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Diretoria informal, uso de laranjas e lavagem de dinheiro: entenda como o PCC atuava na viação Transunião, segundo investigação

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A investigação da Polícia Civil de São Paulo que deu origem à Operação Última Parada, realizada nesta quinta-feira (25), aponta que a empresa de transporte coletivo Transunião foi utilizada como instrumento de atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de um sistema paralelo de controle que envolvia diretoria informal, uso de “laranjas” e movimentação financeira típica de lavagem de dinheiro.
Segundo o relatório a que a TV Globo teve acesso, a empresa não era comandada formalmente pela facção, mas operava sob influência direta de um núcleo externo à estrutura societária, responsável pelas principais decisões administrativas e financeiras.
Garagem da empresa Transunião Reprodução/TV Globo
Essa influência, segundo os investigadores, era exercida através de uma estrutura híbrida de controle, que a Transunião combinava com diferentes formas de controle:
Financeiro, com domínio sobre fluxos de dinheiro;
Administrativo informal, fora da estrutura oficial;
Patrimonial, com uso de “laranjas”;
Coercitivo, com uso de violência.
Para os investigadores, a empresa operava como uma estrutura parcialmente legal, utilizada para movimentar e ocultar recursos ligados ao crime organizado, conforme detalhamento abaixo.

Diretoria informal controlava decisões estratégicas
De acordo com a investigação, a Transunião funcionava com uma espécie de “dupla gestão”. Embora existisse uma diretoria formal registrada nos órgãos municipais e estaduais, a real tomada de decisões ocorria em um núcleo paralelo, vinculado a pessoas com ligação direta com o PCC.
Mensagens analisadas pela polícia indicam que decisões sobre pagamentos, repasses e liberação de valores dependiam da autorização de uma instância externa à empresa.

Na prática, o sistema permitia esconder quem realmente lucrava com a operação da frota e dificultar o rastreamento do dinheiro.
Dinheiro circulava fora da contabilidade
Conversas obtidas nos celulares de investigados mostram que a empresa era usada para repasses financeiros paralelos. Determinações de depósito, cobrança e envio de valores eram feitas diretamente por integrantes do grupo.
A polícia afirma que parte relevante das receitas era direcionada a pessoas sem vínculo formal com a empresa, incluindo familiares de operadores e outros beneficiários externos ao negócio.

Esse fluxo, segundo o relatório, funcionava fora da contabilidade oficial e indicava a existência de um sistema paralelo de pagamentos.
Recursos abasteciam integrantes do PCC
Entre os destinatários dos valores aparecem pessoas com histórico criminal e apontadas como integrantes do PCC. Um dos exemplos citados é Anderson de Cássia Pereira, identificado em registros penitenciários como membro da organização criminosa.
Para os investigadores, a movimentação financeira indica que a empresa servia como fonte de financiamento para integrantes da facção.
O relatório descreve a Transunião como parte de um esquema maior de lavagem de capitais. A empresa teria sido utilizada para misturar receitas lícitas do transporte público com dinheiro de origem ilícita e redistribuir os valores por meio de empresas de fachada e contas interpostas.
A investigação também relaciona a dinâmica financeira ao assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da empresa.
De acordo com o relatório, o crime teria sido motivado por disputas internas envolvendo o controle do dinheiro e funcionaria como mecanismo de reafirmação de poder dentro da estrutura criminosa.

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