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Ao lado de líderes de direita, Lula participa da Cúpula do Mercosul

Assunção — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa, nesta terça-feira (30/6), da 68ª Cúpula de chefes de Estado do Mercosul e estados associados, em Assunção, no Paraguai. A reunião marca a passagem de bastão da presidência paraguaia para o Uruguai, que comandará o bloco durante o próximo semestre.
O grupo se reúne em um momento de ascensão da direita em países sul-americanos. Cinco líderes deste espectro marcarão presença em peso na cúpula.
Entre os confirmados, estão o chileno José Antonio Kast, o equatoriano, Daniel Noboa e o argentino Javier Milei — que desembarcou em Assunção um dia após se reunir com o senador e pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro.
Dois presidentes de esquerda estão confirmados: Lula, e Yamandú Orsi, do Uruguai. 
Recentemente, as eleições na Colômbia e no Peru consolidaram a tendência de crescimento da chamada Onda Azul na região. Integrantes do governo Lula veem um possível enfraquecimento de fóruns multilaterais, como a Celac e a Unasul, como consequência dessa mudança no cenário político. Nesse sentido, o Mercosul é visto como um importante instrumento de integração entre os países.
A passagem de Lula por Assunção deve ser curta, sem muita margem para encontros bilaterais. A previsão é que petista chegue à capital paraguaia pela manhã e retorne ao Brasil no início da tarde, logo após a reunião.
Ainda na terça, o petista cumpre agenda em Brasília (DF), no lançamento do Plano Safra para a agricultura familiar, marcado para às 17h no Palácio do Planalto. O presidente brasileiro vai intensificar o ritmo dos compromissos nesta semana, a última antes do período de defeso eleitoral, no qual candidatos ao pleito de outubro ficam impedidos de participar de inaugurações.

O Mercosul é composto por cinco países-membros: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia — que ingressou no bloco em 2024.
Juntas, as nações concentram 73% do território da América do Sul e 70,2% do Produto Interno Bruto (PIB) da região (US$ 2,97 trilhões).
Além dos membros fixos, o grupo conta com outros sete Estados associados, que participam das reuniões e discussões acerca de temas de interesse em comum.
São eles: Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Panamá.
Ao todo, sete presidentes confirmaram presença na cúpula: Lula (Brasil), Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai), Yamandú Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia), José Antonio Kast (Chile) e Daniel Noboa (Equador).

Parcerias comerciais
Um dos grandes temas da cúpula é a ampliação de parceiros comerciais do Mercosul. O bloco anunciará o lançamento das negociações de um acordo de livre comércio com o Japão. No início do mês, o presidente Lula se reuniu com a primeira-ministra do país, Sanae Takaichi, para discutir o tema.
A partir da oficialização, os países vão iniciar as rodadas de conversas para definir os termos do tratado. O Metrópoles apurou que a expectativa é que seja um acordo amplo, que deve abranger bens, serviços e compras governamentais.
Além do Japão, o bloco mantém tratativas com diversos outros países sob perspectiva de avançar durante a presidência do Uruguai. Entre eles, os acordos de livre comércio com o Canadá e os Emirados Árabes, que caminham para a fase final de negociações. Além disso, está na mesa o aprimoramento do acordo de preferências tarifárias com a Índia.
Venezuela
A reunião de cúpula também ocorre às sombras da tragédia causada pelos terremotos que atingiram a Venezuela, na última semana. De acordo com o balanço mais recente, os tremores já deixaram 1.719 mortos e mais de 5 mil feridos.
Países como Brasil, Argentina e Paraguai se mobilizaram para enviar ajuda humanitária à nação vizinha, disponibilizando equipamentos, medicamentos e equipes de resgate. São esperadas manifestações de apoio por parte dos líderes na cúpula desta terça.
Durante o fim de semana, o governo federal resgatou 13 cidadãos brasileiros que estavam na Venezuela quando ocorreram os abalos sísmicos. O grupo foi transportado em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) no último domingo (28/6).
O governo de Delcy Rodríguez decretou estado de emergência no país. Estimativa da ONU aponta que mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas. As áreas mais afetadas foram a capital, Caracas, e o estado de La Guaira.

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