Morte por febre maculosa em São Bernardo do Campo acende alerta para doença transmitida po
Uma morte por febre maculosa em São Bernardo do Campo, no ABC Paulilsta, acendeu o alerta para uma das doenças mais letais transmitidas por carrapatos. A vítima era uma mulher de 43 anos, moradora da região do Alvarenga, área com muita mata e de onde, provavelmente, saíram os carrapatos responsáveis pela contaminação.
O caso ocorreu em março, mas foi divulgado apenas agora. A paciente foi levada ao serviço de saúde já em estado de choque e morreu menos de 24 horas depois de dar entrada no hospital.
🔎 Febre maculosa é uma doença infecciosa grave causada por uma bactéria transmitida pela picada de carrapatos infectados, que podem ser transportados por animais como cachorros, cavalos e capivaras.
Após a confirmação do caso, a Vigilância Epidemiológica do município realizou uma investigação no endereço da paciente e identificou cães que viviam soltos e estavam infestados por carrapatos. Exames apontaram que os parasitas tinham a bactéria causadora da febre maculosa.
Segundo o secretário de Saúde de São Bernardo do Campo, Jean Gorinchteyn, equipes de vigilância visitaram a residência da paciente e os arredores para identificar possíveis riscos.
Febre maculosa é transmitida por picada de carrapato-estrela contaminado.
Reprodução/TV Gazeta
"A nossa ação de vigilância epidemiológica foi instituída no sentido de ir até a casa da paciente e visitar os arredores. Foi identificado que dois dos seus cachorrinhos tinham a presença do carrapato. De forma imediata, foi feita uma orientação para os vizinhos para que identificassem se os seus pets estavam infectados e imediatamente foi orientado para a população observar se seus cãezinhos pudessem ter a presença desses carrapatos", afirmou.
O secretário informou que os cães foram tratados imediatamente e que o setor de zoonoses investigou a região, mas não encontrou outros animais com carrapatos. O serviço de saúde do município também foi alertado para identificar possíveis novos casos, enquanto moradores receberam orientações sobre os riscos da doença e a importância de procurar atendimento médico nos primeiros sintomas.
A febre maculosa começa quando um carrapato infectado pela bactéria Rickettsia pica uma pessoa e permanece preso à pele por algum tempo. O período sem sintomas pode variar de dois a 14 dias.
Depois desse intervalo, podem surgir febre alta, dor de cabeça intensa, dores no corpo, náuseas e mal-estar geral. No início, os sintomas podem ser confundidos com dengue, gripe ou outras infecções.
Sem tratamento, a bactéria se espalha pelos vasos sanguíneos e provoca uma intensa inflamação, que pode comprometer diversos órgãos e causar hemorragias. Nessa fase, surgem manchas avermelhadas nas mãos e nos pés, um dos sinais mais característicos da doença.
O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, alerta que a febre maculosa apresenta elevada taxa de mortalidade.
"A evolução acaba sendo mais grave porque o quadro lembra uma septicemia, uma infecção generalizada com acometimento de múltiplos órgãos e, com muita frequência, leva ao óbito desses infectados. É uma das doenças de maior letalidade que conhecemos. Entre 40% e 80%, dependendo da região e de quão precoce seja o tratamento, essas letalidades chegam a quase 90%", afirmou.
Especialistas orientam que a população evite áreas infestadas por carrapatos, utilize calças compridas e botas ao circular em regiões de risco e faça inspeções frequentes na pele para remover carrapatos imediatamente, sem esmagá-los com as unhas. O início precoce do tratamento aumenta significativamente as chances de cura.
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