A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) confirmou a ocorrência de um incidente com material radioativo no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), sua unidade técnico-científica localizada na Zona Oeste de São Paulo.
De acordo com o Relatório de Ocorrência Interna (ROI) divulgado pelo órgão, o episódio envolveu a presença de traços de tecnécio-99 durante a retirada de sensores biológicos de uma autoclave, equipamento utilizado na produção de radiofármacos.
O documento da CNEN aponta que dois trabalhadores, classificados como Indivíduos Ocupacionalmente Expostos (IOEs), foram submetidos a exames preventivos de Contador de Corpo Inteiro. As contagens detectadas foram baixas e comprovaram que não houve contaminação interna dos profissionais.
A contaminação ficou restrita à área controlada do Centro de Radiofarmácia do Instituto.
Segundo a comissão, a análise detalhada e as medições foram realizadas por profissionais habilitados em proteção radiológica, garantindo que o isolamento contivesse o material na área restrita.
O relatório contendo todos os procedimentos adotados seguiu para a avaliação da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN).
Vista aérea do Instituto Nacional de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen)
Roberto Fraga
O que estava em investigação?
O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e a Associação dos Servidores do Ipen (Assipen) encaminharem à direção do instituto e à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) um pedido de informações oficiais sobre uma ocorrência registrada pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), na Cidade Universitária, Zona Oeste de São Paulo.
A ANSN informou nesta quinta (11) que a investigação estava em andamento. O órgão acrescentou que todas as denúncias recebidas relacionadas a instalações radiativas são tratadas com seriedade e submetidas aos procedimentos de apuração cabíveis.
Segundo informações citadas pelas entidades, a situação teria exigido procedimentos emergenciais de descontaminação radiológica, retenção de roupas utilizadas por trabalhadores envolvidos, incluindo terceirizados, e atuação da equipe de Proteção Radiológica para controle da ocorrência.
Ainda de acordo com o relato do sindicato, parte dos procedimentos de descontaminação teria ocorrido em locais não destinados especificamente para esse tipo de atendimento, o que, segundo as entidades, levanta preocupações sobre a infraestrutura disponível e o cumprimento dos protocolos de segurança exigidos para atividades que envolvem materiais radioativos.





