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Ação humana intensifica onda de calor extremo na Europa

A onda de calor recorde que castiga a Europa Ocidental no final deste mês de junho não teria ocorrido sem a influência das mudanças climáticas provocadas pela ação humana, segundo um grupo de cientistas, num estudo divulgado nesta sexta-feira (26/06) pelo World Weather Attribution (WWA).
A análise aponta que as temperaturas extremas na região durante a noite se tornaram mais de cem vezes mais prováveis do que seriam há apenas duas décadas. Eles também constataram que esse nível de calor seria praticamente impossível há cinco décadas.
“O aumento das temperaturas foi tão drástico que não se esperaria ver tal evento nas condições climáticas de 1976&#8221. afirmou o autor principal do estudo, Theodore Keeping, que também é cientista climático no Centro de Política Ambiental do Imperial College London. “E teria sido muito, muito raro, mesmo há 23 anos, em 2003&#8221. acrescentou.
Os anos de 1976 e 2003 foram usados na comparação porque também foram considerados de “calor extremo na Europa” em suas respectivas épocas.
Em diversas regiões da Europa Ocidental neste mês de junho, termômetros têm ultrapassdo a marca de 40 °C durante o dia, enquanto as temperaturas noturnas permaneceram excepcionalmente altas, dificultando o resfriamento dos ambientes e, consequentemente, do corpo humano.
“Noites tropicais” agravam riscos à saúde
Um dos aspectos mais preocupantes desta onda de calor é a persistência de altas temperaturas durante a noite. Em alguns casos, as mínimas chegaram perto dos 30 °C. Na Alemanha, foi registrada a noite mais quente da história: a mínima nesta quarta-feira (24/06) foi de 26,2 °C em Bad Bergzabern, mostram dados preliminares do Serviço Meteorológico Alemão (DWD).
E, pela primeira vez em junho, as temperaturas na Alemanha ultrapassaram os 40 °C. Nesta sexta-feira, foi registrado 41,3 °C. em Saarbrücken, capital do estado do Sarre – a maiopr temperatura da história para o mês.
O chamado fenômeno de “noites tropicais” (quando as temperaturas não baixam de 20 °C durante a noite e madrugada) aumenta significativamente os riscos à saúde, já que o corpo não consegue se recuperar do estresse térmico (quando o corpo não consegue se resfriar por meio do suor sobretudo devido à alta humidade) acumulado durante o dia.
Além disso, o índice de estresse térmico atingiu níveis recordes ou históricos em cerca de 45% das mais de 800 cidades analisadas pelos cientistas do WWA em toda a Europa.
Mudança climática intensifica extremos
Os cientistas são categóricos ao afirmar que o aquecimento global é o principal fator por trás da intensificação dessas ondas de calor. Atualmente, a temperatura média global já aumentou cerca de 1,4 °C em relação aos níveis pré-industriais do século 19, impulsionada principalmente pela queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás.

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