A Vigilância Sanitária precisou fazer uma inspeção no Hospital Regional de Sobradinho (HRS), após um escorpião ser encontrado dentro do banheiro na área de endoscopia. O flagrante aconteceu no final de maio e é somado aos 2.239 casos envolvendo o aparecimento do animal neste ano.
O laudo da vigilância apontou que o local apresentava boas condições sanitárias, porém, em contrapartida, tinha falhas estruturais — que favoreceram o aparecimento do escorpião.
Dentre os problemas, estavam ralos sem tampa ou aberto, rodapés despregados, falta de espelhos de interruptores, vãos entre o telhado e a parede, falta de lustres de teto, janelas emperradas e sem telas.
Já na área externa, os riscos encontrados foram canaletas sem telas, buracos e frestas no piso, ralos sem tampa e tubulação exposta. (Veja nas imagens abaixo).
Professora de biologia da Universidade Católica de Brasília (UCB), Giovanna Nardeli explica que os escorpiões costumam se esconder dentro de frestas e locais úmidos e, por isso, evitar essas situações é uma das principais medidas para driblar a presença do animal.
5 imagensFechar modal.1 de 5Vigilância Sanitária encontra irregularidades estruturais em banheiro do HRS onde apareceu escorpiãoVigilância Sanitária2 de 5Rachaduras na área externa do HRS pode favorecer aparecimento de escorpiõesVigilância Sanitária3 de 5Hospital de Sobradinho passa por inspeção após escorpião aparecer em banheiro da unidadeVigilância Sanitária4 de 5Ralo destampado na área externa do HRS pode favorecer aparecimento de escorpiões, diz Vigilância Vigilância Sanitária5 de 5Condições precárias no HRS podem ter favorecido aparecimento de escorpiões no HRSVigilância Sanitária
Como correção, a Vigilância solicitou que fossem colocadas luminárias de teto no local, instalação de espelhos em interruptores e tomadas, instalação de telas em ralos, pias, tanques e janelas. Além de realizar periodicamente o controle de baratas.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que “o hospital realiza monitoramento contínuo e dedetizações periódicas, dentro dos prazos recomendados. A última aplicação foi realizada na semana passada”.
Além disso, informaram que “o ambulatório onde funciona a endoscopia tem um projeto previsto para o próximo ano, incluído na Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA). A previsão é ampliar o espaço e construir um novo Centro de Endoscopia, mais moderno, com mais salas e adequado às normas vigentes”.
Aumento de acidentes
Apenas no primeiro semestre deste ano, foram registrados 2.239 acidentes envolvendo ataques de escorpião — sendo que 36 casos foram classificados como graves. Um aumento de quase 10% quando comparado ao mesmo período do ano passado, onde foram registradas 2.072 notificações e 12 graves.
Os casos mais críticos, geralmente, acometem crianças e idosos. Nos últimos cinco anos foram registrados três óbitos devido à picada do animal — todos na faixa etária de 1 a 9 anos.
“Nas crianças, a menor massa corporal faz com que a mesma quantidade de veneno tenha um efeito proporcionalmente maior. Idosos também podem ser mais vulneráveis devido à presença de doenças crônicas”, afirmou Giovanna Nardeli.
Em 12 de junho, uma criança foi picada por um escorpião dentro de casa, no Riacho Fundo I. De acordo com a família de Valentina Nobre, a criança estava calçando o tênis para ir à escola — momento em que sentiu que tinha sido picada. Ela passou 23 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu. Valentina faleceu no último domingo (11/7), aos 11 anos de idade.
Em 25 de junho, um adolescente de 15 anos foi picada por um escorpião dentro do Centro de Ensino Fundamental 04 (CEF 04) do Guará. O aluno estava no pátio da escola quando sentiu um incômodo na perna e percebeu que tinha um escorpião na parte interna da calça, perto da panturrilha. O estudante está bem e já retornou às aulas. Após o caso, um equipe da Vigilância Sanitária fez uma inspeção no local e constatou uma série de irregularidades.
