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Justiça do RJ afasta delegado de investigação sobre morte de empresário na Pavuna

O delegado Robinson Gomes Pereira durante transferência de Gabrielle Cristine
g1/Henrique Coelho
A Justiça do Rio determinou o afastamento do delegado Robinson Gomes Pereira, da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), das investigações sobre a morte do empresário Daniel Patrício Santos de Oliveira, baleado durante uma abordagem policial na Pavuna, na Zona Norte. A decisão foi tomada pela juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis, da 1ª Vara Criminal da Capital.
Segundo a decisão, o afastamento ocorreu por “quebra de imparcialidade” na condução do inquérito. O delegado, de acordo com a magistrada, adotou por conta própria uma nova linha de investigação que contrariava as conclusões da Corregedoria da PM e do Ministério Público do Rio (MPRJ), que apontam que os disparos partiram de policiais militares.
O caso já está em fase de ação penal. Os policiais Rafael Assunção Marinho e Rodrigo da Silva Alves são réus por homicídio qualificado — por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e perigo comum.
A juíza destacou que a autoridade policial determinou diligências sem autorização judicial nem solicitação do MPRJ. Entre elas, a tentativa de realizar uma reprodução simulada do crime, prevista para o dia 16 de junho, que acabou cancelada pela decisão.
Ainda segundo o processo, o delegado teria sido procurado por um perito da Delegacia de Homicídios que levantou a hipótese de que o tiro não teria partido dos PMs, mas de terceiros. Mesmo sem laudo conclusivo, essa linha passou a ser considerada na investigação.
Para a magistrada, a manifestação do delegado, ao adotar essa versão, representou um juízo de valor incompatível com a função investigativa e comprometeu a imparcialidade do trabalho.
Além de afastar o delegado, a decisão determinou:
o envio do caso à Corregedoria da Polícia Civil, para apurar possível descumprimento de ordem judicial;
o afastamento do perito citado até sua identificação formal;
a apreensão do inquérito policial na DHC;
e a exclusão de diligências realizadas após o recebimento da denúncia, sem autorização da Justiça.
A juíza também ressaltou que a investigação não pode correr de forma paralela à ação penal já em andamento.
O empresário Daniel Patrício foi morto em abril, após ser monitorado por policiais militares antes da abordagem. Imagens de câmeras corporais indicaram que os agentes acompanharam os passos da vítima antes dos disparos.

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