Laudo aponta torção intestinal como causa da morte de adolescente em São Carlos
Um menino bom, educado, estudioso e com sonho de ser jogador de basquete. Assim foi descrito Caio Vinicius de Oliveira, de 15 anos, que morreu na quinta-feira (25), um dia após ser medicado e liberado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) sem que exames fossem realizados, em São Carlos (SP).
A família do adolescente questiona o atendimento médico oferecido à vítima. O laudo do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) apontou 'choque circulatório' e 'torção da alça intestinal' como causas da morte. Na sexta-feira (26), após a divulgação com o laudo das causas da morte, a prefeitura informou que "vai abrir sindicância para apurar as responsabilidades". (Confira o posicionamento completo abaixo). "Ele falava para minha irmã que queria estudar, depois ia fazer Etec, depois ele queria fazer curso, trabalhar, ter as coisinhas dele", afirmou Ana Claudia.
A madrinha de Caio, Tamires Roganti Oliveira, afirmou que o adolescente era estudioso, dedicado e que nunca deu trabalho na escola. Além disso, amava jogar basquete e se divertir com o videogame.
"Me despeço de um menino que marcou nossas vidas com a sua educação, o seu coração bondoso, o seu jeito especial de viver. Aos 15 anos ele partiu, deixando um vazio impossível de explicar", disse ela.
De acordo com a madrinha, Caio havia falado que queria estudar Tecnologia da Informação. "Infelizmente esse sonho foi interrompido. [.] A saudade será eterna, mas o amor que sentimos por ele jamais terá fim".
Caio e a madrinha Tamires Roganti
Arquivo Pessoal
Família questiona atendimento
Segundo a família, Caio era saudável e não apresentava nenhum problema de saúde
Arquivo pessoal
Beatris Regina de Lima, mãe do adolescente, afirmou que ele foi liberado da UPA da Vila Prado sem que exames fossem realizados. "A médica não fez nada, nem relou nele. Só olhou para ele e medicou".
O caso foi registrado na Polícia Civil como morte natural, mas a família questiona a conduta médica e o socorro prestado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
"Eu falei que ele não parava de vomitar, estava com muita dor na barriga. Ele não parava de se contorcer na frente dela. Retornei e falei que não dava para levar ele embora e deram outra medicação. Uma delas disse que deveria ser uma virose", contou a mãe.
Durante a ida à UPA, a mãe contou que Caio passou por atendimento com duas médicas que, segundo ela, não teriam realizado avaliação detalhada do adolescente.
Caio recebeu medicações na veia, mas continuou se queixando de dor. Ela retornou ao consultório para informar que o filho não havia melhorado. Depois disso, uma nova medicação foi administrada.
Após receber os medicamentos, Caio disse que a dor havia amenizado e foi liberado para voltar para casa. Durante o restante do dia, segundo a mãe, o adolescente permaneceu debilitado, com fraqueza e dificuldade para ficar em pé. Mas, na madrugada de quinta, o quadro piorou.
Beatris relatou que o filho a chamou dizendo que estava com dor no peito e tontura. Pouco depois, ele perdeu a consciência no sofá. O Samu foi acionado. A mãe relatou que a primeira ambulância chegou rapidamente, mas que houve demora no início do atendimento porque a enfermeira teria permanecido dentro da ambulância.





