Caderno raro com desenhos de lances e jogadores detalha Copa de 1950
A Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil, foi traumática para os brasileiros. Muitos preferem esquecer do “Maracanazo”, quando a Seleção foi superada pelo Uruguai por 2 a 1 e perdeu a chance de celebrar o que seria o primeiro título mundial em casa, no maior palco do futebol nacional.
O trauma foi tamanho que fez o Brasil abandonar o uniforme branco utilizado na partida. Foi assim que o gaúcho Aldyr Schlee criou um laço eterno com a Seleção Brasileira, ao participar de um concurso que escolheria o novo fardamento da equipe.
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A ideia era abandonar a camisa branca com detalhes azuis que era utilizada como uniforme titular até então, e que fora a vestimenta usada naquele fatídico 16 de julho de 1950, quando o Brasil foi superado pela Celeste Uruguaia. A Seleção precisava se repaginar e o branco deu lugar a novas cores.
Assim, Schlee criou em 1953 a emblemática “amarelinha”, uniforme que seria apresentado ao público um ano depois e que viria a ser utilizado até os dias atuais. Composto pela camisa amarela com detalhes verdes, o calção azul com detalhes brancos e a meia branca com detalhes em verde e amarelo, se tornaria um símbolo nacional. O gaúcho faleceu em 2018, mas foi imortalizado nessas cores.
O talento de Schlee, porém, não se limitou à camisa que fez a equipe se tornar a Seleção Canarinho: com apenas 15 anos, o adolescente de Jaguarão, no Sul do Rio Grande do Sul, criou um caderno ilustrado em que registra os lances de cada partida, detalha as escalações de cada equipe e desenha, um por um, os jogadores brasileiros.Veja abaixo.
Ele desenha, por exemplo, como Ademir Menezes, duas vezes, Baltazar e Jair Rosa Pinto marcaram os gols de Brasil 4 x 0 México na abertura do mundial. E descreve a decepção do Maracanazo.
"Contrariando todos os prognósticos, o Brasil, jogando uma partida de igual para igual com seu adversário, perdeu a Copa do Mundo. Com uma dor no coração, escrevemos esse comentário sobre o jogo mais sensacional do campeonato, que nos tirou a taça que deveria ser nossa. Pena é que os campeões usassem meios viris para vencer, demonstrando assim que só pela técnica não nos venceriam", descreveu.
Confira o caderno raro da Copa do Mundo de 1950 ilustrado por Aldyr Schlee Por fim, acabou não desenhando os lances da partida, como fez com os outros jogos — talvez pelo resultado final.
"Ele registra todos os jogos, todos os gols, exceto da final, que ele não desenhou. Acho que ficou decepcionado com a derrota brasileira para o Uruguai. Era um guri, né? Tinha 15 anos. Primeira Copa do Mundo que assistia. Aliás, que ouvia pelo rádio. Ele nunca me disse, mas acho que foi por isso", conta o filho, Aldyr Schlee, que herdou o nome e os costumes do pai.
“Esse caderninho tem 28 páginas. Tudo feito à mão. Evidentemente, desenhado e pintado com tinta da época, com pincel e caneta”, descreve.
No empate em 2×2 contra a Suécia, na fase de grupos, descreveu que "falhou lamentavelmente a nossa equipe". À época, a Seleção foi a campo só com jogadores paulistas no Pacaembu, em São Paulo.
Já na goleada de 6×1 contra a Espanha, Aldyr descreve como foi a "vitória soberba do scratch brasileiro, que dominou toda a partida, apresentando superioridade absoluta".
Filho segue a tradição do pai
O caderno da Copa do Mundo de 1950 é o mais detalhado, mas não é o único. Aldyr Schlee documentava os mundiais e repassou o costume aos filhos, especialmente ao que carrega seu nome.
"Assisto todas as partidas da Copa. Já estou me preparando para isso. Quando ele estava vivo, ficávamos na frente da televisão e anotava. Tenho tudo guardado”, diz Aldyr.
“Sou muito parecido com ele nesse aspecto. Sou um cara que aprendeu com ele a amar o futebol. E o futebol de mesa também, que era outra das paixões dele”, completa.
Caderno raro detalha Copa de 1950 sob o olhar do gaúcho que criou a camisa da Seleção
Aldyr Schlee/Arquivo pessoal
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