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Amigos e professores fazem homenagem ao pesquisador indígena Mairu Karajá: ‘Líder que inspirava muitos’

Amigos, parentes e professores plantaram árvore em homangem ao pesquisador Mairu Hakuwi Kuady Karajá
Leovegildo Caldas/Arquivo pessoal
Amigos, parentes de professores se reuniram para homenagear o pesquisador indígena Mairu Hakuwi Kuady Karajá. A despedida foi marcada por relatos e o plantio de uma muda de jatobá na Universidade Federal do Tocantins (UFT). Ao g1, a prima Nandyala Waritirre contou que Mairu era sonhador e gostava de aproveitar a vida.

"Acredito que ele era uma das pessoas que conheci que mais soube viver essa vida. Gostava de viajar, de experimentar a culinária local, ele gostava mesmo de comer e beber, conversar e fazer amigos. As pessoas se sentiam amadas e confortáveis ao lado dele. Era muito ligado à família. Inclusive, uma das preocupações era proporcionar o melhor para os pais, para a irmã. Abrir caminhos para seu povo, o nosso povo, o povo Iny (Karajá)".

📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Mairu tinha 30 anos e morreu no dia 14 de junho após sofrer um infarto em Brasília, onde estava morando, segundo a família. O enterro aconteceu na aldeia São Domingos (Krehawã), em Luciara (MT).

O pesquisador era graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), fez mestrado em Direito na Universidade de Brasília (UnB) e fazia doutorado na França. Suas produções acadêmicas defendiam a construção de conhecimento a partir das perspectivas indígenas.
Amigos, parentes e professores plantaram árvore em homangem ao pesquisador Mairu Hakuwi Kuady Karajá
Leovegildo Caldas/Arquivo pessoal
A homenagem aconteceu nesta terça-feira (16), no campus de Palmas da UFT. Amigo de Mairu há 10 anos, o estudante Leovegildo Caldas Carneiro contou que a despedida foi idealizada por amigos e colegas do campus de Porto Nacional e Palmas.

"Mairu era a pessoa mais extraordinária que alguém pudesse imaginar. Ele conseguia cativar muita gente diversa, só pela essência. Na homenagem mesmo, tinha as mais variadas pessoas que estiveram presentes na vida dele. A homenagem foi linda e cheia de sentimentos. Não está sendo fácil o luto que estamos vivendo", contou o amigo.

A prima lembra que o pesquisador tinha uma personalidade forte, era querido pelas pessoas próximas e comprometido com o fortalecimento da cultura Iny. Nandyala passou um tempo sem ir à aldeia e, com apoio de Mairu, retornou ao lar.

"Quando eu entrei na faculdade, quis voltar à aldeia em um dos rituais, um dos maiores rituais da nossa etnia. E o Mairu foi comigo, me acompanhou, quando a gente se reconectou novamente. E foi incrível, foi uma viagem maravilhosa, foi o meu tradutor, porque eu não falo a minha língua materna. Então ele foi esse norte para o retorno das minhas raízes, e me ajudou nas minhas pesquisas".

Mairu Hakuwi Kuady Karajá, era natural da Terra Indígena São Domingos – Krehawã
Reprodução/Redes sociais
Mairu era natural da Terra Indígena São Domingos – Krehawã, em Luciara (MT) e trabalhava como diretor geral de operações da empresa Biofix Brasil.

O pesquisador atuou como membro do Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas (OBIND/UnB), foi coordenador territorial do projeto Ilha do Bananal+ e professor voluntário da língua Inyrybè, contribuindo para a preservação da cultura do povo Iny Karajá.

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