Famílias esperam por sensores de glicemia para crianças com diabetes no Paraná
Apesar de uma lei sancionada em 2024 determinar que o sistema público de saúde do Paraná deve oferecer aparelhos digitais de medição de glicemia para crianças e adolescentes com diabetes, as famílias desses pacientes ainda aguardam a entrega dos dispositivos.
É o caso da família de Felipe, de 9 anos. Ele descobriu que é diabético há dois anos e começou a usar o sensor digital enquanto participava de um estudo, que fornecia o equipamento gratuitamente.
De acordo com a secretaria, cerca de 500 pessoas nessa faixa etária já realizam tratamento pelo SUS no Paraná. A expectativa é de que o programa represente um investimento de aproximadamente R$ 5 milhões por ano.
A lei começaria a valer 60 dias após a publicação no Diário Oficial, ou seja, por volta de março de 2025. Porém, a distribuição dos sensores ainda não saiu do papel e não há uma previsão para quando isso deve acontecer.
Em setembro de 2025, a Sesa divulgou que o Paraná foi o primeiro a formalizar a distribuição gratuita de sensores digitais de glicemia.
Entre os critérios divulgados pela secretaria, além dos previstos na lei, está que o paciente deve ser beneficiário do Bolsa Família, o que surpreendeu a Associação Paranaense do Diabético (Apad), que ajudou na elaboração da lei estadual.
"A lei era para ser geral, e que entrasse em vigor o quanto antes, porque é uma tecnologia que está disponível", defende Osvaldo Avelino, presidente da associação.
Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que o processo de compras dos aparelhos está tramitando internamente e que será divulgado assim que o edital for publicado oficialmente. Disse ainda que o programa Bolsa Família foi escolhido como uma forma mais ágil de chegar ao usuário de baixa renda.
"O programa será implantado de forma gradual e que uma futura ampliação dependerá da necessidade e do aceite por parte dos usuários SUS", diz a nota.
Apesar disso, para as famílias que estão na espera, cada dia conta.
"Hipoglicemias constantes e várias hipoglicemias graves podem trazer danos neurológicos. Sinto que estou evitando que meu filho tenha problema neurológico. Eu consigo trabalhar antes de o problema chegar", desabafa Deise Ramos.
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