Vídeo mostra encontro entre chefe de investigadores e acusado de planejar matar promotor
A Operação Infiltrados revelou uma rede de ligações entre o ex-chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), um ex-policial civil e um ex-estagiário do Ministério Público (MP) com pessoas ligadas ao PCC investigadas por planejar matar o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O plano, no entanto, não foi executado.
Segundo as investigações, os suspeitos presos nesta terça-feira (9) teriam participado de um esquema que envolve vazamento de informações sigilosas e extorsão de investigados, entre eles de um integrante do grupo que planejava o atentado.
Segundo o MP, o grupo teria usado dados privilegiados para cobrar R$ 500 mil de Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como Dragão e que seria responsável por lavar dinheiro do PCC.
De acordo com o apurado, o ex-estagiário do MP, Gabriel Lira de Jesus, seria o responsável por usar o acesso a sistemas e bancos de dados da instituição para localizar investigados com alto poder econômico e exigir dinheiro em troca de suposta proteção contra investigações.
📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp
A suspeita é que o bacharel em direito tenha entrado na promotoria já com a intenção de obter informações para esse tipo de prática. Foram localizadas mensagens dele cobrando dinheiro de Dragão.
Ele teria contado com o apoio do ex-policial civil Itamar Gomes da Silva, expulso da corporação após condenação por extorsão, suspeito de intermediar contatos e auxiliar na execução do esquema.
Vídeo do encontro
Em outro eixo da apuração, o ex-chefe dos investigadores da Dise de Campinas, Maurício Aparecido de Oliveira, é investigado por suspeita de manter relações com integrantes do PCC.
A investigação identificou uma reunião dele com o empresário José Ricardo Ramos, apontado como operador financeiro da facção e citado em apurações sobre um plano para matar o promotor do Gaeco.
Esse encontro foi registrado em vídeo gravado a pedido do próprio empresário – a gravação foi localizada no celular de José Ricardo Ramos, e segundo a investigação, foi feita pela amante dele. Os dois foram presos em agosto de 2025, na Operação Pronta Resposta.
Para o Ministério Público, ainda é necessário esclarecer se houve repasse de informações, se os encontros tinham relação com o plano criminoso e se o grupo atuava apenas extorquindo investigados ou também em benefício da organização criminosa.
Infográfico – como os investigados da Operação Infiltrados se conectam
arte/g1
'Laranjas podres'
Responsável pela Operação Infiltrados, o promotor Marcos Tadeu Rioli disse que há uma preocupação das instituições em "extirpar dos quadros essas laranjas podres".
Segundo Rioli, a operação demonstra que as polícias Civil e Militar, além do Ministério Público (MP), estão atuando de forma integrada para que "maus profissionais que buscam informações privilegiadas para praticar seus crimes sejam afastados dos quadros das instituições".
O promotor também destacou que a sociedade pode confiar nas instituições.
"Quero dizer que a população, a sociedade, pode ter a certeza de que as instituições estão trabalhando para que todos recebam um serviço público eficiente, contínuo e da mais forma transparente", disse.
Veja quem são os presos:
Ex-chefe de investigadores da Dise
Ex-chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas (SP), Maurício Aparecido de Oliveira
Arquivo pessoal
Um dos presos é Maurício Aparecido de Oliveira, que foi chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas (SP). Atualmente, ele trabalhava no 1º Distrito Policial da cidade – central de flagrantes que atende a região central da cidade.
De acordo com o Ministério Público, uma semana antes da operação que desarticulou o plano para matar o promotor do Gaeco Amauri Silveira Filho, em agosto de 2025, Maurício se reuniu com um dos suspeitos apontados como responsável por executar o atentado.
Os promotores afirmam que encontraram vídeos que mostram o encontro – veja aqui. Agora, tentam descobrir se informações sigilosas sobre a investigação foram repassadas ao grupo criminoso.
Em nota, a defesa de Maurício informou que aguarda acesso aos autos para analisar o "desnecessário pedido de prisão temporário de um servidor público".
Veja a nota:
"Ainda não conseguimos ter acesso aos autos, onde foi decretada a prisão temporária de nosso cliente. Mas, de qualquer maneira, muito me preocupa o excesso de prisões temporárias e preventivas, ultimamente decretadas pelo Poder Judiciário, acolhendo a pedidos formulados pelo Ministério Público, que é o Órgão acusador do Estado. Soube pela imprensa, que o motivo da prisão seria o envolvimento num plano para matar um promotor de justiça, do GAECO. Entretanto, tivemos outras prisões decretadas, pelo Judiciário, onde os promotores do GAECO utilizaram deste mesmo motivo (grave, diga-se de passagem!), mas, ao final não sustentaram tais acusações, e, como se nada tivesse acontecido, imputaram outras condutas aos investigados. Vamos aguardar o acesso aos autos para analisar esta exdrúxula e desnecessária prisão temporária de um servidor público".
Ex-estagiário do Ministério Público
Gabriel Lira de Jesus, ex-estagiário do MP preso em operação contra infiltrados do PCC
Reprodução/Instagram
Outro preso é o bacharel em direito Gabriel Lira de Jesus que, na época dos fatos investigados, fazia estágio em uma promotoria criminal do Ministério Público em Campinas.
Segundo o Gaeco, ele teria usado o acesso a sistemas e bancos de dados da instituição para localizar investigados com alto poder econômico e exigir dinheiro em troca de suposta proteção contra investigações.
A suspeita é que ele tenha entrado na promotoria já com a intenção de obter informações para esse tipo de prática.
Uma das descobertas da investigação surgiu após a análise do celular de Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como "Dragão", suspeito de financiar o plano para matar o promotor Amauri Silveira Filho.





