“O Kevin decidiu que faria um artigo com esses bichos. Ele falou: vou voltar lá no campo onde vocês encontraram e vou procurar mais. Ele achou mais umas 20. Nesses 20, veio uma espécie que o especialista do Museu Nacional disse: olha, isso aqui é uma espécie nova. [.] Encontrar a espécie é sorte, né? Nós mais ou menos sabemos onde procurar, mas encontrar um bicho raro é sorte”, afirma o professor Elvio.
O professor complementa que a maioria dos fósseis são fruto de catástrofes, e que a região de Ponta Grossa foi fundo de mar e integrava a bacia do Paraná. Eram 1,6 milhão de quilômetros quadrados, da Argentina até o Tocantins – e, em Ponta Grossa, as camadas ficaram preservadas.
"Você tem o período devoniano, de 400 milhões de anos, que é de um mar marcado por tempestades. Essas tempestades que fossilizam, matam a vida e fica o registro”, explica o professor Elvio.
Nova espécie de molusco é descoberta no Paraná em fóssil mais antigo que os dinossauros
UEPG
Os primeiros registros de espécies Actinopteria na região foram realizados na década de 60, pelo paleontólogo Setembrino Petri. Com a nova descoberta, o número de espécimes conhecidos aumenta e, segundo os pesquisadores, permite melhor compreensão da fauna e dos padrões de dispersão entre bacias sedimentares.
“Vamos voltar a esse local para encontrar mais espécies como essa. A ideia é que museus e pessoas que trabalham com isso, que tinham materiais como esse, reavaliem o que eles tinham e acreditavam ser outra espécie. Afinal, a ciência é uma constante reavaliação”, explica o professor.
Outra perspectiva é o interesse que a descoberta pode gerar para o setor produtivo.
“Quanto mais eu conheço esses mares antigos, maior o potencial de encontrar gás natural. Eu barateio o custo de produção, porque onde tem matéria orgânica é um indício de onde pode ter óleo ou gás”, explica.
Homenagem a professor falecido
Carl Yngve Grahn morreu em 2025
Reprodução/Sociedade Brasileira de Paleontologia
O nome da espécie homenageou o professor sueco Carl Yngve Grahn, falecido em 2025, pelas suas contribuições na bioestatigrafia do Brasil – especialmente, na Escarpa Devoniana no Paraná.
“Ele nos ajudou muito no laboratório e trabalhou 20 anos com a gente. Basicamente, foi ele quem nos colocou no meio internacional e decidimos fazer essa homenagem”, explica o professor Elvio. Ele reforça que Grahn esteve na UEPG várias vezes, faleceu aos 80 anos quando morava na Espanha, e morou por muito tempo no Brasil.
“Era um sueco que não aguentava mais o frio”, brinca o professor.
Segundo a Sociedade Brasileira de Paleontologia, o Dr. Grahn formou-se em Geologia pela Universidade de Lund (1976), doutorou-se pela Universidade de Uppsala (1982) e obteve o título de Livre-Docente pela Universidade de Estocolmo (1993).





