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O que está por trás do bloqueio da IA do Claude pelos EUA

Anthropic e Departamento de Guerra dos EUA
Reuters/Dado Ruvic/Illustration
A Anthropic anunciou na sexta-feira (12) ter restringido o acesso a dois dos seus modelos avançados de inteligência artificial (IA). A empresa, criadora da família de modelos de linguagem Claude, recebeu uma ordem do governo dos Estados Unidos, que cita preocupações de segurança nacional.
Em comunicado, a empresa informou ter recebido uma diretriz para bloquear os modelos Claude Fable 5, lançado na última terça-feira, e Claude Mythos 5 para todos os cidadãos estrangeiros, "dentro ou fora dos Estados Unidos, incluindo funcionários estrangeiros da própria empresa".
O acesso está bloqueado temporariamente para todos os clientes, a fim de garantir conformidade com a ordem.

A empresa refutou, entretanto, que esteja justificada a retirada de circulação dos seus produtos, acrescentando que, se aplicada de forma ampla, a regra "essencialmente impediria o lançamento de novos modelos por todos os desenvolvedores de IA de ponta".
Conflito em ascensão
A relação entre a Anthropic e o governo dos EUA se deteriorou neste ano depois que a empresa se recusou a permitir o uso de seus modelos de IA para vigilância doméstica e sistemas de armas totalmente autônomos.
O Claude é o modelo de IA de ponta mais amplamente usado pelo Pentágono e o único modelo desse tipo atualmente operando nos sistemas do Departamento de Defesa que lidam com informações confidenciais.
Em resposta, o Pentágono incluiu a Anthropic em uma lista de empresas consideradas um risco para cadeias de fornecimento, que deve entrar em vigor ainda este ano e poderá limitar fortemente os seus contratos federais.
Mais tarde, no início deste mês, Trump assinaria uma ordem executiva exigindo a avaliação prévia, por até um mês, dos sistemas de IA mais avançados quanto a riscos à segurança nacional antes de sua liberação pública.
Até então, os controles de exportação dos EUA se concentravam principalmente em chips e hardware de IA, e não em restringir o acesso estrangeiro aos próprios modelos.
Pentágono fala em "segurança nacional"
A diretora de informação do Pentágono, Kirsten Davies, disse em uma publicação na rede X que o Departamento de Defesa apoia a priorização da segurança nacional. "Algumas coisas são simplesmente mais importantes do que ciclos de receita, caça-cliques e avaliações pré-IPO. América em primeiro lugar. Sempre", publicou.
A Anthropic apresentou no mês passado, de forma confidencial, um pedido de abertura de capital nos Estados Unidos, avançando à frente da rival OpenAI na corrida para acessar os mercados públicos.
Há poucos dias, o diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, manifestou-se a favor do bloqueio governamental de softwares de IA potencialmente perigosos. A empresa ressalta, no entanto, que isso deve ocorrer com base em procedimentos transparentes, critérios claros e fatos técnicos — o que, segundo ela, não ocorre no momento.
O jornal The New York Times classificou a ordem desta semana como "incomumente ampla", destacando que ela pode impedir que funcionários da Anthropic em países aliados, como Canadá ou Reino Unido, utilizem os modelos.
Diversos integrantes-chave da Anthropic, incluindo o cofundador Chris Olah, o pesquisador Andrej Karpathy e a filósofa Amanda Askell, nasceram fora dos Estados Unidos. Não está claro se eles são cidadãos americanas, nem se estariam sob risco de perder acesso aos modelos de IA.

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