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Tesouros escondidos: Conheça destinos e paraísos poucos conhecidos de Santarém

Santarém, no oeste do Pará; vista aérea de Santarém Agência Santarém/Divulgação
Você conhece Santarém de verdade? A história, a cultura e as paisagens naturais da cidade vão muito além dos destinos mais famosos. Em cada comunidade, rio, ruína ou sítio arqueológico há capítulos importantes da formação da Amazônia esperando para serem descobertos.
Talvez a pergunta que fique seja justamente esta: você conhece Santarém de verdade? Entre tesouros históricos e belezas naturais pouco exploradas, o município ainda reserva surpresas até para quem nasceu e cresceu às margens dos rios Tapajós e Amazonas. No aniversário de 365 anos da cidade, o g1 vai mostrar os lugares que especialistas da região, entre turismólogo, historiador e guia de turismo, apontam como verdadeiros 'tesouros escondidos'.
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Quando se fala em Santarém, no oeste do Pará, os primeiros cenários que vêm à mente costumam ser as praias de Alter do Chão, o encontro das águas dos rios Tapajós e Amazonas e as belezas naturais que atraem turistas de todo o mundo. Mas além dos cartões-postais tradicionais, o município guarda verdadeiros tesouros escondidos que contam séculos de história e revelam uma Amazônia ainda desconhecida por muitos moradores.
Entre ruínas, sítios arqueológicos, comunidades tradicionais e paisagens preservadas, esses locais ajudam a compreender a formação da região e a riqueza cultural do oeste do Pará.
Para o historiador Wilverson Rodrigo, alguns desses espaços funcionam como guardiões da memória santarena.
“A Praça Fortaleza do Tapajós remonta a três períodos distintos da história. Primeiro, ao forte indígena do povo Tapajó, antes da chegada dos colonizadores. Depois, à defesa da cidade durante a Cabanagem, e posteriormente ao planejamento militar para receber canhões durante a Guerra do Paraguai”, explica.
Praça Fortaleza do Tapajós
Agência Santarém/Divulgação
Outro local carregado de significado histórico é a antiga prisão da Vila Franca do Tapajós. O espaço foi utilizado entre 1836 e 1839 para abrigar pessoas acusadas de participação na Cabanagem, uma das mais importantes revoltas populares da Amazônia.
O historiador também destaca o Solar do Barão de Santarém, construção que remete à arquitetura da Belle Époque amazônica e aos conflitos sociais do século XIX.
Solar do Barão de Santarém
Diário do FB
Fazendo Taparinha: um patrimônio pouco conhecido
Fazenda Taperinha
Diário do FB
O local reúne importantes registros da ocupação humana na Amazônia e está ligado a diferentes períodos da história regional.
“Poucos conhecem a riqueza histórica da Fazenda Taperinha e das comunidades quilombolas de Murumuru, Mururutuba e Arapemã. Esses lugares abordam temas que vão desde a Amazônia pré-colonial, passando pela escravidão no Baixo Amazonas, até acontecimentos ligados à Cabanagem e à história da ciência”, destaca Wilverson.
Segundo ele, preservar esses espaços é fundamental para fortalecer a identidade da população e manter viva a memória coletiva.
“Divulgar e rememorar esses lugares é essencial para construir uma sociedade mais consciente da sua própria história e das relações sociais que moldaram a região”, afirma.
Turismo de experiência revela outra Santarém
Para o turismólogo e antropólogo Mourrambert Flexa, os chamados “tesouros escondidos” são locais que preservam autenticidade cultural e ambiental, oferecendo experiências que vão além do turismo convencional.
“O visitante deixa de ser apenas um espectador e passa a vivenciar a Amazônia. São lugares onde a relação com a natureza, com os saberes tradicionais e com o modo de vida das comunidades permanece preservada”, explica.
Segundo ele, Santarém possui uma diversidade tão grande de atrativos que é difícil apontar apenas um destino.
Ponta Grande
Diário do FB
Entre os destaques estão as praias e comunidades do Rio Arapiuns, como Ponta do Icuxi, Ponta Grande e Toronó, conhecidas pelas paisagens de águas tranquilas e extensas faixas de areia branca.
Outro exemplo é a comunidade de Carariacá, às margens do Tapajós, onde visitantes podem conhecer mais de perto a cultura ribeirinha e indígena.
Desafios para ampliar o turismo
Apesar do potencial, especialistas apontam que a infraestrutura ainda é um dos principais desafios para impulsionar o turismo em áreas menos conhecidas.
Mourrambert destaca a necessidade de melhorias nas estradas, modernização do transporte fluvial, ampliação da oferta de internet e telefonia, além da implantação de sinalização turística e centros de atendimento aos visitantes.
“São destinos com enorme riqueza natural e cultural, mas que ainda enfrentam dificuldades de acesso e serviços básicos. Investimentos nessas áreas podem fortalecer o turismo de forma sustentável e beneficiar diretamente as comunidades”, afirma.
Lago do Maicá e Ilha da Ponta Negra
Lago do Maicá
Divulgação
O guia de turismo Elvis também recomenda roteiros pouco explorados por quem visita Santarém.
O Lago do Maicá, localizado a cerca de seis quilômetros do centro da cidade, é um deles. A área de várzea abriga uma grande diversidade de fauna e flora.
“É possível observar botos-cor-de-rosa, tucuxis, dezenas de espécies de pássaros, búfalos, macacos e preguiças. No período da cheia, o visitante ainda pode navegar por áreas de floresta alagada e encontrar vitórias-régias”, destaca.
Outra sugestão é a Ilha da Ponta Negra, em frente à cidade, onde os turistas podem conhecer a comunidade de igarapé-açú, observar de perto o modo de vida ribeirinho e visitar restaurantes e espaços comunitários.
Em seus 365 anos, Santarém mostra que sua maior riqueza não está apenas nos cenários que ganharam fama mundo afora, mas também nos lugares silenciosos que guardam histórias, tradições e modos de vida preservados ao longo dos séculos.

Os chamados tesouros escondidos revelam uma cidade muito mais profunda do que os cartões-postais conhecidos. Descobri-los é, ao mesmo tempo, viajar pela Amazônia e reencontrar as raízes de um povo que ajudou a construir uma das regiões mais fascinantes do Brasil. Afinal, conhecer Santarém de verdade é permitir-se ir além do óbvio e descobrir que ainda existem muitas boas histórias esperando para serem contadas.

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