Investigadores da Polícia Federal (PF) salientam que o banqueiro Daniel Vorcaro montou uma estrutura voltada ao recrutamento de influenciadores para defender o Banco Master e questionar a atuação do Banco Central (BC).
As informações constam de decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou busca e apreensão, nesta quinta-feira (9/7), contra o publicitário Thiago Miranda.
Segundo as investigações, Miranda era responsável por recrutar influenciadores e jornalistas para uma estratégia que previa a divulgação de conteúdos favoráveis ao Master e críticas à atuação do BC. A PF afirma ter encontrado um acordo de confidencialidade que fazia referência ao “Projeto DV” e previa sigilo sobre conversas, reuniões, mensagens e materiais relacionados à campanha, mesmo antes da formalização de eventual contratação.
Os pagamentos, segundo a PF, eram operacionalizados por Miranda com recursos provenientes da Super Empreendimentos e Participações, empresa ligada a Vorcaro e ao cunhado dele, Fabiano Zettel.
Em depoimento prestado à própria PF antes da operação desta quinta-feira, Miranda afirmou ter apresentado a Vorcaro um plano de “reestruturação de imagem e gerenciamento de crise” após a primeira soltura do banqueiro, em novembro do ano passado.
Segundo o publicitário, o projeto previa conteúdos sobre a prisão de Vorcaro e sobre as investigações envolvendo o Master. Ele também afirmou que a estratégia foi desenvolvida em conjunto com uma agência.
Um dos episódios citados pela PF envolve o vereador Rony Gabriel (PL-RS). Em depoimento, ele afirmou ter sido procurado para participar de um trabalho de “gerenciamento de reputação e gestão de crise”.
Segundo o relato, antes mesmo de conhecer a proposta, foi orientado a assinar um acordo de confidencialidade com multa de R$ 800 mil. Apenas depois, teria sido informado de que deveria produzir vídeos sustentando que o Master era vítima da atuação do BC.





