Ônibus ficou destruído após acidente na Rodovia Mogi-Bertioga
Solange Freitas/G1
O acidente com um ônibus de estudantes que deixou 18 mortos e 17 feridos na Rodovia Mogi-Bertioga completa dez anos nesta segunda-feira (8). A tragédia, considerada uma das mais graves da história da região, ainda permanece na memória de quem atuou no resgate e de moradores impactados pelo caso.
Na noite de 8 de junho de 2016, um ônibus que transportava 46 pessoas de Mogi das Cruzes para São Sebastião capotou no km 84 da rodovia, na divisa entre Mogi e Bertioga. Entre as vítimas estavam estudantes de instituições de ensino superior da cidade. Ao todo, 18 pessoas morreram, incluindo o motorista.
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Na época, o então tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Jean Carlos Leite já havia encerrado o expediente quando recebeu uma ligação informando sobre a ocorrência. "Tinha acabado de sair do banho quando minha esposa atendeu a ligação do quartel. No primeiro momento, era só isso de informação que tinhamos".
Ao chegar ao local, Jean Carlos encontrou um cenário de grande complexidade. O ônibus havia capotado e caído em um barranco, mobilizando equipes do Corpo de Bombeiros, do Samu e de outros órgãos de atendimento da região.
"Algumas imagens ficam na cabeça da gente, não tem como apagar. Ali é um lugar ruim de sinal, mas de vez em quando acendia um celular [de uma das vítimas], estava escrito lá: 'pai, mãe'. Não tem o que fazer" disse o tenente-coronel.
O acidente também marcou pessoas que, na época, ainda eram crianças. A estudante Yara Gomes Leal tinha 11 anos e morava em São Sebastião quando a notícia da tragédia mobilizou a comunidade local.
"Eu lembro que eu estava dormindo com a minha mãe neste dia. Eu tinha 11 anos. Ela recebeu uma ligação e era alguém falando que tinha acontecido um acidente na Serra de Mogi e no princípio a gente tomou um susto, né? Porque muitas pessoas conhecidas nossas faziam esse trajeto" contou a estudante.
"Os pais desses alunos ficaram desesperados. Eles ficavam querendo saber se era o ônibus do filho deles ou não, se eles estavam bem."
Anos depois, ao entrar na faculdade, ela passou a fazer o mesmo trajeto entre São Sebastião e Mogi das Cruzes em ônibus fretado. Segundo Yara, os primeiros meses foram difíceis por causa da lembrança do acidente.
"Quando comecei a vir para Mogi eu tinha 18 anos. No início eu tive esse impacto também de passar pela Serra da Mogi-Bertioga, com medo do ônibus quebrar. Ficava prestando atenção na janela, nos espaços entre a rodovia e a floresta, achando que poderia acontecer alguma coisa. O início foi um pouquinho tenso, mas depois de um tempo a gente se acostuma" contou.
Dois anos após entrar na universidade, a estudante decidiu se mudar para Mogi das Cruzes. Além de reduzir o tempo de deslocamento, a mudança representou o fim de uma rotina que ainda carregava o peso das memórias da tragédia. Para ela, o acidente trouxe mais conscientização sobre segurança e continua sendo lembrado pela comunidade por meio de homenagens às vítimas.
"Foram dias difíceis. Então, assim, mudou a vida de muita gente, obviamente, das famílias. A população cobra mais a prefeitura. Sempre existe essa preocupação quanto à segurança e quanto a qualidade dos ônibus que vêm [ para Mogi das Cruzes ]. Eles sempre prezam por colocar um transporte de qualidade" explicou.
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