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Como sancionado pelos EUA movimentou bilhões fora do radar de governos

O brasileiro sancionado pelo governo dos EUA por elo com o Primeiro Comando da Capital (PCC) usava transferências internacionais de valores com ajuda de criptoativos, repasses eletrônicos e dinheiro vivo, aponta investigação da Polícia Federal (PF).
Victor Shimada (foto em destaque), suspeito de liderar uma organização de lavagem de dinheiro com movimentação bilionária, realizava uma versão atualizada do chamado dólar-cabo, com operações em ao menos cinco países, aponta relatório da PF obtido pelo Metrópoles.
O chamado dólar-cabo é um sistema de câmbio clandestino conhecido, que foi atualizado pela quadrilha. Por esse esquema, o dinheiro jamais atravessa a fronteira fisicamente. O que acontece é uma troca de créditos e débitos em dois países ao mesmo tempo.
No caso do esquema atribuído a Shimada, o uso de criptomoedas e sistemas de pagamento digital ajudou a tornar o sistema mais ágil e também fácil de ocultar, o que possibilitou a movimentação de bilhões de reais fora do radar das autoridades durante anos.
5 imagensFechar modal.1 de 5Victor Shimada é considerado foragidoDivulgação/Polícia Civil2 de 5Reprodução/PF3 de 5Diego Lameiro (esq.) e Victor Shimada (dir.), alvos da Operação Exchange da PFReprodução4 de 5Victor Shimada (esq.) e Diego Lameiro (dir.), alvos da Operação Exchange da PFArte Metrópoles/Gabriel Lucas5 de 5Amauri Henrique de Oliveira (de camiseta branca, à frente), tio de Victor Shimada (ao fundo, à esq) integram esquema de lavagem de dinheiro bilionário, segundo a PFArte Metrópoles/Lara Abreu
Lá e cá
O esquema não funciona com base em transferências, mas sim ancorado por um sistema de compensações. No exterior, membros da organização recebem valores em euros, dólares, pesos argentinos ou guaranis paraguaios. No Brasil, o grupo de Shimada entregava os valores em reais a um destinatário local.
Assim, o cliente moveu o dinheiro entre países sem passar pelo sistema bancário, escapando de impostos e do rastreamento por autoridades. Um dinheiro ilícito que vira limpo do outro lado.
Um exemplo de operação ocorre no braço de Portugal da operação. O investigado Carlos Henrique Costa Almeida pergunta em uma conversa obtida pela PF se Shimada teria euros para vender, pois um ex-membro do PCC “estaria solicitando esse tipo de serviço, a fim de receber cerca de um milhão no Brasil”.
Na mesma conversa, Shimada pergunta se Almeida receberia 300 mil euros em dinheiro, o que naquela data seria equivalente a aproximadamente R$ 1,5 milhão, com objetivo revender para outros brasileiros que estariam em Portugal. Situações semelhantes também foram identificadas nos Estados Unidos, Paraguai e Argentina.

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