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Mandioca movimenta renda e faz parte da cultura de Buri; aprenda receita que se tornou símbolo da cidade

Evento com quitutes produzidos a partir da mandioca movimenta renda em Buri
Aipim, macaxeira, maniva ou uaipi. Em cada região do Brasil, a mandioca recebe um nome diferente. Versátil, ela está presente em receitas doces e salgadas e faz parte da alimentação de milhões de brasileiros.
Em Buri, no interior de São Paulo, a mandioca vai além da mesa. Ela representa tradição, cultura e geração de renda para muitas famílias. Foi justamente essa importância que inspirou a criação da Expomandioca, festival gastronômico que celebra um dos principais símbolos do município.
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O evento nasceu em 2007, idealizado pela Secretaria Municipal de Educação, com a proposta de valorizar o tradicional bolinho de mandioca, um dos ícones da culinária local. Com o passar dos anos, a festa cresceu e passou a reunir uma grande variedade de pratos preparados à base da raiz.
Neste ano, as festividades seguem até às 23h deste sábado (4), na Praça de 9 de Julho, com entrada gratuita. No local, os visitantes podem conferir uma programação especial com apresentações musicais e comidas típicas feitas a partir da mandioca.
Os alunos, professores e servidores municipais ajudam na organização do evento em Buri
Prefeitura de Buri/Reprodução
🌱 Tradição, cultura e renda
Segundo a Prefeitura de Buri, a relação do município com a mandioca remonta aos séculos 18 e 19, quando a região integrava as rotas dos tropeiros que seguiam em direção a Sorocaba.
Durante as viagens, a mandioca era amplamente cultivada nos pontos de descanso por ser uma cultura de fácil plantio, resistente e com alto valor energético. Com o passar do tempo, a raiz deixou de ser apenas um alimento dos viajantes e passou a fazer parte da história e da identidade da cidade.
O tempo passou e a cultura da mandioca foi implementada aos hábitos da população, tornando-se uma parte da identidade buriense. Ainda é comum encontrar a raiz sendo cultivada em propriedades rurais, ou até mesmo nos quintais de casas na zona urbana, diz a prefeitura.
Hoje, o cultivo da mandioca ainda é comum em propriedades rurais e até nos quintais de casas da área urbana. Embora Buri não esteja entre os maiores produtores do estado de São Paulo, a tradição gastronômica fez da raiz um dos maiores símbolos do município.
"O bolinho de mandioca tornou-se o principal símbolo dessa herança cultural", destaca a prefeitura.
Mandioca é fonte de renda e também usada na produção de diversos pratos gastronomicos
Marcos Vicentti/Secom
Essa tradição também faz parte da rotina do produtor rural Laércio Pereira dos Santos, de 71 anos. Morador de Buri, ele e a família começaram a comercializar mandioca há cinco anos. Muito antes de virar fonte de renda, porém, a raiz já era presença constante na propriedade, cultivada para o consumo da própria família.
“Desde criança a gente mexe com lavoura. Eu gosto muito. É, atualmente, a minha única fonte de renda. A gente vende no mercado e tem os freguês que vem buscar em casa”, contou à reportagem.

Em entrevista ao g1, o produtor contou que cultiva a mandioca da forma mais natural possível, priorizando práticas orgânicas no manejo da lavoura. Segundo ele, embora o cultivo da raiz não seja complexo, exige dedicação e bastante trabalho ao longo de todo o processo.
Há cinco anos, um produtor rural de Buri começou a comercializar a mandioca
Arquivo pessoal/Laercio Pereira dos Santos
Laércio garante que o resultado da colheita é tão satisfatório que, ao comprar a mandioca, o cliente precisa apenas descascá-la e colocá-la para cozinhar.
“É uma planta bem procurada, as pessoas ainda gostam de comprar e comer. Estamos vendendo bem”, relatou.

De acordo com o produtor, o cultivo da mandioca, realizado de forma natural e sem o uso de fertilizantes químicos, pode levar até um ano e seis meses até a colheita. Ele destaca ainda que o alimento, quando produzido sem aditivos, pode ser uma alternativa ao pão, além de ser base para diversas preparações gastronômicas.
'Sempre presente na nossa culinária'
O engenheiro agrônomo Edegar Mascari Petisco, de 64 anos, de Itapetininga (SP), explica que a mandioca é nativa da América do Sul e sempre esteve presente na alimentação dos povos originários.
"No estado de São Paulo, ela sempre esteve presente. A batata veio de fora, mas a mandioca, por ser nativa desde o tempo dos bandeirantes, já era cultivada pelos indígenas. Por isso, ela sempre fez parte da nossa culinária. Tornou-se tão importante por ser uma herança alimentar, uma fonte tradicional de carboidrato", afirmou.
Segundo o agrônomo, além do valor nutricional, a mandioca se destaca pela capacidade de adaptação, podendo ser cultivada em diferentes tipos de solo e em grande escala, o que a torna uma importante alternativa para a agricultura de subsistência e também para a alimentação animal, como suínos e aves.
“A mandioca tem essa importância muito grande na agricultura familiar, principalmente naqueles fundos de quintais, onde você pode ter um alimento que durante todo o ano consegue colher. Diferente da batata inglesa, que tem um ciclo e, depois daquele, você tem que colher tudo e armazenar, a mandioca permanece”, citou Edegar.

Em sua plantação, o produtor busca trabalhar de forma natural e orgânica no cultivo de mandioca
Arquivo pessoal/Laercio Pereira dos Santos
🍽️ A Expomandioca
Além de reunir uma grande variedade de sabores, o evento também conta com apresentações culturais e a participação de profissionais e estudantes. Segundo a prefeitura, o crescimento da programação ao longo dos anos fez com que a festa se consolidasse como uma das principais celebrações do município.
“Muito mais do que um festival gastronômico, a Expomandioca representa a história, cultura e o envolvimento da comunidade de Buri. Ao longo de quase duas décadas, o evento consolidou-se como um dos maiores patrimônios culturais de Buri”, afirma a prefeitura.
A organização fica por conta das escolas municipais. Toda a comunidade escolar é envolvida, desde os professores, gestores, merendeiras, nutricionistas, alunos e demais profissionais da educação.

“Cada unidade escolar fica responsável pela produção de um prato típico comercializado durante o evento. Paralelamente, os estudantes ensaiam durante semanas as apresentações de dança e manifestações culturais que encantam o público”, explicou a prefeitura.
Ao todo, são produzidos cerca de 5 mil bolinhos de mandioca. Mas essa não é a única opção gastronômica da festa, o público ainda pode conferir outras delícias feitas com mandioca, como o escondidinho com carne seca ou frango, pizza e sopa, além do caldo de kenga.

Em 2006, por meio da Lei Municipal nº 328/2006, o prato foi declarado como Patrimônio Cultural da cidade, sendo oficialmente um dos maiores símbolos da cultura buriense.

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