A juíza Mariana Francisco Ferreira, seguiu a carreira na magistratura no Rio Grande do Sul
Divulgação/ Ajuris
Duas médicas que atenderam a juíza Mariana Francisco Ferreira na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital e Maternidade Mogi Mater afirmaram à Polícia Civil ter alertado repetidamente o médico Maurício Costa Nunes Ligabô Júnior, responsável pela coleta de óvulos da magistrada, sobre a gravidade do quadro e defendido uma cirurgia de urgência.
Os depoimentos, obtidos com exclusividade pelo g1, apontam que o procedimento só foi autorizado cerca de 28 horas após a entrada da paciente no hospital.
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Mariana tinha 34 anos e morreu em 6 de maio após sofrer uma hemorragia decorrente de complicações registradas depois de uma coleta de óvulos para fertilização in vitro. A Polícia Civil investiga Ligabô por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
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O g1 questionou o Hospital e Maternidade Mogi Mater sobre a demora para a realização da cirurgia. Segundo o hospital, Maurício Ligabô era o médico responsável pelo caso, cabendo a ele o acompanhamento do diagnóstico principal, a definição das estratégias terapêuticas relacionadas à sua especialidade, a indicação de procedimentos e a comunicação com a família.
O hospital informou ainda que a equipe intensivista, que integra o corpo clínico do hospital, possui autonomia técnica para conduzir os cuidados intensivos, o suporte clínico e as medidas necessárias à segurança imediata da internada dentro da UTI, o que foi feito prontamente (veja a nota completa abaixo).
Em nota, a defesa de Maurício Ligabô afirmou que o médico acompanhou a paciente desde os primeiros sintomas e prestou toda a assistência necessária (veja nota completa abaixo).
Em nota, a defesa da família de Mariana Ferreira afirmou que "o caso da juíza não deve ser tratado como um simples procedimento médico que, como todos os demais, envolve risco à saúde. Pelo contrário. Com o avançar da investigação, a cada dia que passa fica provado que a atuação negligente do médico Maurício Ligabô foi a causa da morte da juíza Mariana Ferreira.
A família da Magistrada confia plenamente no trabalho da Polícia Civil de Mogi das Cruzes e espera que Maurício Ligabô seja indiciado, processado e condenado pela morte da juíza."
Últimas horas de Mariana
Nos depoimentos obtidos, as duas médicas que atuavam na UTI afirmaram que Maurício Ligabô resistiu às recomendações para que Mariana fosse submetida a uma cirurgia de urgência. Segundo elas, a demora contribuiu para o agravamento do quadro.
Juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, morreu após um procedimento de coleta de óvulos para fertilização in vitro em uma clínica de Mogi das Cruzes Arquivo pessoal
Mariana passou pelo procedimento de coleta de óvulos na manhã de 4 de maio, na Clínica Invitro Reprodução Assistida, em Mogi das Cruzes. Horas depois, por volta das 17h, deu entrada no Hospital e Maternidade Mogi Mater.
A médica intensivista Dayse Guedes Fernandes afirmou à polícia que assumiu o plantão às 19h do dia 4 de maio. Segundo ela, o profissional que deixava o turno informou que Mariana havia passado pela coleta de óvulos naquela manhã e que o caso inspirava preocupação.
Ainda de acordo com Dayse, durante a noite e a madrugada ela enviou mensagens a Maurício Ligabô para comunicar resultados de exames que apontavam queda na hemoglobina e piora da função renal. Conforme o depoimento, o médico respondeu que a paciente apresentava um quadro normal de hiperestimulação ovariana.
A médica relatou ainda que precisou administrar morfina porque Mariana sentia dores intensas.
Juíza Mariana Francisco Ferreira, da Comarca de Sapiranga
Juliano Verardi/ TJRS
A outra médica ouvida pela Polícia Civil foi a intensivista Nadja Roberta Melo Cury. Ela afirmou que assumiu o plantão em 5 de maio e encontrou Mariana em estado grave, com sinais de sangramento intenso, como palidez, pressão baixa e exames que indicavam a presença de sangue na cavidade uterina.
Segundo Nadja, ao longo do dia ela alertou Maurício Ligabô sobre a necessidade urgente de uma cirurgia para conter a hemorragia, mas o médico teria insistido que o quadro era apenas de hiperestimulação ovariana.
Ainda conforme o depoimento, a cirurgia só foi realizada às 21h de 5 de maio, após outro médico fazer um procedimento que confirmou a presença de sangue no abdômen da paciente.
Nadja disse que não acompanhou a cirurgia porque atuava como intensivista. Ela voltou a ter contato com Mariana quando a paciente retornou à UTI sob os cuidados do médico Luis Paulo.
Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, morreu às 6h03 do dia 6 de maio após sofrer duas paradas cardiorrespiratórias.
O boletim de ocorrência foi registrado como morte suspeita e morte acidental. A investigação apura se a morte foi causada por complicações médicas relacionadas ao procedimento ou por possível falha no atendimento.
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Entenda o caso
A juíza Mariana Francisco Ferreira sofreu uma hemorragia após passar por um procedimento de coleta de óvulos para fertilização in vitro em uma clínica de reprodução assistida de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
Cumpre registrar que o Dr. Maurício tem mais de 20 anos de profissão especializada em reprodução humana e sua clínica conta com 11 anos de atuação. Nesses 11 anos, o Dr. Maurício realizou mais de 7.000 procedimentos tal qual o realizado na Dra. Mariana (o que é confirmado pela numeração da ficha clínica dela, nº 7.092). E nesse período de 11 anos, o Dr. Maurício já entregou mais de 600 bebês à casais que sofrem com problemas de infertilidade.
A defesa informa, por fim, que está colaborando com a apuração escorreita dos fatos, fornecendo toda a documentação e informações necessárias às autoridades."
O que diz o Mogi Mater
"Em relação aos questionamentos sobre o atendimento prestado à juíza Mariana, esclarecemos que o médico responsável por ela, Dr. Maurício Ligabô, esteve presente e participou ativamente de sua assistência desde o momento em que ela foi levada ao Hospital Mogi-Mater por sua mãe, após apresentar complicações decorrentes de um procedimento realizado na clínica particular dele.
O Dr. Maurício e sua equipe avaliaram a magistrada, acompanharam sua evolução e adotaram as condutas médicas consideradas, por ele, necessárias em cada etapa do tratamento.
É importante esclarecer que o Dr. Maurício Ligabô era o médico responsável pelo caso, cabendo a ele o acompanhamento do diagnóstico principal, a definição das estratégias terapêuticas relacionadas à sua especialidade, a indicação de procedimentos e a comunicação com a família.
Já a equipe intensivista, que integra o corpo clínico do hospital, possui autonomia técnica para conduzir os cuidados intensivos, o suporte clínico e as medidas necessárias à segurança imediata da internada dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o que foi feito prontamente.
Eventuais divergências de entendimento entre profissionais devem ser compreendidas como discussões técnicas inerentes à prática médica, realizadas com base em critérios científicos e sempre voltadas à busca da melhor conduta para a doente.
Quando houve a indicação de procedimento cirúrgico, o hospital disponibilizou toda a estrutura necessária para sua realização, incluindo o suporte de um cirurgião geral, que atuou em conjunto com o Dr. Maurício Ligabô durante a cirurgia.
Por respeito à juíza Mariana e aos seus familiares, bem como em observância ao Código de Ética Médica, à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e ao sigilo profissional, não serão divulgados detalhes clínicos adicionais sobre o caso."
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