Geriatra explica como identificar sinais de ansiedade e depressão em idosos
Após as colunas sobre a Conferência da Associação Internacional de Alzheimer, quero falar de quem cuida. Um novo estudo da Virginia Tech, instituição que abriga um renomado instituto de pesquisa em ciências da vida e saúde, sugere que padrões de pensamento negativo repetitivo explicam como a ansiedade evolui para um estresse profundo em cuidadores de pessoas que vivem com demência, e que o treinamento em mindfulness (atenção plena) pode ajudar a identificar e interromper essa progressão.
Estudo indica que padrões de pensamento negativo repetitivo explicam como a ansiedade evolui para um estresse mais profundo em cuidadores de pessoas que vivem com demência
Ageing without limits
“Nossa hipótese centrou-se na ruminação, aquele hábito mental de repassar preocupações, revivendo os mesmos momentos difíceis repetidamente sem resolução”, afirmou Tina Savla, autora principal do estudo. “Queríamos saber duas coisas: primeiro, se a ruminação é a ponte cognitiva que leva a ansiedade a um sofrimento mais denso; segundo, se o treinamento de cuidadores em mindfulness altera o funcionamento dessa ponte.”
Publicado na revista científica The Gerontologist, o trabalho destacou a ruminação como uma via cognitiva para a ansiedade se transformar em um estresse psicológico mais profundo. Os pesquisadores também descobriram que as práticas de mindfulness, especialmente se introduzidas precocemente, podem ajudar a identificar e navegar pelo estresse antes que ele crie raízes.
Além da assistência prática diária, os cuidadores frequentemente lidam com comportamentos imprevisíveis e com o declínio lento de seus entes queridos, ao mesmo tempo em que enfrentam os impactos pessoais de zelar por alguém com uma doença progressiva e incurável.
O estudo, liderado por Savla em colaboração com médicos do Salem Veterans Affairs Health Care System, recrutou 133 cuidadores de veteranos que vivem com demência. Todos já haviam relatado um sentimento de sobrecarga e ansiedade de moderada a grave. Eles foram divididos entre dois programas de intervenção: Practice of Awareness, Acceptance, and Compassion in Caregiving (Prática de Consciência, Aceitação e Compaixão no Cuidado) e Resources for Enhancing All Caregivers Health (Recursos para Melhorar a Saúde de Todos os Cuidadores). O primeiro integra exercícios de mindfulness para auxiliar a gerenciar o estresse e lidar com o pensamento ruminativo, enquanto o segundo tem foco na resolução de problemas e na reestruturação do pensamento negativo – ambos se mostraram benéficos.
“O real futuro desse trabalho é combinar ferramentas psicológicas com alívio estrutural, como benefícios de descanso ampliados, políticas de licença e treinamento de cuidadores coberto pelo sistema de saúde, com um plano único e personalizado para as famílias”, detalhou Savla.





