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Ruas pintadas para a Copa voltam a colorir o Rio e resgatam tradição que marcou gerações; saiba aonde

A tradição, que marcou especialmente as Copas dos anos 1990 e 2000, foi perdendo força nas últimas edições do torneio, mas dá sinais de renascimento em 2026.
Escadaria do Fialho, na Glória, e o Mirante do Santo Amaro, na Zona Sul, também entraram no clima da Copa
Reprodução redes sociais
Para Humberto Maioli, diretor do Alzirão e um dos personagens que acompanharam essa transformação ao longo dos anos, o enfraquecimento da tradição tem diferentes explicações, como as mudanças de geração, a pandemia e até o momento vivido pela Seleção Brasileira.

Ainda assim, ele acredita que a paixão do torcedor permanece viva e pode ser despertada novamente.
"Há 20, 30 anos era uma magia incrível. Todos aguardando a chegada da Copa. Madrugadas pintando e decorando a rua (.) Nos últimos anos o povo esfriou essa relação com a seleção, mas isso vai mudar logo que o Brasil fizer o primeiro gol", aposta o torcedor.
Ruas tradicionais de volta
Se a tradição das ruas pintadas para a Copa parece ganhar novo fôlego em 2026, parte dessa força vem justamente de locais que ajudaram a construir essa cultura ao longo das últimas décadas.

Em diferentes bairros do Rio, moradores voltaram a organizar mutirões, arrecadar recursos e dedicar dias de trabalho para transformar suas ruas em cenários de festa.
Guarda-chuvas em homenagem a Penedo na rua Jorge Rudge
Reprodução/TV Globo
Um dos exemplos mais emblemáticos é a Rua Jorge Rudge, em Vila Isabel. Conhecida por décadas de participação nas Copas do Mundo, a via voltou a reunir moradores para instalar bandeirinhas, pintar o asfalto e montar uma estrutura para acompanhar os jogos da Seleção Brasileira.

A rua, que chegou a ser premiada como uma das mais bonitas durante o Mundial de 2002, aposta novamente na mobilização coletiva como principal diferencial.
A professora Gabriela Rocha disse que o tempo foi curto para arrumar tudo, mas que não faltou animação e criatividade.
"Nós tivemos cinco dias pra fazer tudo isso e tentamos nos empenhar ao máximo, o nosso diferencial é sempre o nosso teto, que a gente sempre traz novidade, dessa vez Jorge Rudge virou Penedo, a gente botou os guarda-chuvas e a gente vai unindo a ideia de uns e outros", contou.
Rua Capiberibe, no Santo Cristo, e a Rua Taturana, em Vicente de Carvalho também ganharam as cores o Brasil.
Reprodução redes sociais
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Mais do que a decoração, o objetivo é manter viva uma tradição que atravessa gerações e transforma vizinhos em parceiros de um mesmo projeto: celebrar o futebol nas ruas.
Outro endereço que mantém essa identidade é a Rua Pereira Nunes, na Tijuca. Desta vez, além das pinturas e das bandeirinhas, os moradores decidiram dar um significado ainda maior ao trabalho coletivo, utilizando a decoração para promover uma mensagem de inclusão e pertencimento. A proposta é mostrar que a festa da Copa pode ser também um espaço de acolhimento e convivência.
Símbolo dessa cultura popular no Rio, a Rua Alzira Brandão, palco do tradicional Alzirão, também ocupa um lugar especial na memória afetiva dos torcedores cariocas.
Durante décadas, o local reuniu milhares de pessoas para acompanhar os jogos da Seleção e ajudou a transformar a decoração das ruas em uma das marcas das Copas na cidade.
Moradores da Rua Pereira Nunes, na Tijuca, e da Rua Jorge Rudge, em Vila Isabel, prometem festa nos jogos do Brasil.
Reprodução redes sociais
Comunidades fazendo arte
Se em alguns bairros a tradição é mantida por décadas, em diversas comunidades ela ganhou um novo significado: transformou-se em uma grande intervenção artística a céu aberto.

Mais do que pintar o asfalto de verde e amarelo, moradores passaram a produzir verdadeiras obras de arte coletivas, misturando futebol, grafite, identidade local e sentimento de pertencimento.
Na Rocinha e no Vidigal moradores fizeram bonito para a Copa.
Igor Albuquerque
O exemplo mais emblemático é a Via Ápia, na Rocinha. A principal via da comunidade foi completamente tomada por pinturas inspiradas na Copa do Mundo em um mutirão que reuniu artistas e moradores.

