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MG teve 912 vítimas de latrocínio em uma década; veja detalhes

Belo Horizonte – Caixas de objetos que teriam sido roubados do apartamento do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, foram localizadas durante as investigações do crime, segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). O material reforça, até o momento, a principal linha de investigação, que aponta para latrocínio (roubo seguido de morte), embora outras hipóteses não tenham sido descartadas.
O caso chama atenção para esse tipo de crime em Minas Gerais. Desde 2015, Belo Horizonte registrou 66 casos, e o estado registrou 912 vítimas de latrocínio, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ou seja, em média, cerca de 80 pessoas perdem a vida todos os anos para que seus bens sejam levados.

Desse total de vítimas em uma década, 782 eram homens, 129 mulheres e uma vítima não teve o sexo informado. “Os homens são maioria entre as vítimas de crimes com resultado morte em geral. Uma das explicações é que eles estão mais expostos, passam mais tempo nas ruas e frequentam mais bares. Além disso, muitas vezes o assaltante não sente necessidade de usar um poder de fogo contra uma mulher, enquanto, em confrontos entre homens, isso acaba sendo mais comum&#8221. explica Paulo Crosara, advogado criminalista.
Minas e o Brasil
No cenário nacional, Minas Gerais ocupa a 7ª posição entre os estados com o maior número de vítimas de latrocínio. O estado acumula 912 vítimas, atrás de São Paulo (2.566), Pará (1.503), Rio de Janeiro (1.440), Bahia (1.426), Pernambuco (1.403) e Maranhão (932).
Em 2025, o estado mineiro registrou 44 vítimas de latrocínio. Em Belo Horizonte, foram contabilizadas cinco vítimas. Já nos cinco primeiros meses de 2026, o estado registrou 11 vítimas, sem nenhum caso na capital mineira. Os dados também apontam uma redução de 59,26% no número de vítimas em comparação com 2015.
Para o especialista, essa queda faz parte de um movimento observado em todo o país, embora ainda não exista consenso sobre as causas.
“Essa redução está inserida em um contexto nacional de queda dos crimes violentos. Não há consenso sobre o motivo. Há quem atribua ao Estatuto do Desarmamento e aos seus efeitos de longo prazo; outros apontam a redução da população de jovens, principalmente homens, que são os que mais cometem crimes violentos, além do reforço do policiamento. São hipóteses que convivem, mas nenhuma delas explica o fenômeno de forma definitiva&#8221. afirma.
Crosara ressalta, porém, que os números podem não refletir todos os casos de latrocínio. Segundo ele, há questionamentos sobre a forma como alguns crimes são registrados pelas autoridades.
“Existe a alegação de que, em alguns boletins de ocorrência, o fato é registrado apenas como roubo, com base no artigo 157 do Código Penal, sem a indicação do parágrafo terceiro, que trata do latrocínio. Se isso ocorre, esses casos acabam entrando nas estatísticas de roubo e deixam de aparecer nos números de latrocínio. As forças de segurança negam essa situação, então permanece essa divergência&#8221. diz.
Desde 2015, Minas Gerais registrou 455 vítimas de lesão corporal seguida de morte. Belo Horizonte contabilizou 44 vítimas no período. Para entender a diferença entre esse crime e o latrocínio, o advogado Paulo Crosara explica que a principal distinção está na intenção do autor da ação.
“No latrocínio, a intenção é roubar. A morte ocorre para viabilizar a obtenção da vantagem patrimonial. Já no homicídio doloso, a intenção é matar. Na lesão corporal seguida de morte, o objetivo é apenas agredir, mas, por excesso ou pelas circunstâncias, a vítima acaba morrendo&#8221. afirma.
Penalidade de latrocínio
O latrocínio, crime de roubo seguido de morte, está previsto no artigo 157 do Código Penal e é uma das infrações com maior punição da legislação brasileira. “Quando do roubo resulta morte, a pena é de 24 a 30 anos&#8221. explica o advogado criminalista Paulo Crosara.
Segundo ele, embora esse seja o intervalo previsto em lei, a pena aplicada pode ser maior que o mínimo legal conforme as circunstâncias do caso, como a violência empregada no crime, o planejamento da ação e agravantes previstas no Código Penal, a exemplo da idade das vítimas.
Entenda o caso do casal de BH
O casal Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, foi encontrado morto no apartamento onde morava, no bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, após o filho estranhar a falta de contato com os pais e ir até o imóvel. Segundo a Polícia Militar, não havia sinais de arrombamento.
Imagens do circuito interno de segurança mostram uma mulher, apontada como suspeita, entrando no prédio na manhã de segunda-feira (29/6) e deixando o local cerca de oito horas depois com sacolas e uma bolsa reconhecida pela família como pertencente à empresária.
Ela ainda não foi localizada, e a Polícia Civil segue investigando o caso.
 

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