STF bloqueia R$119 milhões de Valdemar Costa Neto, presidente do PL
A Polícia Federal investiga se o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, desviou R$ 119 milhões em emendas parlamentares através de um esquema clandestino. Nesta sexta-feira (10), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão de emendas parlamentares que teriam sido indicadas irregularmente pelo ex-deputado federal, segundo a PF. Valdemar é suspeito dos crimes de desvio de dinheiro e de associação criminosa.
A análise em aparelhos celulares apreendidos na primeira fase da Operação Transparência identificou mensagens de servidores discutindo cotas de valores e áreas prioritárias — como saúde e turismo —, com forte incidência de indicações voltadas a municípios do estado de São Paulo.
Foi a partir da análise do celular que a Polícia Federal identificou o que chamou de um "arranjo funcional informal envolvendo servidores da Câmara".
Diálogos
Segundo a investigação, Mariângela era a principal responsável pela distribuição das emendas de acordo com os interesses de Valdemar Costa Neto.
O arranjo contava ainda com a atuação de pelo menos mais dois servidores: Nara Brum e Garigham Amarante Pinto. A PF identificou uma troca de mensagens entre os servidores sobre o destino de R$ 24 milhões em emendas. No dia 25 de agosto de 2025, Garigham escreveu para Mariângela:
“Marquei com o Valdemar amanhã 10h30. Acho que ele vai jogar no turismo os 24. Pode ser?”.
No dia seguinte, Garigham cobrou de Mariângela: “Fechou o valor do Pres Valdemar?". Mariângela respondeu: "Se puder trocar tudo turismo ótimo". Garigham disse: "24 milhões tá bom".
Horas depois, ele falou para Mariângela: "Voltei do VCN” – que, de acordo com a PF, é uma referência a Valdemar Costa Neto. Na sequência, Garigham enviou para ela uma mensagem temporária e também, segundo a PF, uma aparente lista contendo município, o CNPJ correspondente, boa parte acompanhada do nome Turismo.
Dois dias depois, Nara Brum enviou para Mariângela uma planilha intitulada “Alteração em Turismo – VCN”. Mariângela respondeu: “Já tenho”. Mas Nara, na sequência, explicou:
“Não, o Valdemar pediu para trocar algumas das indicações que ele fez ontem em turismo, porque os municípios não iriam conseguir executar”.
Em nota, os advogados de Valdemar Costa Neto negaram a prática de qualquer crime e afirmaram que é natural e legítimo, no sistema democrático, que um presidente partidário dialogue com parlamentares, defenda prioridades programáticas, articule interesses nacionais e regionais e influencie politicamente sua bancada.
A Polícia Federal destacou que "os três servidores da Câmara, de maneira irretorquível, têm plena consciência da clandestinidade dessa atuação e tratavam emendas como cotas privadas de agente estranho ao cargo".
A defesa de Mariângela Fialek afirmou que a atuação da servidora foi estritamente técnica, apartidária e impessoal.
Garigham Amarante declarou que é técnico e não tem o que comentar.
O g1 não conseguiu contato com Nara Brum.
Operação Transparência
Em dezembro do ano passado, a funcionária da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, foi principal alvo da Operação Transparência, realizada pela PF para investigar suspeitas de irregularidades na destinação de verbas públicas de emendas parlamentares.
Segundo investigações da PF, ela exercia controle de "indicações desviadas de emendas decorrentes do orçamento secreto em benefício de provável organização criminosa voltada para a prática de desvios funcionais e crimes contra a administração pública e o sistema financeiro nacional".
Valdemar Costa Neto tornou-se alvo de investigação no âmbito dos desdobramentos da Operação Transparência, deflagrada em dezembro do ano passado e que teve como principal alvo Mariângela Fialek. Tuca trabalhou como assessora da Presidência da Câmara na gestão Arthur Lira (PP-AL).
Mariângela Fialek, ex-assessora do deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), alvo de operação da Polícia Federal deflagrada nesta sexta-feira (12)
Reprodução/Linkedin
Segundo a PF, há indícios de "ingerência ilícita" no direcionamento de emendas parlamentares. Ainda segundo as investigações, o presidente do PL teria estruturado um "arranjo decisório paralelo" para a destinação de verbas públicas, mesmo sem possuir mandato parlamentar.
Com base na análise de dados do celular de Mariângela Fialek, a Polícia Federal afirmou haver indícios de que Valdemar Costa Neto era um "vetor de definição e remanejamento de emendas".





