O médico Leonardo Pinder Fontes foi condenado a 10 anos de prisão
Reprodução/TV Integração
O médico Leonardo Pinder Fontes, investigado como responsável por emitir receitas para que o influenciador Lohan Ramires pudesse vender medicamentos controlados usados como hormônio do crescimento, se entregou em um posto da Polícia Militar (PM) no dia 6 de julho após ser emitido o seu mandado de prisão por tráfico de drogas em 11 de junho.
Ele foi condenado a 10 anos de prisão.
Leonardo foi até a unidade militar junto de seu advogado, Sérgio Luiz da Silva. Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), ele foi preso e encaminhado ao Presídio Professor Jacy de Assis, onde permanecia até a última atualização desta reportagem.
O médico já havia sido preso em maio de 2022 durante a operação “Má Influência”, que investigava tráfico de drogas e venda de medicamentos proibidos. Após cinco dias na prisão, Leonardo foi solto após o prazo da prisão temporária ter vencido.
O g1 procurou o advogado de Leonardo, Sérgio Luiz da Silva, porém não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
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Receitas em branco
De acordo com o delegado Daniel Azevedo Batista, responsável pelas investigações, o esquema funcionava por meio da emissão de receitas médicas que permitiam a compra de hormônios do crescimento, medicamentos de controle especial classificados na lista C5 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Pela legislação, esse tipo de remédio só pode ser adquirido mediante receita em duas vias, que deve ficar registrada tanto na farmácia quanto com o paciente, além de ser destinado apenas a pessoas com indicação clínica.
As investigações apontaram que, após a apreensão dos medicamentos na casa de Lohan Ramires, as receitas obrigatórias não foram encontradas. A polícia então requisitou os documentos à empresa fornecedora dos hormônios e identificou dezenas de receituários atribuídos ao médico Leonardo Pinder Fontes.
"A gente identificou que o esquema era muito maior do que a gente pensava", afirmou o delegado.
Segundo ele, os documentos apresentavam características compatíveis com os receituários do médico, mas também indícios de preenchimentos realizados por pessoas diferentes. A apuração concluiu que Leonardo, em tese, preenchia a quantidade dos medicamentos e o Código Internacional de Doenças (CID), enquanto o restante dos dados eram preenchidos por Lohan.
Ainda conforme a investigação, todas as receitas traziam como endereço de entrega a residência da mãe do influenciador, em Uberlândia.
Em alguns casos, eram utilizados dados pessoais e CPFs de terceiros que, de acordo com a polícia, nunca fizeram uso do medicamento, nunca se consultaram com o médico e sequer conheciam os investigados. Para o delegado, essas pessoas eram usadas para viabilizar a compra irregular dos hormônios. "Todas [as receitas] foram preenchidas com o endereço na residência da mãe do investigado Lohan", afirmou.





