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Tenente baleado: com morte de suspeito, Rota silencia peça-chave do caso

Apontado pela polícia como o piloto da moto ocupada pelo homem que atirou na nuca do tenente Ronickson Pimentel dos Santos, no último dia 27 de junho, em São Caetano do Sul (SP), Marcelo de Jesus Dias, o Nego Zum, era considerado uma peça-chave para o esclarecimento da motivação do crime.
Ele foi morto em uma suposta troca de tiros, na manhã de quinta-feira (9/7), por policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), a mesma tropa do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Pimentel. O oficial permanece internado em estado grave, porém estável, no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André.
7 imagensFechar modal.1 de 7Golias durante fuga, acompanhando da esposa e duas filhas, além de um homem Reprodução/SSP2 de 7Reprodução/Instagram 3 de 7Ronickson Pimentel, tenente da Rota baleado na cabeça, e a esposa, Cintia PimentelReprodução/ Instagram4 de 7Eloá Pimentel (à esquerda) foi morta em 2008 pelo ex-namorado Lindemberg Alves. O irmão da jovem, o tenente Ronickson Pimentel (à direita) ingressou na Polícia Militar em 2009, um ano depois do caso que chocou o país. Divulgação.5 de 7Reprodução/SSP6 de 7Golias é o principal suspeito de atirar contra tenente da Rota Reprodução/SSP7 de 7Ronickson Pimentel dos Santos, tenente da Rota baleado. Irmão de Eloá Pimentel Polícia Militar/Reprodução
Fontes que acompanham o caso afirmaram ao Metrópoles, sob condição de anonimato, que a morte de Nego Zum interfere diretamente no andamento das investigações sobre a motivação do atentado, marcado por características de tentativa de execução.
Outro homem, ainda não identificado, também foi morto pelos PMs dentro da residência onde Nego Zum foi localizado, na favela de Heliópolis, zona sul paulistana.
A versão dos PMs sobre o confronto teria sido registrada pelas câmeras corporais utilizadas por todos os policiais envolvidos. As imagens, no entanto, não foram fornecidas imediatamente à Polícia Civil, responsável por investigar as duas mortes.
Câmeras corporais
No boletim de ocorrência, o delegado Lucas Ventura de Aquino, do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), registrou que o PM responsável pela apresentação do caso foi questionado sobre a possibilidade de exibir as gravações, mas respondeu que “não possuía acesso ao conteúdo gravado”. O policial militar teria alegado que os vídeos teriam de ser requisitados ao Setor de Justiça e Disciplina do 1º Batalhão de Choque.
O próprio delegado destacou que a dinâmica apresentada pela PM é preliminar e depende, entre outros elementos, da “análise dos laudos periciais” e das “imagens captadas pelas câmeras corporais”. Os vídeos foram requisitados à Justiça, por e-mail institucional, ainda durante o plantão.
Tenente baleado

Policial das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), Ronickson Pimentel dos Santos foi baleado na nuca enquanto aguardava em um semáforo da Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na manhã de 27 de junho.
Imagens de câmeras de segurança mostram o PM de moto na avenida quando dois criminosos em outra motocicleta se aproximam. O garupa aponta a arma para a cabeça do oficial e atira à queima-roupa. Os criminosos fogem em seguida.
As autoridades não deram detalhes sobre as possíveis motivações do crime e disseram que nenhuma hipótese foi descartada.
Segundo a investigação, o ataque foi premeditado. Outras câmeras de segurança flagraram os suspeitos acompanhando a movimentação do tenente Pimentel pouco antes do crime.
O policial é irmão de Eloá Pimentel, jovem assassinada em 2008 após ser mantida em cárcere privado pelo ex-namorado, Lindemberg Alves, por mais de 100 horas.

Polícia Civil foi avisada horas depois
O caso, segundo os registros oficiais, ocorreu por volta das 8h26. A PM, porém, só comunicou o tiroteio ao distrito policial às 10h58, cerca de duas horas e meia depois. O DHPP foi avisado às 11h57.
A equipe de homicídios deixou a unidade às 13h e chegou à casa onde ocorreu o confronto às 13h40, mais de cinco horas depois dos disparos. Quando os investigadores chegaram, o imóvel estava preservado por uma equipe da própria Rota.

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