Além de buscar uma mulher para o posto de vice-presidente na chapa eleitoral, a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência prepara para as próximas semanas o lançamento de um conjunto de propostas voltado ao eleitorado feminino.
Batizado de “Brasil Por Elas“. o plano faz parte da estratégia para ampliar o apoio entre as mulheres, segmento em que o senador aparece em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto e que é tratado por aliados como um dos principais desafios da campanha.
A elaboração das propostas é coordenada pela ex-presidente da Caixa Econômica Daniella Marques (Republicanos), um dos nomes cotados para ocupar a vaga de candidata a vice na chapa de Flávio.
Daniella tem reunido e consolidado sugestões de integrantes do núcleo bolsonarista, como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), responsável por contribuições na área de direitos humanos. Nesta quarta-feira (1º/7), durante um encontro em Brasília, Flávio também pediu sugestões a lideranças femininas de sua base política.
Segundo pessoas envolvidas nas discussões ouvidas pelo Metrópoles, a segurança pública será um dos principais eixos do “Brasil Por Elas”. A avaliação da pré-campanha é que a sensação de insegurança afeta especialmente as mulheres, o que justificaria um conjunto de medidas voltadas ao combate à criminalidade, com atenção especial à violência doméstica. O tema já é um dos pilares da campanha de Flávio e foi alvo de um plano específico apresentado em junho.
Gargalo nas pesquisas
A campanha de Flávio Bolsonaro avalia que o eleitorado feminino é um dos principais desafios da pré-candidatura.
O plano “Brasil Por Elas” tem sido discutido enquanto a campanha busca reduzir a desvantagem do senador entre as mulheres.
Pesquisa Genial/Quaest de junho mostra Flávio com 24% das intenções de voto entre mulheres, contra 41% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O Datafolha também aponta desvantagem entre as eleitoras.
No levantamento, Lula aparece com 44% das intenções de voto entre mulheres, enquanto Flávio registra 26%.
Embora as discussões sobre o plano já estivessem em andamento há algumas semanas, aliados afirmam que elas ganharam força após a crise entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, madrasta do senador. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Michelle afirmou ter sido “humilhada”. “desrespeitada” e “maltratada” pelo enteado.
Segundo interlocutores de Flávio, o episódio não provocou impacto significativo nos monitoramentos internos da campanha, mas levou aliados a defenderem um reforço dos gestos em direção ao eleitorado feminino para evitar desgaste entre mulheres que se identificam com a ex-primeira-dama.
Michelle atribui o rompimento às divergências sobre a estratégia do PL no Ceará, especialmente em relação à aproximação e ao apoio do partido à pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do estado. Ela também afirma ter passado a ser alvo de ataques do próprio campo bolsonarista.
Diante da crise, o entorno de Flávio passou a defender que o senador evite novos confrontos públicos e busque uma reaproximação com a madrasta. Pessoas próximas a Michelle, porém, afirmam que essa possibilidade está descartada.
Mesmo assim, durante o encontro desta quarta com lideranças femininas, Flávio ensaiou gestos à ex-primeira-dama. O senador elogiou a gestão dela à frente do PL Mulher, cargo do qual Michelle renunciou na terça-feira (30/6), e afirmou que as portas continuam abertas para ela.
Na mesma fala, porém, Flávio Bolsonaro também direcionou críticas à madrasta ao comentar um vídeo do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos), compartilhado por Michelle Bolsonaro. O conteúdo tratava de uma suposta “festa das astronautas”. atribuída ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Ao publicar o vídeo, a ex-primeira-dama escreveu: “A verdade de Jesus Cristo vai prevalecer”.
A publicação foi interpretada por aliados de Flávio como uma referência aos áudios e mensagens divulgados em maio, que mostraram o senador pedindo recursos a Vorcaro para financiar um filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
5 imagensFechar modal.1 de 5Flávio Bolsonaro em encontro com lideranças femininasDivulgação/Assessoria Flávio Bolsonaro2 de 5Flávio Bolsonaro em encontro com lideranças femininasDivulgação/Assessoria Flávio Bolsonaro3 de 5Michelle Bolsonaro e Valdemar Costa NetoReprodução4 de 5Michelle Bolsonaro5 de 5Michelle Bolsonaro no escritório de Celina LeãoVINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Nesta quarta-feira, Flávio afirmou que Michelle está “completamente desinformada” ao associá-lo ao episódio. “Quando ela pega um vídeo do Garotinho, que é do Rio de Janeiro, bota na rede social dela insinuando que eu poderia estar em um festa de Vorcaro, ela está totalmente desinformada”. disse Flávio.
O senador também negou qualquer relação com Daniel Vorcaro além do financiamento do filme sobre o pai. “A única relação que tenho com ele é o filme. Vocês não vão me ver em festinha de Vorcaro. Nunca entrei em avião de Vorcaro e nunca estive em festinha de astronauta”. declarou.
No auge da crise, ao divulgar um vídeo pedindo desculpas à madrasta, Flávio afirmou que a havia convidado para participar do encontro desta quarta-feira. Michelle, no entanto, não respondeu ao convite e não compareceu ao evento.
Na véspera, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a tentar convencer a ex-primeira-dama a participar da agenda. Segundo aliados, Michelle sinalizou que prefere manter distância da pré-campanha do enteado.
Mulher na vice
Além do plano de governo voltado às mulheres, a campanha de Flávio também aposta na escolha de uma candidata a vice-presidente como estratégia para ampliar o desempenho entre o eleitorado feminino.
Segundo aliados, o nome deverá ser anunciado nas próximas semanas. Embora essa possibilidade já estivesse sendo discutida antes da crise com Michelle, integrantes da campanha avaliam que ela ganhou ainda mais importância após a repercussão do episódio.
Nos últimos meses, o PL tem testado diferentes nomes para a vaga. Internamente, aliados afirmam que opções como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e as deputadas Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE) não produziram impacto relevante nas pesquisas.
Mais recentemente, o deputado Eduardo Bolsonaro passou a defender a indicação da deputada Júlia Zanatta (PL-SC). O perfil mais ideológico da parlamentar, entretanto, enfrenta resistência de lideranças do Centrão, que defendem a escolha de um nome com maior capacidade de diálogo com setores moderados do eleitorado.
Também são citadas nas discussões as deputadas Bia Kicis (PL-DF) e a economista Daniella Marques. Segundo relatos ouvidos pelo Metrópoles, a definição da vice não foi discutida durante o encontro desta quarta-feira. Daniella, Bia, Julia Zanatta e Simone Marquetto participaram da reunião.





