Cicatrizes: microagulhamento caseiro pode causar infecções e novas marcas; saiba como e quando tratar
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A promessa de melhorar cicatrizes em casa com rolinhos de microagulhamento vendidos pela internet pode acabar causando o efeito contrário. O cirurgião dermatológico Emerson de Andrade Lima, da Santa Casa de Recife, explicou ao Bem-Estar que o uso desses dispositivos sem acompanhamento médico pode provocar infecções, rasgar a pele, favorecer o surgimento de novas cicatrizes e até oferecer risco de transmissão de doenças, quando o material não é esterilizado adequadamente ou é compartilhado entre pessoas.
O alerta faz parte de uma série de orientações sobre o tratamento de cicatrizes, que vão muito além da estética. De acordo com o especialista, essas marcas podem comprometer movimentos, causar dor, coceira e impactar profundamente a saúde emocional de quem convive com elas.
Cicatrizes não afetam apenas a aparência
As cicatrizes surgem quando a pele tenta reparar uma ruptura provocada por cirurgias, queimaduras, acne, acidentes ou outros traumas. Nesse processo, o organismo forma um tecido diferente da pele original, que pode apresentar alterações de cor, textura, espessura e elasticidade.
Segundo o especialista, além do impacto estético, a cicatriz frequentemente carrega lembranças de experiências marcantes, como acidentes, episódios de violência ou doenças. Muitas pessoas também sofrem com perguntas constantes sobre a origem da marca, o que pode reabrir traumas vividos no passado.
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O tecido cicatricial também não possui glândulas sudoríparas, glândulas sebáceas nem folículos pilosos. Dependendo da região atingida, pode dificultar movimentos, limitar a extensão de braços e pernas, retrair pálpebras ou comprometer o fechamento da boca.
Por que algumas cicatrizes ficam vermelhas, escuras ou elevadas?
Durante a cicatrização, o organismo produz um tecido fibroso rico em colágeno para fechar rapidamente a lesão.
Esse processo pode originar:
cicatrizes avermelhadas, devido ao aumento da vascularização; cicatrizes mais claras que a pele (acrômicas); cicatrizes mais escuras (hiperpigmentadas); cicatrizes elevadas, deprimidas ou retraídas.
Mesmo quando não provocam dor, essas alterações podem gerar incômodo estético.
Queloide é diferente de uma cicatriz comum
Segundo Emerson de Andrade Lima, muitas pessoas chamam qualquer cicatriz elevada de queloide, mas isso não é correto.
O queloide é uma lesão endurecida, elevada e avermelhada que ultrapassa os limites da lesão original. Também costuma provocar dor e coceira, especialmente em regiões como tórax e mamas.
A predisposição tem influência genética. Pessoas de pele preta ou parda apresentam maior tendência ao desenvolvimento de cicatrizes mais exuberantes, mas isso não significa que todas desenvolverão queloides. Pessoas de pele clara também podem apresentar esse tipo de lesão.
Estrias também são cicatrizes
O especialista explica que as estrias surgem após a ruptura da pele e, por isso, também são consideradas um tipo de cicatriz.
Elas podem aparecer durante a gravidez, após ganho de peso ou crescimento muscular intenso. No início costumam ser avermelhadas e, com o passar do tempo, tornam-se esbranquiçadas. Os tratamentos seguem os mesmos princípios utilizados para outras cicatrizes.
Microagulhamento exige ambiente adequado e profissional habilitado
O especialista faz um alerta para o uso doméstico dos rolinhos de microagulhamento vendidos pela internet.
Segundo ele, muitos desses produtos não possuem agulhas com qualidade adequada. Em vez de perfurar corretamente a pele, podem rasgá-la, aumentando o risco de manchas, novas cicatrizes e infecções.
Além disso, o médico destaca que esses instrumentos podem favorecer infecções por bactérias, inclusive por micobactérias, que exigem tratamento prolongado com antibióticos. O compartilhamento dos dispositivos também aumenta o risco de transmissão de doenças.
O especialista ainda alerta para outro problema: a aplicação de substâncias na pele logo após o microagulhamento.
SegundoLima, produtos vendidos para uso doméstico podem não ter qualidade ou esterilidade adequadas, aumentando o risco de queimaduras, novas cicatrizes e outras complicações.
Tratamentos variam conforme cada cicatriz
Não existe uma única técnica para todas as cicatrizes. Segundo o médico, a escolha depende das características de cada lesão. Entre os tratamentos citados estão:
lasers e luz intensa pulsada para reduzir vermelhidão; placas e géis de silicone; hidratação; microagulhamento realizado por profissionais; tunelização dérmica; shaving ((raspagem tangencial) para reduzir relevo; infiltração de substâncias para amolecer cicatrizes elevadas.
O objetivo é tornar o tecido cicatricial o mais próximo possível da pele normal, embora ele nunca volte a ser exatamente igual ao tecido original.
Como prevenir cicatrizes mais aparentes Os cuidados devem começar logo após uma cirurgia ou outro trauma na pele.
Entre as orientações do especialista estão:
seguir corretamente as recomendações médicas após a retirada dos pontos; avaliar o uso de placas ou géis de silicone; hidratar a pele quando indicado; proteger a cicatriz do sol com filtro solar e roupas; evitar esforços físicos que tensionem a região durante a cicatrização; procurar atendimento caso a cicatriz fique excessivamente vermelha, elevada ou apresente alterações inesperadas.
Segundo Emerson de Andrade Lima, a maturação da cicatriz pode durar meses e continuar evoluindo por até dois anos. Durante esse período, a proteção solar continua sendo importante para favorecer uma cicatrização mais próxima da pele normal.
Cicatrizes antigas também podem melhorar
O especialista afirma que mesmo cicatrizes antigas podem ser tratadas. Isso inclui marcas deixadas por acne, acidentes, queimaduras ou outros traumas. Além da melhora estética e funcional, o tratamento pode contribuir para a autoestima e ajudar pacientes que ainda convivem com o impacto emocional associado à lembrança desses episódios.





