Erosão é registrada em praia de Balneário Piçarras que passou por obra de alargamento
Um trecho da praia de Balneário Piçarras, no Norte de Santa Catarina, registrou erosão dois meses após passar pela quarta obra de alargamento em 27 anos. Imagens mostram que um grande "degrau" se formou na orla na última semana (assista acima).
Segundo a prefeitura, um parecer técnico da empresa Carusondo, responsável por acompanhar a obra por 12 meses após sua finalização, detalhou que as formações observadas são "escarpas erosivas" – paredões esculpidos por ação de agentes externos.
O projeto de alargamento foi orçado em R$ 38,28 milhões, segundo a prefeitura. O município informou que vai avaliar junto com seu corpo técnico as possíveis medidas a serem adotadas. O que diz o parecer técnico?
Conforme o parecer técnico, a erosão foi causada devido a uma formação de escarpas erosivas. O evento ocorre por conta da atuação de eventos de alta energia, processo comum nos meses de outono e inverno, período em que há aumento da frequência de ressacas e da passagem de frentes frias na região.
A ocorrência simultânea de marés de sizígia – que é quando o mar produz picos mais altos ou baixos – e desses eventos potencializa a remoção de sedimentos da pós-praia (porção emersa da praia), favorecendo a formação dessas feições erosivas.
“Os primeiros registros das escarpas ocorreram no final do mês de abril, período em que foram emitidos avisos de ressaca pela Marinha do Brasil para o litoral catarinense, indicando condições oceanográficas compatíveis com os processos observados”, informou o parecer.
➡️ Ainda segundo a empresa, a formação de escarpas é um comportamento esperado após obras de alimentação artificial de praias, tendo ocorrido também na Praia Central de Balneário Camboriú. Com a adição de sedimentos, a faixa de areia fica mais alta do que sua configuração natural.
Com a ação das ondas e ressacas, a areia é redistribuída, fazendo com que a praia passe por um processo de ajuste até atingir um novo equilíbrio.
Segurança dos banhistas O parecer cita que, como medida de segurança, não é recomendado permanecer junto à base da escarpa nem se aproximar de sua borda superior.
“A escarpa possui altura suficiente para que eventuais desprendimentos de areia movam grandes volumes, que podem representar risco às pessoas que estejam próximas, como um soterramento, por exemplo”.
Também não é recomendada a circulação próximo a borda da escarpa, pois o peso adicional pode favorecer o desprendimento de blocos de areia, aumentando o risco de acidentes além de contribuir para a erosão e o transporte dos sedimentos.
O local, de acordo com a prefeitura, continuará sendo acompanhado por meio do programa de monitoramento da linha de costa, que permitirá avaliar a evolução das escarpas e a recuperação natural do perfil de praia após os eventos de maior energia.
Praia de Balneário Piçarras apresenta erosão dois meses após megaobra de alargamento
NSC TV/Reprodução
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