O resultado transformou a rua em uma galeria ao ar livre e chamou atenção nas redes sociais pelas imagens aéreas que mostram um longo corredor colorido atravessando a comunidade.
"É surreal ver a Rocinha assim toda pintada. Eu sou morador do Vidigal, comunidade vizinha a Rocinha, e cresci com essa tradição de rua pintada. Ficou lindo", disse o fotógrafo profissional.
"Favela não é violência, não é guerra. Favela é cor, é brilho, é tradição e é luz. E a Via Ápia transmite isso", comentou Igor Germano, um dos organizadores do evento em suas redes sociais.
Vídeo mostra Via Ápia, na Rocinha, transformada por pintura gigante para a Copa do Mundo
Igor Albuquerque
A poucos quilômetros dali, o Vidigal também fez sua homenagem ao Mundial. Assim como acontece na Rocinha, a mobilização reúne moradores para recuperar uma tradição que marcou gerações e que, durante algum tempo, parecia ter desaparecido.
Na Mangueira, a região do Buraco Quente ganhou pinturas que misturam as cores da Copa com referências à tradicional escola de samba verde e rosa, unindo duas das maiores paixões locais: o futebol e o carnaval.
No Santo Amaro, no Catete, moradores voltaram a decorar a via com pinturas e bandeirinhas para receber os jogos da Seleção Brasileira. Já no Complexo do Alemão, ruas e vielas também entraram no clima do Mundial, mostrando que, mesmo com características próprias em cada território, a tradição das ruas pintadas continua sendo uma forma de reunir vizinhos e transformar o espaço público em uma grande celebração coletiva.
A favela Santo Amaro, no Catete, e da Fazendinha, no Complexo do Alemão, também entraram no clima de Copa.
Reprodução redes sociais
O movimento, no entanto, não se limita às duas comunidades. No Morro do Pinto, a Rua Capiberibe voltou a receber pinturas especiais para a Copa.

Na Glória, a Escadaria do Fialho ganhou novas cores. Em Jardim América, a Rua Monsenhor Castelo Branco entrou no clima do Mundial, assim como a Rua Taturana, em Vicente de Carvalho, o Mirante do Santo Amaro e outros pontos da cidade.
Em Niterói, o cenário se repete. A Travessa São Feliciano, no Fonseca, a Rua Ministro Sousa Costa, em Tenente Jardim, a Comunidade Vila Ipiranga, a Travessa Nossa Senhora Auxiliadora, em Santa Rosa, a Estrada Alarico de Souza, em Atalaia, e a Rua José Chianelli, em Piratininga, estão entre os locais que decidiram colorir suas ruas para receber a Copa.
O resultado é uma espécie de mapa afetivo do futebol brasileiro, construído pelos próprios moradores e espalhado por diferentes bairros e comunidades da Região Metropolitana.
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Concursos para incentivar
O retorno das ruas pintadas não aconteceu apenas de forma espontânea. Neste ano, prefeituras e empresas passaram a investir em concursos e iniciativas para incentivar moradores a decorar seus bairros e fortalecer uma tradição que marcou gerações de brasileiros.
Na cidade do Rio, a Prefeitura lançou um concurso para premiar as ruas mais bonitas decoradas para a Copa do Mundo. A iniciativa vai escolher três vencedoras, que receberão premiação em dinheiro, além de reconhecer outras ruas que se destacarem pela criatividade e mobilização dos moradores.
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Já em Niterói, a prefeitura criou o concurso "Minha Rua é Hexa", que selecionará ruas decoradas para disputar uma votação e premiará as melhores iniciativas, estimulando a participação popular e a organização de mutirões entre vizinhos.
A iniciativa privada também entrou nessa mobilização. O projeto da Via Ápia, na Rocinha, por exemplo, contou com o apoio de uma empresa do setor de tintas, assim como outras iniciativas que se espalharam pela cidade e ajudaram a transformar ruas, escadarias e comunidades em grandes cenários para a Copa do Mundo.
A soma do incentivo público com a mobilização de moradores, jovens e idosos para resgatar essa tradição brasileira trouxe de volta uma manifestação cultural construída coletivamente, capaz de reunir vizinhos, fortalecer o sentimento de pertencimento e transformar o espaço público em um palco de convivência e celebração.
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Jéssica Evelin Araújo /g1

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