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Nem tudo é Alzheimer

Saiba como identificar e tratar o Alzheimer, que é a forma mais comum de demência
Entre os dias 12 e 15 deste mês, acontece em Londres mais uma edição da Conferência da Associação Internacional de Alzheimer, que reúne especialistas do mundo todo. Aproveito para fazer um “aquecimento” para o evento com uma entrevista dada pelo neurologista comportamental Jagan Pillai. Ele dirige o Centro de Saúde do Cérebro da Cleveland Clinic e discorre sobre a delicada questão do diagnóstico da doença. Afinal, quando um paciente apresenta sintomas de cognição prejudicada, como diferenciar entre as várias condições neurodegenerativas que podem estar em jogo?
Alzheimer: o diagnóstico passa por descartar outras condições de saúde que podem comprometer o processo cognitivo
Aging without limits
“Essa é exatamente a pergunta que um médico deve fazer, e a primeira providência é procurar causas reversíveis. Por exemplo, se certificar de que os medicamentos não estão causando alterações cognitivas. O quadro pode ser o de depressão ou diabetes não controlados, ou outros transtornos, como problemas reumatológicos que estejam causando inflamação significativa no corpo”, explicou.
Pillai afirma que há outras condições menos óbvias – como disfunção da tireoide ou algumas deficiências de vitaminas – que também podem prejudicar o desempenho cognitivo, cuja investigação vai depender de um levantamento detalhado do histórico médico: “Se as causas reversíveis são controladas, o paciente volta à sua vida normal.”
Após descartar situações reversíveis, o leque da pesquisa se aprofunda. Ele diz que é importante a presença da família ou de pelo menos um cuidador que conheça o contexto, para a equipe de saúde ter o ponto de vista de uma terceira pessoa sobre o que está acontecendo.

O neurologista lembra que a doença pode levar até 20 anos para se manifestar e que, em sua fase inicial, a pessoa se mantém funcional, sendo capaz de cuidar de sua rotina diária – “embora haja uma mudança em sua cognição maior do que o esperado para sua idade”, ressalva.

Até recentemente, os especialistas dispunham de dois testes para fechar um diagnóstico. O “padrão-ouro” para identificar as modificações biológicas do Alzheimer no cérebro era a análise do líquido espinhal ou o PET cerebral – procedimentos caros que praticamente não estão disponíveis no SUS (a não ser em hospitais universitários ou centros de pesquisa de referência). Agora, existem exames de sangue que permitem detectar as alterações 15 ou 20 anos antes da manifestação de sintomas, mas aqui são encontrados apenas na rede privada.
Há remédios aprovados nos Estados Unidos e no Brasil que diminuem os níveis da proteína beta-amiloide – associada ao risco de Alzheimer – no cérebro. No entanto, não curam a doença e, se o paciente já apresenta uma demência moderada, o benefício é pequeno. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o cientista Bruce Miller, diretor do Centro de Memória e Envelhecimento da Universidade da Califórnia, em San Francisco, antecipou que, em 2027, serão divulgados estudos com pessoas saudáveis que apresentam depósitos de beta-amiloide mas que ainda não têm sintomas. O objetivo é utilizar precocemente medicamentos que reduzam essa concentração e retardem sua progressão.

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