A auditoria aberta nesta semana pelo governo do Rio de Janeiro na Cedae tem um personagem central: Humberto de Mello Filho, diretor técnico e de projetos da estatal.
A apuração reúne diferentes órgãos da administração estadual em um pente-fino conjunto sobre contratos, obras, procedimentos, fluxos financeiros e decisões da companhia.
Remanescente de diferentes governos, Humberto atravessou sucessivas gestões sem deixar o comando de uma das áreas mais estratégicas da companhia, responsável por obras, projetos e contratos milionários.
O pente-fino ocorre em meio à piora dos resultados da empresa. Em 2025, a Cedae registrou queda de 78,5% no lucro líquido, que despencou de R$ 1,02 bilhão para R$ 219 milhões. No mesmo período, o resultado operacional passou de R$ 627 milhões positivos para R$ 424 milhões negativos.
É na diretoria comandada por Humberto que estão alguns dos negócios mais sensíveis da estatal.
Um deles envolve a Essencio Ambiental, que presta serviços de monitoramento ambiental nas bacias dos rios Guapiaçu-Macacu e Guandu. Os contratos somam R$ 267,7 milhões e são alvo de questionamentos no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). A discussão gira em torno da comprovação da capacidade técnica exigida no edital.
Outro caso é o da Construverde. Entre 2021 e 2025, a Cedae assinou quatro contratos com a empresa que ultrapassam R$ 355 milhões, mesmo depois de a companhia acumular multas administrativas aplicadas pela própria estatal, próximas de R$ 400 mil.
Humberto também integrou o grupo de gestores que aprovou a aplicação de cerca de R$ 200 milhões da Cedae em CDBs do Banco Master. Após a liquidação extrajudicial da instituição financeira pelo Banco Central, a estatal fez provisão integral para perda do investimento.




