Máquina abre vala para impedir acesso à Ponte do Esqueleto
O proprietário de uma fazenda cortada pela Ponte do Esqueleto, de onde a jovem de 21 anos morreu após ser arremessada sem corda durante um salto de rope jump, relatou que invasões à propriedade dele para a prática de esportes radicais ocorrem ao menos desde 2020.
Desativada para o tráfego de veículos há 30 anos, a ponte, que fica entre Limeira (SP) e Cordeirópolis (SP), é do governo federal, tem cerca de 40 metros de altura e 350 metros de comprimento.
Ela é conhecida por receber atividades de esportes de aventura, como ciclismo e salto em queda livre e tem histórico de acidentes. Nesta quarta-feira (12), equipes das duas prefeituras fizeram o fechamento do acesso à ponte (veja abaixo).
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Em relato à EPTV, afiliada da TV Globo, o homem, que pediu para não ser identificado, detalhou que a relação com os frequentadores resulta em quebra de cercas, acúmulo de lixo, barulho e sustos à criação de gado que ele tem.
“O problema que eu tenho aqui é a invasão na propriedade do pessoal que vem. Eles acham que têm o direito de ficar andando pela propriedade. Às vezes, chega até lá na minha casa, anda onde não deve andar, vai na minha represa, fazem churrasquinho embaixo da ponte”, conta o fazendeiro.
"Há mais de cinco anos, por volta de 2020, o negócio pegou com mais intensidade. Primeiro o pessoal vinha fazer rapel, descer na corda. Daí que virou nesse outro negócio [saltos comerciais]", afirma. “É uma coisa que eu tenho que estar sempre acompanhando. Domingo eu passo duas, três vezes aqui por baixo para ver como que está. Se eu bobear, daqui a pouco tem 50 pessoas lá embaixo”, afirma.
O fazendeiro afirmou que a ponte e uma faixa de três metros ao redor da construção pertencem ao Estado e que não podia proibir a atividade na parte de cima da estrutura. A solução encontrada por ele foi impor regras estritas em suas próprias terras.
"Lá embaixo eu deixo ficar um cara só da equipe [de saltos], que é o que ajuda a tirar a corda e a cadeirinha. O pessoal desceu, sobe. Eu os conheço porque eu colocava os limites", relata.
O dia da tragédia Apesar da proximidade e de estabelecer esses ‘limites’ com os organizadores ao longo dos anos, o vizinho da ponte relata não ter visto o momento exato em que Maria Eduarda caiu. Sua percepção da tragédia veio pelo som.
"Escutei um barulho lá de cima da minha casa, uns gritos diferentes do normal. Desci para ver o que estava acontecendo e vi ela no chão. Peguei meu carro, subi, abri o portão do fundo para poder entrarem os resgates e voltei para a minha casa", afirma.
O fazendeiro disse que preferiu não se envolver no caso para facilitar o acesso das viaturas policiais e médicas ao local isolado. Obra condenada desde 1992 De acordo com o fazendeiro, que vive na região há gerações, as obras da ponte começaram em 1990 e foram paralisadas em 1992. Uma medição cartográfica, à qual a EPTV teve acesso, apontou que a ponte tem exatamente 350 metros de comprimento e 40 de altura.
"Ela foi abandonada porque teve um deslocamento da cabeceira. O pilar cedeu para baixo. Por isso essa ponte nunca foi usada, foi um problema estrutural. Na época, meu pai até avisou o pessoal: 'toma cuidado que a terra aqui cede'", relembra.
O g1 perguntou ao governo federal o motivo da desativação da ponte, que nunca foi utilizada e ligada à Rede Ferroviária Federal (RFFSA), mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
Mudanças Com a repercussão da morte de Maria Eduarda, autoridades iniciaram o bloqueio dos acessos à ponte, nesta quarta-feira (17). Limeira informou que atendeu a um pedido do governo federal e que abriu uma vala na cabeceira. Já Cordeirópolis fez a manutenção da valeta que já existia no outro lado.
Embora se sinta aliviado com o fim dos saltos, o fazendeiro é cético quanto à eficácia das medidas a longo prazo.
"Deveriam tirar as cabeceiras da ponte, mas não sei se vai resolver o problema, porque eu acredito que o ser humano vai arrumar um jeito de ir lá na ponte ainda [.] acredito que eles vão querer escalar com escada, alguma coisa para subir na ponte para fazer o exercício, talvez não agora, mas daqui a um mês", conta.
O fazendeiro ainda se mostrou preocupado com a possibilidade de demolirem a ponte e o resíduo ser abandonado no local. "A minha preocupação com a demolição é largarem o material aí. Tem muito concreto [.] implodir, vai ficar muita coisa na minha propriedade", afirma.
Máquina interdita acesso à Ponte do Esqueleto nesta quarta-feira (17)
Wagner Morente
Jovem de 21 anos morre após ser lançada sem corda de plataforma de rope jump em Limeira
Reprodução/Redes sociais
Máquinas abrem vala para impedir acesso a ponte onde jovem foi arremessada sem equipamentos
Histórico de acidentes
Ponte do Esqueleto em Limeira (SP)
Jefferson Barbosa/EPTV
Além da morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, no último sábado (13), a Ponte do Esqueleto acumula outros acidentes nos últimos anos.
Em abril de 2024, uma ciclista de Rio Claro (SP) morreu após cair da estrutura. A vítima foi identificada como Kelly Stefani de Oliveira Alves, de 39 anos. Já em agosto de 2025, duas mulheres ficaram gravemente feridas após caírem da ponte.





