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Mãe busca responsabilizar bets e influenciadores após morte do filho em MG: ‘Implorava para que parasse de apostar’

Mãe busca responsabilizar bets e influenciadores após morte do filho em Uberlândia
Quando conseguiu acessar a caixa de e-mails e as redes sociais do filho após a morte, em 2024, Vânia de Souza Borges encontrou muito mais do que lembranças. Havia uma sequência de mensagens oferecendo bônus, giros grátis e convites para voltar a apostar em bets e jogos de azar. As notificações continuavam chegando mesmo depois de Rafael Borges Amaral, de 26 anos, ter morrido.

O relato em que a mãe denunciava que o vício em apostas levou à morte do filho foi arquivado pelo Senado junto ao relatório final da comissão. O parecer da senadora Soraya Thronicke, que sugeria o indiciamento de influenciadores e empresários ligados a bets, foi rejeitado por 4 votos a 3.

De acordo com a família, ele chegou a vender uma motocicleta seminova avaliada em R$ 8 mil, perdeu suas economias e passou a esconder da família a gravidade da dependência.
Vânia conta que o filho dizia estar guardando dinheiro para abrir um lava a jato, mas acredita que o valor também foi perdido para as apostas.
Pouco antes de morrer, Rafael havia enviado um áudio a um amigo dizendo que já não conseguia controlar o vício em apostas online, além de relatar as recorrentes perdas financeiras.

"Depois descobri que, naquela madrugada, ele fez transferências para plataformas de apostas. Foi quando concluí que provavelmente perdeu tudo o que tinha conseguido economizar."
Ela afirmou ter obtido junto a um banco digital a informação de que, às 1h48 do dia da morte, Rafael realizou uma transferência de R$ 30 para uma conta vinculada à empresa responsável pelo chamado "Jogo do Tigrinho".

Segundo a mãe, outras instituições financeiras nas quais Rafael mantinha contas se recusaram a fornecer os extratos completos, sob a alegação de sigilo bancário. Por isso, ela ainda não conseguiu calcular o valor total que o filho perdeu com apostas em plataformas de bets e outros jogos de azar online.
Desde a morte do filho, Vânia de Souza Borges transformou o luto em uma busca por respostas e responsabilização sobre os impactos das apostas online
Reprodução/Redes Sociais
Rafael apresentava comportamento agressivo quando perdia, diz mãe
A professora também relatou que percebeu uma mudança gradual no comportamento do filho à medida que o envolvimento com as apostas aumentava.

Segundo ela, ele passou a dedicar noites inteiras aos jogos, resistia quando era questionado sobre o problema e reagia com nervosismo quando acumulava perdas financeiras.
"Quando percebi que a situação estava se agravando, comecei a conversar com ele. Só que ele não aceitava que tinha um problema. Passava noites inteiras jogando e eu acordava de madrugada, implorava que ele parasse [de apostar]. Quando perdia dinheiro, ficava extremamente nervoso. Em uma dessas discussões sobre as apostas, ele me ofendeu bastante e foi morar na casa da avó. Aquilo me machucou", disse a mãe.

Antes disso, Rafael já havia perdido outro emprego porque passava as noites apostando e começou a faltar ao serviço. Também foram encaminhados pedidos de esclarecimento à Polícia Civil de Minas Gerais sobre eventual instauração de inquérito. Mas não houve respostas até a última atualização desta reportagem. "Quero respostas e acredito que quem lucra incentivando pessoas vulneráveis também precisa ser responsabilizado", afirma Vânia
Reprodução/Redes Sociais
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