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‘Europeu quando ganha, imigrante quando perde’: jogadores da Holanda sofrem ataques racistas após eliminação na Copa

Summerville e Memphis Depay comemoram gol da Holanda na Copa do Mundo
Annegret Hilse/Reuters
Jogadores da seleção da Holanda sofreram ataques racistas após a eliminação na Copa do Mundo de futebol nesta semana, o que marcou mais um lamentável episódio do futebol europeu.
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Entre os principais alvos estiveram Justin Kluivert, Quinten Timber e Crysencio Summerville, que desperdiçaram suas cobranças e decretaram a eliminação precoce do time holandês contra Marrocos. Eles passaram a receber uma série de comentários racistas, entre emojis e gifs de macaco, em seus perfis nas redes sociais, o que os fez limitar os comentários das publicações.
A federação holandesa repudiou o episódio em que "vários jogadores foram tratados de forma racista e discriminatória" e afirmou que o racismo e discriminação não têm lugar em nenhum espaço da sociedade.
O incidente holandês não é inédito, muito pelo contrário, têm acontecido com uma certa frequência nos últimos anos quando uma seleção europeia é eliminada de uma competição importante.
Aconteceu com o trio inglês e de ascendência imigrante Saka, Rashford e Sancho, quando eles perderam pênaltis na final da Eurocopa de 2021;
Também com Kylian Mbappé, que cogitou se aposentar da seleção em 2021 após perder um pênalti que eliminou a França na Euro de 2021 contra a Suíça;
Em meio aos insultos que a equipe inteira acaba sendo alvo, os xingamentos mais graves são direcionados a jogadores negros e filhos de imigrantes —o caso de Timber e Summerville e de dezenas de outros atletas nesta Copa.
Essa tendência se consolidou nas últimas décadas com o avanço da extrema direita e do movimento anti-imigração nos países da Europa, e acabou criando um fenômeno "europeu quando ganha, imigrante quando perde", segundo explicou ao g1 o professor Adriano Freixo, professor de Relações Internacionais na UFF e autor de “Futebol — o outro lado do jogo”.
Diferentes do europeu estereotipado, esses jogadores negros e filhos de imigrantes são diferenciados de seus colegas nesse momento das críticas e se tornam o "bode expiatório" nesse momento para que a população dê vazão a seus preconceitos.
“Quando você quer procurar um bode expiatório, alguém que você vai culpar por todos os problemas existentes na sociedade, o mais fácil é procurar aquele que é diferente. (.) A extrema direita utiliza a diferença para construir o ódio [ao imigrante], que é a base de seu discurso. Eles só conseguem crescer politicamente a partir dessa dicotomia amigo e inimigo”, afirmou Freixo.
Ao mesmo tempo, os jogadores negros e filhos de imigrantes figuram cada vez mais nas seleções europeias e estão entre os maiores destaques em algumas delas — é o caso de Mbappé na França, de Jeremy Doky na Bélgica, de Bukayo Saka na Inglaterra, de Memphis Depay na Holanda e até do Lamine Yamal na Espanha.
Na seleção francesa, esses jogadores são mais de 75% do plantel desta Copa. No caso da eliminada Holanda, metade dos jogadores são filhos de imigrantes. Veja no infográfico abaixo.
Esse fenômeno de "internacionalização" das seleções europeias não vai mudar tão cedo e tende a apenas aumentar, afirmou ao g1 Maurício Santoro, doutor em Ciência Política e Sociologia pelo Iuperj. O que cabe às federações é criar uma mentalidade positiva sobre isso, e à população dos países europeus, se acostumar.
“O futebol reflete essas tensões sociais decorrentes da imigração e com frequência as leva para um outro público, que talvez não se engajasse nesse tipo de debate. (.) Por isso, acaba virando também um elemento de disputa política, ideológica e social”, afirmou Santoro.
Segundo Santoro, os descendentes de imigrantes conseguem cada vez mais espaço nas seleções europeias porque o futebol é um dos espaços mais meritocráticos da sociedade.
Cada vez mais anti-imigração, Europa vai torcer por filhos de imigrantes na Copa do Mundo
Infográfico mostra quantos jogadores são filhos de imigrantes nas convocações das principais seleções europeias para a Copa do Mundo de 2026.
Juan Silva/Arte g1

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