MP aciona Interpol para saber histórico do missionário dos EUA preso por espancar filho no
O corpo de Oliver Golden Grayson, de três anos, foi sepultado nesta quarta-feira (22) em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A despedida ocorreu em uma cerimônia fechada no Cemitério Nossa Senhora da Conceição e reuniu apenas 10 pessoas.
Oliver morreu em 8 de julho após ser agredido dentro de casa. De acordo com a investigação, o pai confessou ter batido no menino porque a criança não lhe deu "bom dia". Ele está preso preventivamente.
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Também presa preventivamente desde 9 de julho, a mãe do menino, Mayana Rodgers, acompanhou o enterro sob escolta após autorização da Justiça. Ela permaneceu cerca de 20 minutos no local antes de retornar ao presídio.
A Polícia Civil apura a conduta da mãe para esclarecer se houve omissão diante das agressões ou eventual participação nos episódios de violência. A defesa de Mayana informou que pretende protocolar um pedido de habeas corpus para tentar reverter a prisão preventiva.
Segundo a advogada Isabel Cochlar, a decisão permitiu que a mulher pudesse se despedir do filho.
"Ela pôde efetivamente se despedir com dignidade do filho dela", afirma Cochlar.
Já o pai da criança, D'Andre Grayson, não teve autorização para participar da cerimônia. Conforme a decisão judicial, a presença dele poderia representar riscos à integridade física do próprio investigado, dos agentes responsáveis pela escolta e das demais pessoas presentes.
Em nota, os advogados Ismael Schmitt e Jader Santos, que representam D'Andre, afirmaram que a defesa "respeita e compreende os fundamentos utilizados pelo Magistrado".
O texto também diz que os defensores recebem com alívio a decisão que permitirá o reencontro da mãe com as crianças, que foram levados para um abrigo.
A despedida foi organizada pela prefeitura do município.
Por que a demora para o sepultamento?
Sepultamento de Oliver Golden Grayson, de três anos; lápide ainda não estava com nome gravado
Arquivo pessoal; Reprodução/ RBS TV
O sepultamento de Oliver aconteceu apenas duas semanas após a morte porque o corpo ainda dependia de reconhecimento formal pela mãe, Mayanna Rodgers, que está presa.
Apenas na última sexta-feira (17) a Justiça determinou que a Mayanna fosse escoltada para fora da prisão para reconhecer o corpo do filho. O deslocamento de Mayanna da Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba ao DML foi autorizado após o Ministério Público do estado (MPRS) informar ao Judiciário que todas as perícias necessárias já foram concluídas, não havendo mais impedimentos legais para a entrega do corpo à família.
O corpo da criança foi reconhecido no Departamento Médico Legal (DML). A família se enquadra em critérios de vulnerabilidade necessários para que ocorresse um "velório social", previsto pela administração municipal.
A defesa de Mayanna informou que o DML realizou o reconhecimento de Oliver por meio da papiloscopia, método que identifica indivíduos por meio das impressões digitais, palmares ou plantares.
Anteriormente, a direção do presídio onde ela estava havia negado a liberação extraordinária da detenta, sob o argumento de que a grande repercussão do caso gerava riscos à integridade física dela e dos agentes de escolta. Na ocasião, a defesa de Mayanna criticou a medida, classificando-a como uma "punição antecipada".
Investigação
Missionário norte-americano D'andre Jermaine Grayson e sua esposa, Mayanna Angelina Rodgers, presos preventivamente
Reprodução/Redes sociais
Até a publicação desta reportagem, onze testemunhas foram ouvidas pela polícia.
De acordo com a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, substituta na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e responsável pela investigação, o homem relatou ter desferido socos no peito e no abdômen da criança, além de ter batido a cabeça do menino contra o chão. O crime aconteceu no distrito de Águas Claras, onde a família mora.
A previsão de conclusão do inquérito é para agosto. A delegada Luana Medeiros, responsável pela investigação, afirmou que os pais orientavam os filhos a esconder os machucados. De acordo com a polícia, as crianças usariam roupas compridas e seriam instruídas a inventar histórias para justificar as marcas pelo corpo.
A Polícia Civil também analisou a estrutura da residência da família. O local é uma casa de madeira pequena, sem portas, onde a divisão dos cômodos era feita apenas por panos.
A investigação apura a conduta da mãe e avalia, por meio de perícias psíquicas que ainda serão realizadas com as crianças, se ela foi omissa em relação à morte e às agressões ou se também praticava as torturas. Em um inquérito separado, a Polícia Civil investiga indícios de que Mayanna sofria violência física e psicológica do marido.
As polícias civis de Santa Catarina e de São Paulo enviaram cópias de ocorrências que apontam indícios de maus-tratos cometidos pela família nesses estados entre 2024 e 2025. A Polícia Federal (PF) e a Interpol também foram acionadas para verificar os antecedentes dos estrangeiros e a situação legal da família no Brasil.
A polícia investiga possíveis falhas na rede de proteção de Viamão, onde a família morava, para esclarecer quais medidas foram adotadas diante dos sinais de maus-tratos.





