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Arquivos históricos e tecnologia ajudam a localizar naufrágios

Mesmo que tenha afundado há anos, a história de uma embarcação não termina em seu naufrágio. Pelo contrário, o encontro dos destroços do navio pode revelar memórias da época da qual fez parte. No entanto, identificar um evento desses em mares ou oceanos não é nada fácil. Para a tarefa, os pesquisadores se norteiam através de registros históricos e usam tecnologia avançada.
As medidas citadas são utilizadas especialmente quando se busca um naufrágio específico. O primeiro passo, a pesquisa bibliográfica, pode ser feito por meio da consulta de registros históricos, documentos, bancos de dados e sites especializados.

Ecossondas, capazes de produzir imagens do relevo submarino;
Magnetômetros, capazes de detectar alterações no campo magnético causadas por grandes estruturas metálicas;
Câmeras subaquáticas;
Sonar de varredura lateral, que permite mapear grandes áreas do fundo do mar com bastante detalhe.

Importância de achar naufrágios
Na história, muitas buscas por naufrágios foram motivadas por interesses econômicos, especialmente a procura por embarcações que transportavam bens valiosos, como ouro, prata e joias. No entanto, especialistas ouvidos pelo Metrópoles afirmam que há uma carga histórica muito maior em volta de acidentes navais.
“O valor de um naufrágio vai muito além do aspecto financeiro. Para a arqueologia, essas embarcações representam uma oportunidade de compreender a história, os modos de vida, as relações comerciais e as tecnologias de diferentes épocas”, aponta Wegner.
Para o oceanógrafo, a quantidade de informações históricas, culturais e científicas que podem ser achadas em naufrágios mostra por que vale a pena investir na busca por veículos marítimos afundados. “Um naufrágio não deve ser visto como um monte de destroços”, diz.
As tecnologias utilizadas na procura de naufrágios ainda podem ajudar buscas em outras áreas. “Os métodos geofísicos utilizados nas buscas de naufrágios ajudaram a achar a caixa-preta do acidente da Air France, em 2009”, exemplifica a oceanógrafa Raquel Avelina, pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), apoiada pelo Instituto Serrapilheira.
Mesmo com tanta importância histórica, não é comum vermos várias pessoas procurando naufrágios por aí. A pouca quantidade de buscas tem relação com a quantidade de gastos e o tempo despendido.
“Colocar um navio no mar é muito caro, uma logística bastante complexa de material e pessoal. Uma busca pode levar muito tempo para ser concluída e em grandes profundidades as condições são mais desafiadoras, pois são necessários equipamentos capazes de operar em condições de alta pressão. Para os métodos indiretos, é necessário que os aparelhos consigam captar sinais em águas profundas”, ressalta a oceanógrafa.

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