Qual é a fórmula do hit de Copa do Mundo?
A Copa do Mundo não costuma agitar só o universo do futebol, como também o da música: toda edição, artistas de vários países lançam canções (oficiais ou não) para tentar o posto de hit da Copa. Mas a nível global, pouquíssimos conseguem uma música que fica.
Afinal, a música tem que combinar com o esporte e se conectar com pessoas de várias idades e lugares do mundo. Por essas e outras, só existe uma "Waka Waka".
Então, o que será que as músicas bem-sucedidas têm em comum? Com base em alguns sucessos inquestionáveis (como “Waka Waka”, de Shakira; “Wavin Flag”, de K’Naan; e “Cup of Life”, de Ricky Martin), o g1 analisa o que os hits da Copa do Mundo têm de tão especial. Veja:
Shakira no clipe de 'Waka waka', trilha da Copa de 2010, na África do Sul
Reprodução/Youtube/Shakira
A história de 'Waka Waka', maior hit das Copas
A construção da jogada
Dá para traçar alguns paralelos entre esses hits das Copas do Mundo. De modo geral, elas fazem bom uso de alguns recursos irresistíveis. e, claro, contam com uma dose de sorte, divulgação e carisma dos intérpretes pra dar certo.
Costumam ser músicas otimistas, feitas para empolgar o público (afinal, quem quer música baixo-astral durante a Copa?). A letra não é tão importante, já que nem todo mundo fala o idioma, mas a própria sonoridade costuma dar esse tom: são músicas que crescem e, no fim, dão a sensação de triunfo.
Podem convencer pela emoção ou pela animação. "Wavin' Flag" tem um tom mais motivacional — como um hino mesmo —, enquanto faixas como "Cup of Life" e "Waka Waka" são pura festa.
'Wavin' Flag', de K'Naan, foi inspirada por infância difícil na Somália e virou hino de marca na Copa
Reprodução/YouTube
Mas o que dá para dizer é que todas soam grandiosas. Afinal, estamos falando de um torneio global, estádios lotados. não é o caso de minimalismo.
Além disso, tendem a ser músicas com percussão caprichada; ritmo marcado dá uma sensação de movimento, o que tem tudo a ver com o esporte. E convenhamos, tem craque que, ao jogar, parece estar dançando com a bola.
O chute ao gol
O pulo do gato, quer dizer, o chute ao gol é ter um trecho marcante e fácil de cantar. Pode reparar: na maior parte dessas músicas, você vai achar um trecho que foi pensado pra ser cantado pela multidão.
Geralmente, são vogais ou fonemas simples que qualquer um consegue cantar junto. A maior parte dessas músicas já sugere qual é esse trecho: basta reparar qual parte tem as vozes dobradas, como se já fossem cantadas por uma multidão. Isso faz o ouvinte quere entrar no coro.
"Cup of Life" tem "olê olê olê", "Waka Waka" tem "waka waka ê ê", enquanto "Wavin' Flag" tem um "ôoo" bem Coldplay, perfeito para entoar em estádios.
Ricky Martin no vídeo de 'The Cup of Life'
Reprodução/YouTube
Atacantes não costumam ser americanos
Apesar da força da indústria cultural norte-americana, o interessante é que nenhum desses hits tem um intérprete dos EUA. As músicas têm versos em inglês, claro, o que é visto como a forma mais fácil de conversar com o público global — mas os artistas são latinos, europeus, africanos e por aí vai.
Algumas músicas com artistas americanos fizeram modesto sucesso, como "We Are One (Ole Ola)", com Pitbull, Jennifer Lopez e Claudia Leitte (da Copa no Brasil, em 2014). Mas até nesse caso, estamos falando de americanos de ascendência latina, que trazem isso como bandeira de seus trabalhos.
Pode ser porque os EUA não têm uma cultura tão forte no futebol. Mas não deixa de ser curioso: mesmo em ano de Copa no território americano, a FIFA apostou no afrobeats "Dai Dai" (com a colombiana Shakira e o nigeriano Burna Boy) como música oficial da Copa.
'Dai Dai' é o craque da vez?
Neste ano, a FIFA também anunciou várias músicas para completar o álbum (musical!) da Copa. Uma delas tem a brasileira Anitta. mas não deve ser o hit da vez, e essa nem parece ser a intenção.
Afinal, é uma boa música, mas não foi feita com refrãos contagiantes em mente, nem é fácil de entoar em estádios. Está mais para o after de quem ganhou o jogo.
Seguindo esses parâmetros, "Dai Dai" tem chance, sim, de emplacar na Copa — mas dificilmente deve chegar perto do que foi "Waka Waka". A música recicla totalmente a de 2010, incluindo a mesma intérprete, mas não tem a mesma energia.





