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Governo Lula espera relação pragmática com direita na América do Sul

Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que as recentes vitórias de nomes da direita em países da América do Sul não devem impactar a relação bilateral.
Na semana passada, a Colômbia elegeu o candidato do campo conservador Abelardo de la Espriella. No Peru, a direitista Keiko Fujimori alcançou uma vantagem irreversível na apuração dos votos e deve ser proclamada presidente eleita.
Na avaliação de auxiliares, os presidentes eleitos buscarão manter uma relação pragmática com o Brasil por conta de interesses em comum, sobretudo em áreas como infraestrutura, combate ao crime organizado, energia e resposta a catástrofes climáticas.

Fontes citam o exemplo do chileno José Antonio Kast e do presidente do Equador, Daniel Noboa, que, embora estejam no espectro político oposto ao petista, fizeram movimentos de aproximação após assumirem o mandato.
Nesse sentido, Espriella fez o primeiro gesto a Lula nessa quinta-feira (25/6), ao responder uma mensagem publicada pelo petista nas redes sociais sobre as eleições colombianas. O político afirmou que pretende manter uma relação de cooperação com o Brasil e defendeu a união entre os países da América diante de desafios comuns.

“O continente americano enfrenta problemas comuns de natureza transnacional, que só podem ser superados por meio de um trabalho conjunto, respeitoso e soberano“, escreveu o colombiano.
A mensagem foi vista de forma positiva por integrantes do Palácio do Planalto, que o consideravam uma incógnita no campo diplomático. Auxiliares acreditam que, dessa forma, será possível manter uma relação bilateral pragmática, apesar das diferenças ideológicas.
Por outro lado, o governo prevê um enfraquecimento de fóruns multilaterais, como a Celac e a Unasul, tornando-os praticamente inviáveis politicamente a partir do avanço de governos de direita.

As mudanças no tabuleiro político na América do Sul

Novembro de 2023: na Argentina, o liberal Javier Milei assumiu o governo no lugar de Alberto Fernández.
Outubro de 2025: na Bolívia, Luis Arce Catacora, do campo político de Evo Morales, deu lugar ao direitista Rodrigo Paz.
Dezembro de 2025: no Chile, a presidência passou do esquerdista Gabriel Boric para o ultradireitista José Antonio Kast.
Junho de 2026: na Colômbia, passou de Gustavo Petro, de esquerda, para Abelardo de la Espriella.
Junho de 2026: no Peru, o governo vai passar de José María Balcázar, de esquerda, para a direitista Keiko Fujimori

Expectativa de continuidade
Doutor em Ciências Sociais, Rogério Pereira Campos avalia que a expectativa do governo brasileiro de manter relações pragmáticas com governos de direita na América do Sul está alinhada à tradição diplomática do país. Segundo ele, a política externa brasileira costuma preservar uma linha de continuidade, independentemente das mudanças de governo nos países vizinhos.
“As relações diplomáticas brasileiras costumam sofrer pouca variação diante de diferentes governos&#8221. afirma o especialista. “Essa estabilidade faz com que o país seja visto como um exemplo de política internacional.”
Campos destaca que a diplomacia brasileira consegue preservar interesses nacionais mesmo em cenários políticos adversos. “Os diplomatas têm habilidade para negociar acordos benéficos ao Brasil, apoiando-se no peso econômico regional e na diversidade de produtos que o país oferece&#8221. explica.
De acordo com o especialista, essa lógica ajuda a explicar a manutenção das relações com governos ideologicamente distantes, como o do presidente argentino Javier Milei.
“Mesmo com visões antagônicas, o governo Milei reconhece a dependência da Argentina em diversos setores industriais e agrícolas abastecidos pelo Brasil&#8221. afirma. “Já o Brasil possui poucas carências em relação ao mercado argentino.”
O especialista acrescenta que os mecanismos de integração econômica reduzem as chances de uma ruptura nas relações comerciais, mesmo em um cenário político mais conservador.
“Acordos firmados no âmbito da ALADI e do Mercosul envolvem intercâmbio de tecnologia, informações e benefícios fiscais, gerando impactos relevantes para a economia regional&#8221. diz. “Pode haver mais resistência para criar novas parcerias com governos de extrema direita, mas uma eventual perda tenderia a afetar mais os países da América do Sul espanhola do que o Brasil.”
Com os resultados das eleições na Colômbia e no Peru, sete dos 12 países sul-americanos passaram a ser governados por líderes de direita, centro-direita ou extrema direita, representando cerca de 58,3% da população da região.

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