Caçadores de geadas registram as belezas do frio em SC
Esta semana, o frio intenso atingiu diversas cidades do Brasil. Na Serra Catarinense, as temperaturas negativas transformaram a paisagem e revelaram um cenário que pouca gente imagina existir no país. Mas por trás das imagens impressionantes, há uma rotina de esforço e resistência. Para registrar a geada no auge, é preciso acordar ainda de madrugada e enfrentar o frio extremo. Uma missão que mobiliza os chamados caçadores de geada. O Fantástico deste domingo (28) acompanhou os bastidores dessa busca pelas imagens mais geladas do inverno brasileiro. Veja no vídeo acima.
Madrugada começa antes do nascer do sol
Em São Joaquim, na Serra Catarinense, o dia dos chamados "caçadores de geada" começa muito antes do amanhecer. Às 5h da manhã, o fotógrafo Michel já monitora os pontos mais frios da região para identificar onde a formação de gelo será mais intensa.
Antes mesmo de seguir viagem, ele precisa enfrentar um desafio básico do inverno rigoroso: descongelar o vidro do carro com água morna. O percurso faz parte de uma rotina que se repete mais de 140 vezes por ano.
Ao chegar aos vales da região, os sinais da geada aparecem por toda parte. O branco sobre os campos, os animais cobertos por cristais de gelo e até teias de aranha congeladas ajudam a compor um cenário que atrai turistas e fotógrafos.
Caçadores de geadas registram as belezas do frio em SC
Reprodução/TV Globo
Como a geada se forma
Ao contrário do que muita gente imagina, a geada não "cai" do céu. O fenômeno ocorre quando há temperaturas abaixo de zero, céu limpo e ausência de vento.
Nessas condições, o vapor de água presente no ar entra em contato com a vegetação e congela, formando os cristais de gelo que cobrem gramados, plantações e outras superfícies.
Para conseguir os melhores registros, Michel não mede esforços. Ele já deitou sobre lagos congelados, fez imagens em temperaturas extremas e ficou conhecido por congelar camisetas para produzir fotos e vídeos que viralizam nas redes sociais.
"Chego e vejo que as imagens saíram dos principais jornais do Brasil e do mundo. Vejo os turistas indo para cá. Então isso me dá muito orgulho", afirma.
Michel ficou conhecido por congelar camisetas para produzir fotos e vídeos que viralizam nas redes sociais
Reprodução/TV Globo
Inspiração que atravessa gerações
A paixão pelas geadas surgiu ainda nos anos 1990, quando Michel assistiu a uma reportagem sobre o frio em São Joaquim. Décadas depois, o trabalho dele passou a inspirar outras pessoas da região.
Foi o caso do produtor de maçãs Sérgio, morador de Bom Jardim da Serra. Intrigado com o fato de apenas São Joaquim aparecer nas reportagens sobre o frio, ele decidiu começar a registrar as paisagens congeladas de sua cidade.
Há oito anos, Sérgio percorre a pé áreas da região em busca dos melhores cenários. O trabalho já rendeu imagens exibidas ao vivo em telejornais nacionais, incluindo registros do dia mais frio do ano até agora no Brasil, quando os termômetros marcaram 9,2°C abaixo de zero.
"Já teve situações de eu ter que parar de filmar porque não conseguia segurar o celular. Perdi a sensibilidade das mãos", relata.
Caçadores de geadas registram as belezas do frio em SC
Reprodução/TV Globo
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