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Investigação da PF revela ligação de brasileiros com a máfia italiana em esquema de tráfico de cocaína

Imagem aérea do Porto de Santos, SP
Alexsander Ferraz/AT
A Polícia Federal descobriu uma ligação entre brasileiros e a máfia italiana 'Ndrangheta durante as investigações sobre uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de cocaína do Brasil para países da Europa e da África, por meio de rotas marítimas. De acordo com a corporação, o grupo teria transportado mais de duas toneladas da droga em apenas um ano.
A 5ª Vara Federal de Santos, no litoral de São Paulo, expediu dez mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão contra os investigados. As ordens judiciais fazem parte da Operação Narco Sky, deflagrada pela PF como um desdobramento da Operação Narco Vela.

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🚨 Relembre: A Operação Narco Vela investiga o uso de embarcações equipadas para atravessar o oceano Atlântico com entorpecentes. A ação gerou desdobramentos, entre eles a Operação Narco Fluxo, que repercutiu nacionalmente após ter como alvo os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além do empresário Rodrigo Morgado. Eles não são investigados na Operação Narco Sky.
Agora no g1
A decisão, obtida pelo g1 nesta terça-feira (9), também determinou o bloqueio e o sequestro de mais de R$ 631 milhões em bens, valores e criptoativos vinculados aos envolvidos. A quantia corresponde a três toneladas de cocaína apreendidas no veleiro que deu origem à Operação Narco Vela.

"Ficou evidenciado a existência de uma estrutura hierarquizada, com especialização técnica e alta capacidade de articular operações transnacionais realizadas, inclusive, com a organização mafiosa italiana 'Ndrangheta, com integração logística, comunicação segura e recursos patrimoniais", afirmou a decisão, destacando que a máfia é reconhecida pela presença em mais de 40 países.
Cooperação internacional
As autoridades francesas compartilharam provas por meio de uma cooperação jurídica internacional. Desta forma, a PF teve acesso aos dados apreendidos nos servidores da SKY ECC, uma plataforma de comunicação criptografada.

"Segundo apurado, a referida plataforma foi amplamente utilizada pelos investigados com o propósito de ocultar tratativas criminosas referentes a diversas partidas de cocaína à Europa, mediante a utilização de criptografia avançada, com o desiderato específico de dificultar a interceptação e rastreamento das comunicações por autoridades estatais", explicou a decisão.

Apreensão de 321 kg de pasta base da droga em um imóvel em Guarujá (SP), em 2020
Divulgação/Polícia Militar
A análise do material obtido permitiu a identificação de ao menos sete casos ocorridos em 2020, totalizando o transporte ilegal de 2,3 toneladas de cocaína por meio de navios, em portos do Brasil e também da Espanha, Itália e Holanda.
Uma das ocorrências aconteceu no Porto de Santos com a inserção de 80 kg de cocaína em um navio, em 30 de março de 2020. Houve também a apreensão de 321 kg de pasta base da droga em um imóvel em Guarujá (SP), em 8 de julho daquele ano. Neste caso, os envolvidos souberam da ação policial e trocaram o esconderijo da outra parte da carga que estava dividida em 219 tijolos.

"Foi identificado um núcleo de direção e financiamento localizado fora do país que providencia recursos e toma decisões estratégicas; um comando nacional responsável pela coordenação logística em território brasileiro; e células operacionais encarregadas do preparo, armazenamento e movimentação física da droga", ressaltou a decisão.

Caso foi investigado pela Polícia Federal
Polícia Federal/Divulgação
Alvos da operação
A Operação Narco Sky foi deflagrada no último dia 2, em endereços localizados nos estados de São Paulo, do Rio Grande do Sul e do Pará. O g1 questionou a PF se todas as ordens judiciais foram cumpridas, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Além de expedir os mandados, a 5ª Vara Federal autorizou a inclusão de dois investigados na Difusão Vermelha da Interpol. A decisão foi tomada diante da possibilidade de Antun Mrdeza, conhecido como Nikola Boros ou Jhon Gotti, e Alejandro Salgado Vega, o Tigre, estarem fora do Brasil.

Ainda segundo a decisão, os dois são considerados lideranças europeias do grupo. No caso do sérvio Antun, a PF o identificou como integrante de um novo centro de comando global do narcotráfico, apontado por autoridades colombianas como uma rede interconectada utilizada para movimentar os maiores carregamentos de cocaína do mundo, possuindo investigações em ao menos sete países.
Veja o nome dos outros oito alvos da operação:
➡️Marco Aurélio de Souza, conhecido como Lelinho ➡️Pedro Alonso Camacho Fernandez, o Vince ➡️Rafael Gonçalves Sayão, o Cabelinho ➡️Antônio Greg Ribeiro Pinheiro, o Fisherman
➡️Fábio Rodrigues Ulhoa Cintra, o Sapão
➡️Walter Pires Junior, o Waltinho
➡️Ivan de Freitas Santos ➡️Klaus de Castro Rios Motta e Silva VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

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