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Clientes reagem após prisão de sócios do Naskar: “Que sigam o dinheiro”

Após a prisão de três ex-sócios da Naskar Gestão de Ativos Ltda e da autorização do bloqueio de bens ligados aos envolvidos com a fintech, clientes que tinham valores investidos na empresa disseram que aguardam pelo ressarcimento o mais rápido possível.
Um depoimento conjunto, enviado ao Metrópoles em nome de um grupo com mais de 100 vítimas, afirmou que as prisões são importantes. “Mas cadeia sem dinheiro de volta para as vítimas é notícia, não é justiça. Prender três pessoas não faz o dinheiro voar de volta para a nossa mão. Não somos ingênuos”, disse o comunicado.
O desejo das vítimas é que as autoridades “sigam esse dinheiro até o fim”.
“Se for preciso investigar 500 pessoas, uma por uma, para descobrir onde ele foi parar, é isso que terá que ser feito. Não dá para escolher três nomes e fingir que tudo começou e terminou neles”, avaliou o texto.

A Naskar Gestão de Ativos é uma fintech com 13 anos de atuação. A empresa operava captando recursos de clientes com promessa de retorno de 2% ao mês, valor muito acima do operado pelo mercado;
Por exemplo: se uma pessoa investisse R$ 1 milhão, receberia R$ 20 mil mensais pagos pela fintech, enquanto a empresa se comprometeria a cuidar do patrimônio investido;
Apesar de o valor prometido ser bem maior do que o praticado por bancos tradicionais, a Naskar atuou durante os 13 anos de existência sem que clientes tivessem problemas;
Até que o pagamento mensal de rendimentos, que era previsto para 4 de maio, não foi realizado;
Os clientes, então, buscaram contato com os sócios para entender o que estava ocorrendo, mas nenhum respondeu;
Sem contato com os então sócios da Naskar, os investidores logo foram ao aplicativo da instituição para verificar se o patrimônio investido ainda estava ali. O app, porém, deixou de funcionar em 6 de maio e ainda não voltou ao ar;
A Naskar chegou a ter sede no DF e, mais recentemente, tinha endereço fixo em São Paulo (SP). Contudo, mudou-se desse local fixo sem informar os clientes, conforme noticiou o Metrópoles em 9 de maio;
Cinco dias depois, a Naskar anunciou que uma empresa norte-americana chamada Azara Capital teria comprado por R$ 1,2 bilhão a fintech brasileira;
A Azara é que supostamente ficaria responsável por ressarcir os clientes, movimento que começaria a ocorrer a partir de 18 de maio, segundo ambas as empresas. Nada disso ocorreu;
A empresa, no entanto, apresentou várias inconsistências: o site não informa nomes de presidente, diretores ou de qualquer pessoa; o endereço físico informado é de Miami, na Flórida, mas o Google Maps aponta a localização informada para o Ocean Bank, banco comercial independente; o perfil @azara.capital no Instagram foi criado há apenas três meses; entre outras questões;
Em maio, Douglas Silva de Oliveira publicou um vídeo no qual se comprometeu a pagar os valores devidos;
Até o momento, porém, os clientes da Naskar não obtiveram retornos concretos sobre quando (e se) receberão os valores de volta.

Prisão e bloqueio
Rogério Vieira, José Maurício Volpato e Marcelo Liranco Arantes foram presos nessa quarta-feira (22/7) em São Paulo, durante uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), confome revelou a coluna de Mirelle Pinheiro. O trio não resistiu durante o momento da abordagem e optou por ficar em silêncio durante o depoimento.
Além das prisões, a Justiça autorizou o bloqueio de contas ligadas à Naskar. Veja quem e quais empresas tiveram as contas bloqueadas:

Jose Maurício Volpato (Maurício Jahu): ex-sócio da Naskar, é o rosto de maior projeção pública do grupo. Maurício é ex-jogador profissional de vôlei da Seleção Brasileira e atuou por 20 anos na imprensa como apresentador da ESPN Brasil;
Rogério Vieira: com perfil mais discreto, Rogério aparece em registros empresariais da Naskar e de outras empresas ligadas ao setor de soluções financeiras e participações;
Marcelo Liranco Arantes: ex-sócio da Naskar, atuava na retaguarda da administração e gestão da fintech e empresas ligadas ao grupo desde a formação da sociedade;
Douglas Silva de Oliveira Azara: surge como comprador da Naskar após o Metrópoles revelar o caso. Depois de promessas não cumpridas de que os clientes seriam pagos, repassou a responsabilidade da fintech para a avó;
Célia de Fatima Ferreira: avó de Douglas, a idosa assumiu o controle da Naskar em junho deste ano. Viúva e moradora de Uberlândia (MG), ela aparece como sócia de outras empresas ligadas ao neto;
Naskar Gestão de Ativos Ltda: acusada de fraudar R$ 900 milhões de investidores, é a principal empresa do caso em tela;
Celcoin Instituição de Pagamento S.A.: atuava como banco garantidor da Naskar;
Nexco Consultoria de Valores Mobiliários e Planejamento Financeiro Ltda: atuava como distribuidora e intermediária de investimentos da Naskar;
Family Office Daytona Administracao e Participacoes S S Ltda: fintech que tem Rogério Vieira como sócio-administrador, é apontada em decisões judiciais como parte de um esquema de confusão patrimonial e possível blindagem de bens ligada à Naskar;
Volpato Administração e Participações S/S Unipessoal Ltda: empresa ligada ao ex-jogador de vôlei Maurício Volpato;
7trust Finance Instituição de Pagamento S/A: funcionava como braço operacional de pagamentos para as operações da Naskar;
Next Holding Financeira Ltda: empresa que faz parte do grupo Naskar.

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