem um cunho político. Foi uma resposta à Suprema Corte norte-americana, que em fevereiro proibiu o governo americano de taxar produtos sem uma motivação clara. Agora tem a motivação, que é o trabalho forçado."
Segundo Velloso, a soma das duas tarifas coloca a indústria brasileira em desvantagem frente aos fabricantes americanos. "No caso do Brasil, isso é ruim porque nós já tínhamos uma tarifa de 25% e agora passamos a ter uma tarifa de 37,5% com a soma dos 12,5%. Isso tira a nossa competitividade frente às máquinas e aos equipamentos fabricados nos EUA."
A associação também defende a regulamentação do Plano Brasil Soberano 3, o diferimento de tributos federais, a ampliação do Reintegra para 5% e o fortalecimento da promoção comercial voltada para a diversificação de mercados.
A Abimaq também se posiciona contra a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica como resposta às tarifas americanas. Na avaliação da entidade, uma escalada de barreiras comerciais tende a ampliar custos para empresas e consumidores, reduzir a previsibilidade dos negócios e prejudicar cadeias produtivas altamente integradas entre Brasil e Estados Unidos.
CNI A Confederação Nacional da Indústria (CNI), que representa as federações industriais de todos os estados, também defendeu a continuidade das negociações diplomáticas para evitar novos prejuízos ao comércio bilateral.
Após reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o setor produtivo continuará apoiando a estratégia adotada pelo governo brasileiro. (veja as medidas do governo) "Saímos daqui muito satisfeitos com a afirmação categórica do ministro de que o Brasil vai continuar negociando. Essa é a opção número um que existe neste momento: continuar negociando."
Segundo Alban, a CNI trabalha em conjunto com o governo na criação de uma nova missão da política Nova Indústria Brasil (NIB), voltada ao apoio das empresas atingidas pelas tarifas e à internacionalização das cadeias produtivas brasileiras.
"Conversamos sobre como podemos ser efetivos de forma emergencial e de forma planejada. Estamos trazendo o apoio imediato do SESI, do SENAI e da CNI para apoiar as empresas afetadas."
O presidente da entidade afirmou ainda que o impacto tende a ser maior sobre os produtos manufaturados. Diferentemente de matérias-primas como café e petróleo, isentas da rodada de tarifas, os bens industriais enfrentam concorrência acirrada e têm margens de lucro mais apertadas, o que impede a absorção de um imposto tão elevado.
Sem conseguir repassar a sobretaxa de 37,5% ao preço final, os fabricantes brasileiros correm o risco de perder clientes para concorrentes locais ou de outros países.A entidade endossa a posição da CNI e da Abimaq ao afirmar que o cenário pode resultar em perda de contratos, redução das margens de lucro, queda da produção, adiamento de investimentos e impactos sobre o emprego.
Fiemg cobra atuação do governo
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), entidade que representa o segundo maior estado exportador para o mercado norte-americano, também defendeu a negociação diplomática.
A entidade destacou que o governo brasileiro deve atuar de forma firme, técnica e coordenada para ampliar a lista de exceções e garantir maior previsibilidade às empresas exportadoras.
"O Brasil precisa agir com firmeza, rapidez e capacidade técnica para evitar que essa nova tarifa comprometa ainda mais a competitividade da indústria nacional. A prioridade deve ser ampliar as exceções, garantir previsibilidade às empresas e construir uma solução negociada que preserve contratos, investimentos e empregos", afirmou a coordenadora de Negócios Internacionais da Fiemg, Verônica Winter.
Na avaliação da federação, a combinação das tarifas pode aumentar o custo de acesso ao mercado norte-americano e colocar os exportadores nacionais em desvantagem frente a concorrentes submetidos a alíquotas menores.
A entidade endossa a posição da CNI e Abimaq ao afirmar que o cenário pode resultar em perda de contratos, redução das margens de lucro, queda da produção, adiamento de investimentos e impactos sobre o emprego.
Por fim, a CNI propõe a criação de uma missão específica dentro da política Nova Indústria Brasil, voltada ao apoio das empresas afetadas pelas tarifas e ao fortalecimento da internacionalização da indústria brasileira.





