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Tarifaço de Trump traz política externa ao debate eleitoral em SP

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Um post compartilhado por Tarcísio Gomes de Freitas (@tarcisiogdf)

“Como é que o governador de São Paulo vai explicar que ele manifesta uma posição favorável ao governo Trump? Inclusive tem entrevistas dizendo para ceder alguma coisa ao governo americano, já que ele [Trump] gosta de vitórias. Ele [Tarcísio] se meteu na política internacional, ela tem consequências locais”, reforça Soutello.
É dessa posição pregressa do governador que a oposição hoje se aproveita. A pré-candidata ao Senado em SP, Marina Silva (Rede), botou o boné vermelhinho do Maga na roda novamente. Disse na última sexta-feira (17/7) que o governador de São Paulo “tem que se explicar por que botou o chapéu do adversário e por que que é amigo de quem é inimigo do povo brasileiro”. Dez dias antes dessa fala, a tensão entre os dois já era notada.
No mesmo evento com a ex-ministra do Meio Ambiente e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Haddad chegou a falar que o governador deveria fazer uma “autocrítica” em relação a Trump. “Olha, eu espero que o Tarcísio reavalie a sua posição de apoio ao governo dos Estados Unidos&#8221. disse.
Política externa x política interna
Segundo um integrante da pré-campanha de Tarcísio, a avaliação é de que Haddad quer nacionalizar a campanha quando não deveria. “Ah, o governador vestiu o boné&#8217. Isso não tem nada a ver com o tarifaço. Do ponto de vista político, em qualquer análise que a gente fez, não há uma conexão do tarifaço com o governador Tarcísio, ainda que ele apoie o Flávio [Bolsonaro]&#8221. acrescentou, sob anonimato.
Ainda que Flávio implore hoje a Trump que não taxe mais o Brasil e diga que Lula é o culpado, mais da metade da população brasileira concorda com a versão do presidente Lula de que uma reunião do filho de Jair Bolsonaro com o presidente dos EUA teria motivado o novo tarifaço, segundo recente pesquisa Genial/Quaest. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) chegou a comemorar o tarifaço em 9 de julho de 2025. Três dias após os EUAs abrirem investigação comercial contra o Brasil, o irmão de Flávio expressou: “Se houver o cenário de terra arrasada, pelo menos eu estarei vingado.”
Já o entorno do petista defende que a política externa deve entrar na campanha, pois São Paulo é o estado mais impactado pelo novo tarifaço. Cita que, na sexta-feira (17/7), fez almoço fechado com representantes da indústria sucroenergética e que o pré-candidato foi  diligente, enquanto ministro da Fazenda, para a aprovação da medida provisória que instituiu o Plano Brasil Soberano, que visa proteger a economia brasileira da imposição de barreiras comerciais inesperadas. O texto prevê financiamentos ao setor produtivo e linhas de crédito específicas para exportadores.
De acordo com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), o novo tarifaço afeta em US$ 11 bilhões as exportações industriais e do agronegócio, além de colocar o Brasil entre os países com condições mais restritivas para acessar o mercado norte-americano. Entre as regiões de São Paulo que serão mais impactadas pela medida estão Sorocaba, Campinas, Franca e Birigui, no interior do estado, o Grande ABC, na região metropolitana, e o Vale do Paraíba.
Já cálculos da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) apontam que São Paulo, enquanto estado brasileiro mais impactado, pode deixar de movimentar US$ 3 bilhões, segundo afirmou o presidente da entidade na sexta-feira (17/7) a jornalistas, Laudemir Müller.

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