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Supino com cabo de vassoura e agachamento na pia: personal de Sorocaba cria metodologia para idosos recuperarem equilíbrio e autonomia

Treinador cria metodologia para idosos recuperarem equilíbrio e autonomia
Levantar da cama sem ajuda, caminhar até a cozinha, sentar-se à mesa para o almoço ou simplesmente conseguir calçar os próprios sapatos. A autonomia, muitas vezes invisível durante a juventude, passa a ser uma das maiores conquistas da longevidade. Em um país que já soma mais de 30 mil centenários e vê esse número crescer a cada década, envelhecer deixou de ser apenas uma questão de viver mais anos, mas de conseguir vivê-los bem.
Para muitos idosos, essa independência pode começar em lugares pouco convencionais: a pia da cozinha, o cabo de uma vassoura ou duas cadeiras separadas por alguns metros na sala de casa.
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Ao g1, o personal trainer Ricardo Penteado, de Sorocaba (SP), que está há quase 25 anos trabalhando com exercício físico voltado ao envelhecimento saudável, desenvolveu uma metodologia baseada em movimentos adaptados que podem ser feitos dentro de casa.

"O exercício precisa ter propósito. Não adianta um idoso conseguir fazer um movimento na academia se ele continua tendo dificuldade para levantar do sofá ou entrar no carro. Nosso objetivo é devolver autonomia para aquilo que realmente importa no dia a dia", explica.
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Avó como primeira paciente Antes de se tornar referência no atendimento de idosos, Ricardo Penteado era professor de tênis e ainda cursava Educação Física quando começou a pesquisar, por curiosidade, a reabilitação de pacientes cardíacos. Na época, percebeu que havia poucas orientações específicas sobre exercícios físicos para esse público e passou a estudar o assunto por conta própria.
Formado em Educação Física pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) em 2001, a especialização na área surgiu ainda durante a faculdade, quando Ricardo começou a estudar cardiologia por conta própria.

Personal trainer cria metodologia para idosos recuperarem equilíbrio e autonomia
Reprodução/ricardopenteado_/redes sociais
Sua trajetória profissional ganhou um novo rumo pouco tempo depois, quando sua avó, então com 79 anos, sofreu uma queda dentro de casa e fraturou o fêmur.
"Ela tropeçou no chinelo e quebrou o fêmur. Fui estudar o que poderia fazer para ajudá-la na reabilitação e ela acabou sendo, teoricamente, minha primeira paciente. Usei exercício dentro da nossa piscina aquecida e funcionou muito bem. Ela foi dos 79, sem dores, sem sequelas até os seus quase 98 anos de idade", relembra.
A experiência foi determinante para que ele decidisse aprofundar seus estudos sobre envelhecimento saudável. Desde então, realizou especializações em reabilitação cardíaca, envelhecimento e grupos especiais, além de cursos voltados à saúde mental e medicina funcional integrativa. Ao longo da carreira, também trabalhou ao lado de equipes multidisciplinares em hospitais como HCor, Albert Einstein e Sírio-Libanês.
"Hoje, costumo dizer que meu trabalho é 50% exercício físico e 50% consultoria em saúde. Muitas vezes estamos próximos o suficiente do paciente para identificar sinais de que algo não está bem e orientar a família a procurar novamente o médico", afirma.
Segundo ele, o acompanhamento próximo já permitiu identificar alterações importantes em pacientes antes mesmo de diagnósticos médicos serem concluídos.
Movimento para viver melhor
O estado com mais centenários é a Bahia, com 5,336. São Paulo aparece em segundo, com 5.095. Minas Gerais vêm em seguida, com 4,104.
Reprodução/ TV Globo
O censo do IBGE revelou que o Brasil tem mais de 37 mil habitantes com mais de 100 anos de idade. Em 2010, o país tinha 24 mil centenários. No último levantamento, no ano passado, o número cresceu 56%.
São 37.814 brasileiros que ultrapassaram um século de vida e quase três em cada quatro são mulheres. Segundo Ricardo, a longevidade chegou, mas a qualidade de vida não acompanhou para muitos. Quedas, isolamento e declínio cognitivo são as maiores ameaças para quem passa dos 90 — e os três têm uma resposta em comum: movimento com propósito.
Personal trainer cria metodologia para idosos recuperarem equilíbrio e autonomia
Reprodução/ricardopenteado_/redes sociais
Ao contrário do que muitos imaginam, boa parte dos exercícios não exige aparelhos sofisticados nem grandes espaços. A pia da cozinha pode ser utilizada como apoio para trabalhar equilíbrio e fortalecimento muscular. Um cabo de vassoura ajuda no alinhamento corporal e na execução dos movimentos. Já atividades simples, como contar em voz alta enquanto caminha, ajudam a estimular simultaneamente o corpo e o cérebro.
A metodologia também utiliza o conceito da "dupla tarefa", que consiste em realizar movimentos físicos ao mesmo tempo em que o paciente executa atividades cognitivas.
"Pedir para a pessoa levantar e sentar enquanto conta de trás para frente ou lembra o nome dos netos, por exemplo, trabalha duas funções ao mesmo tempo. Isso ajuda tanto na prevenção de quedas quanto no estímulo cognitivo", explica.
Teste da cadeira
Um teste rápido, que pode ser feito em casa com o auxílio de uma cadeira, ajuda a indicar se uma pessoa tem força muscular dos membros inferiores adequada para a idade. Os resultados também avaliam a mobilidade, o equilíbrio, o risco de quedas, a coordenação motora e a mobilidade funcional.
O teste é um protocolo validado em geriatria para indicar o risco de fragilidade e perda de massa muscular. O chamado "teste de se sentar e se levantar da cadeira" é usado por médicos e fisioterapeutas também como parte do diagnóstico da sarcopenia, doença caracterizada pela perda progressiva de massa e função muscular.
O indivíduo deve manter os braços cruzados sobre os ombros e se levantar e se sentar. Ao se sentar, é preciso manter 90 graus de flexão de joelho, de quadril e de tornozelo. Não pode ser considerada repetição se você apenas encostar na cadeira. É preciso se sentar firmemente entre cada repetição, sem a necessidade de encostar as costas no encosto.
Você tem força, resistência, mobilidade e flexibilidade adequadas para a sua faixa etária?
Para Ricardo, o agrupamento muscular das pernas é o principal pensando em qualidade de vida e longevidade.

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