Sem o Brasil na decisão da Copa do Mundo de 2026, muitos torcedores brasileiros descobriram que escolher um lado entre Argentina e Espanha não é tão simples quanto parece. A rivalidade histórica com os argentinos, os casos de racismo envolvendo Vinícius Júnior no futebol espanhol, a admiração por Lionel Messi e até a identificação com jogadores da atual geração espanhola fizeram com que a decisão extrapolasse o futebol e se transformasse em um debate nas redes sociais.
Entre memes sobre “torcer pelo empate”. escolher “o menos pior” ou simplesmente assistir à final sem preferência, milhares de brasileiros passaram a justificar publicamente suas escolhas — ou a dificuldade de fazê-las.
Torcedores estão divididos
Se, no papel, a decisão envolve apenas duas seleções, na prática ela reúne argumentos muito diferentes. A Argentina carrega décadas de rivalidade com o Brasil e episódios recentes de racismo envolvendo torcedores em competições sul-americanas. Ao mesmo tempo, Lionel Messi desperta admiração até entre brasileiros que nunca simpatizaram com a Albiceleste.
Henrique Martins, de 25 anos, afirma que acompanha a seleção argentina desde a adolescência por causa do camisa 10. “Neste ano não vai ser diferente. Espero muito que o Messi conquiste a segunda Copa porque, para mim, ele é o maior jogador da história.”
Para Wigderowitz, esse conflito é comum. “Você pode admirar profundamente Messi e, ao mesmo tempo, sentir um incômodo visceral cada vez que a Argentina marca um gol. A saída que muitos encontram é torcer por Messi como indivíduo, e não pela Argentina como seleção.”
Já Valentina Corullon, de 20 anos, diz que nunca teve dúvidas sobre para quem torcer. Filha de argentinos e com dupla nacionalidade, ela afirma que, nesta Copa, percebeu uma mudança na reação das pessoas.
“Tenho escutado muito que estou ‘desculpada’ de torcer pela Argentina por causa da minha dupla nacionalidade. Seria imperdoável se eu fosse simplesmente brasileira.”
Do outro lado, a Espanha também desperta sentimentos contraditórios. Para muitos brasileiros, a seleção passou a ser associada aos casos de racismo sofridos por Vinícius Júnior durante sua trajetória no futebol espanhol. Outros, porém, desenvolveram simpatia pela equipe por acompanharem a liga do país ou admirarem jogadores como Lamine Yamal.
Guilherme Monteiro, de 27 anos, afirma que a decisão de torcer pela Espanha foi natural. “Gosto muito do Barcelona, o Yamal é a principal estrela da seleção e meu maior ídolo no tênis sempre foi Rafael Nadal. Além disso, como todo bom brasileiro, não dá para torcer para a Argentina ganhar mais uma Copa.”
Já Yuri Santos, de 33 anos, resume um sentimento compartilhado por muitos brasileiros. “Não tenho nada a favor da Espanha, mas tenho mil motivos para ser contra a Argentina. A verdade é que todo brasileiro que se preze torce para várias seleções: pelo Brasil e por todas as que jogam contra a Argentina. Não é porque fomos eliminados que vamos deixar de cumprir essa responsabilidade.”





