Governo do RJ pede reforço federal para segurança das eleições após ter descartado ajuda duas semanas antes
Reprodução/RJ2
A Corte do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) deliberará em sessão plenária nesta quinta-feira (9) sobre o pedido de auxílio da força federal no estado para as eleições gerais em outubro.
Governo do RJ pede reforço federal para segurança das eleições duas semanas após ter descartado ajuda
Governo voltou atrás
O Governo do Estado do Rio de Janeiro chegou a dispensar o reforço, mas posteriormente voltou atrás e solicitou o envio de tropas federais para a segurança das eleições de outubro. A mudança ocorreu cerca de duas semanas depois do estado informar à Justiça Eleitoral que as forças estaduais eram suficientes para garantir a realização do pleito.
O novo pedido foi encaminhado pelo governador em exercício, Ricardo Couto, ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) no fim de junho.
No documento, o governo afirma que a atuação das forças federais, em cooperação com os órgãos estaduais, é de "extrema importância", especialmente para garantir a segurança dos eleitores, dos locais de votação e das urnas eletrônicas, desde o transporte até a guarda.
A manifestação representa uma mudança de posição em relação ao primeiro ofício enviado pelo governo estadual. Na ocasião, após consultas à Secretaria de Polícia Militar e à Casa Civil, o Executivo informou que as forças de segurança do estado tinham plena capacidade operacional para atuar durante as eleições e concluiu que não havia necessidade de solicitar reforço federal.
No novo documento, o governo explica que a decisão foi revista após uma reunião com o próprio TRE-RJ. Segundo o ofício, embora o estado mantenha capacidade operacional para cumprir suas atribuições, a atuação complementar das forças federais é considerada uma medida relevante para reforçar a segurança e contribuir para a regularidade, a integridade e a tranquilidade do processo eleitoral.
Entre a primeira manifestação e a mudança de entendimento, investigações do Ministério Público revelaram o avanço da infiltração do crime organizado na política fluminense.
Em meados de junho, uma operação teve como principal alvo o deputado estadual Val Ceasa. O parlamentar é investigado por suspeita de atuar junto à Polícia Militar para tentar impedir a demolição de um "resort" atribuído ao traficante Álvaro Malaquias, conhecido como Peixão.
Na decisão, o Ministério Público afirmou que a facção Terceiro Comando Puro se infiltrou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, em cenário semelhante ao apontado anteriormente no caso envolvendo o ex-deputado TH Joias.
Nos bastidores, porém, integrantes do governo afirmam que a mudança de posição não foi motivada pelas investigações recentes, mas por uma medida de precaução. Ao comunicar ao Tribunal Superior Eleitoral a necessidade de reforço, o estado garante que tropas federais possam ser mobilizadas caso haja necessidade durante o período eleitoral. Se a negativa inicial fosse mantida, esse apoio não poderia ser solicitado posteriormente.
O emprego de tropas federais para garantir a segurança das eleições tem sido frequente no Rio de Janeiro nas últimas décadas, em razão da influência de facções criminosas e milícias em diferentes regiões do estado.
Além das eleições municipais de outubro, o Rio ainda pode enfrentar outro processo eleitoral este ano. O Supremo Tribunal Federal (STF) retomará em agosto o julgamento que definirá se haverá a escolha de um governador-tampão após a vacância do cargo. Os ministros vão decidir se essa eventual eleição será direta, com participação dos eleitores, ou indireta, realizada pela Assembleia Legislativa.