Em 20 de maio, uma equipe da Vigilância Sanitária foi acionada para ir até o Hospital Regional de Sobradinho (HRS), após um escorpião ser encontrado dentro do banheiro do serviço de endoscopia. O laudo apontou que falhas estruturais na unidade podem ter favorecido a entrada do animal.
O que fazer
Caso seja avistado um escorpião, não é recomendado que se tente matar o animal logo de cara. O ideal é tentar capturar com segurança ou ligar para o centro de zoonoses.
“A forma mais simples que se pode fazer é colocar um pote ou recipiente transparente e deslizar um papel firme por baixo e fechar o recipiente. O primeiro contato com o escorpião é não tentar matar ele diretamente porque ele pode ferroar rapidamente”, diz.
A especialista alertou, ainda, para não tentar colocar fogo ou jogar álcool no animal porque isso pode fazer com que ele fuja e se esconda em locais de difícil acesso.
Os escorpiões têm hábitos predominantemente noturnos, por isso também é recomendado tomar cuidado ao levantar de madrugada. Foi o caso que aconteceu com a Darlene Cunha, moradora de Sobradinho. Ela contou que levantou para ir ao banheiro de madrugada e quando acendeu a luz viu que tinha um escorpião escondido.
“Menina, eu fiquei tão desesperada que eu saí correndo, pensei que ia morrer. A aflição é muito grande com esse bicho. Misericórdia”, contou.
Animal avistado na casa de moradora de Sobradinho
Segundo a Secretária de Saúde, a Vigilância Ambiental também pode ser acionada, por meio do número 162 ou pelo site Participa DF.
A inspeção sanitária serve para “orientar os moradores sobre as condições ambientais que favorecem o acesso, abrigo e alimentação desses animais, contribuindo para a adoção de medidas preventivas e para a redução do risco de novos incidentes”.
Onde procurar atendimento
Em casos de picada de escorpião, as recomendações da SES são:
Lavar o local da picada com água e sabão para remover sujeira;
Elevar o membro afetado a fim de evitar que o veneno se espalhe mais rapidamente;
Procurar atendimento médico o quanto antes. Informar qual animal o picou para que o tratamento seja mais eficaz. Se possível e seguro, tirar a foto do animal.
Em caso de emergência, a pessoa deve contatar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo 192, ou o Corpo Militar de Bombeiros, 193.
A bióloga da UCB afirmou que o veneno pode causar dor intensa, inchaço e, em casos graves, alterações cardíacas, respiratórias e neurológicas. Por isso é fundamental procurar ajuda.
O soro contra a picada, no entanto, não é recomendado para todos os casos devido a maioria destes evoluírem naturalmente. Ainda assim, a principal recomendação é procurar um médico. “O soro antiescorpiônico neutraliza o veneno circulante e é indicado para casos moderados e graves”, explicou a especialista.
Atualmente, o soro está disponível em 11 unidades de saúde da rede pública. (Veja lista abaixo).
Hospital Materno infantil de Brasília: Atendimento exclusivo para crianças até 13 anos, 11 meses e 29 dias
Hospital Regional da Asa Norte;
Hospital Regional do Guará;
Hospital Regional de Brazlândia;
Hospital Regional da Região Leste (Paranoá);
Hospital Regional de Ceilândia;
Hospital Regional do Gama;
Hospital Regional de Santa Maria;
Hospital Regional de Planaltina;
Hospital Regional de Sobradinho;
Hospital Regional de Taguatinga.
Todos os hospitais da rede citados acima estão abastecidos com soro antiescorpiônico. As unidades de referência mantêm estoque de segurança do insumo e, à medida que as doses são utilizadas, solicitam a reposição à Rede de Frio, responsável pelo reabastecimento dos estoques.





