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Levantamento aponta que 32% dos pontos de ônibus têm cobertura em Ribeirão Preto, SP

Levantamento aponta que apenas 32% dos pontos de ônibus têm cobertura em Ribeirão Preto
A rotina de quem depende do transporte público em Ribeirão Preto (SP) esbarra na falta de estrutura básica nas calçadas. Um levantamento da RP Mobi, empresa que gerencia o trânsito e a mobilidade do município, aponta que 32,5% dos pontos de ônibus da cidade oferecem cobertura para os passageiros.
Dos 3.057 locais de parada distribuídos pelo perímetro urbano, somente 996 contam com abrigos e lugares para sentar. O restante é sinalizado apenas com uma placa de parada, deixando os usuários expostos às variações do tempo.
Questionado sobre a falta de estrutura, o Consórcio Pró-Urbano informou que apenas executa as instalações nos locais definidos pela RP Mobi. A gerenciadora de trânsito, por vez, não justificou o alto número de locais sem proteção, mas prometeu elaborar um plano de modernização para a infraestrutura (veja as respostas completas abaixo).
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evantamento aponta que apenas 32% dos mais de três mil pontos de ônibus de Ribeirão Preto (SP) contam com cobertura e lugares para sentar
Reprodução EPTV
Infraestrutura e improviso nas ruas
A arquiteta e urbanista Cristina Heck avalia que a disponibilidade atual de abrigos é insuficiente para atender a população com dignidade.

"Todo mundo tem o direito de ter um ponto de ônibus coberto por causa do sol e da chuva. É importante ter a cobertura para a pessoa se sentir mais tranquila ao esperar o ônibus chegar", explica a especialista.
A realidade nas ruas, no entanto, obriga os passageiros a buscarem alternativas. Na Avenida Antônia Mugnatto Marincek, na zona leste, a sombra projetada pela própria placa de sinalização é o único refúgio da aposentada Isabel da Silva, de 69 anos.
"Esse ponto já está com mais de dois anos aqui e não tem uma cobertura. Vem chuva, o sol quente, e não é bom", relata.
O cenário se repete no bairro Ribeirão Verde. Na Rua Emílio Rossetto, a estudante Joyce Machado e a filha recorrem aos comércios próximos.

"Nós ficamos muito tempo aqui, é desconfortável. Estou me abrigando neste estabelecimento comercial por causa do sol, e em dias de chuva e vento forte também", afirma a estudante.
Sem estrutura no local de embarque, a estudante Joyce Machado e a filha improvisam abrigo na entrada de um comércio na Rua Emílio Rossetto, no bairro Ribeirão Verde
Reprodução EPTV
Mesmo nos locais contemplados com estrutura, a qualidade é alvo de críticas. Na Rua Duque de Caxias, na região central, a auxiliar operacional Marina Silva relata que a proteção é ineficiente e os passageiros acabam sentando nos degraus das lojas.

"Até as que têm cobertura não seguram a chuva. Conforme o vento e a chuva vêm, a gente se molha", conta.

Além da carência de novas instalações, a manutenção do mobiliário urbano existente é comprometida pela ação de vândalos, um obstáculo apontado tanto por especialistas quanto por usuários. A arquiteta reforça a necessidade de conscientização
"A população tem que entender a necessidade de preservar o patrimônio. Se a prefeitura faz algo para beneficiar, aquilo tem que ser preservado", relata Cristina.

Em resposta na época, a empresa afirmou que a programação era instalar 25 novos abrigos por ano ao longo das duas décadas de concessão.
As reclamações de quem dependia do serviço também eram idênticas às atuais. Na Rua Américo Batista, no bairro Jardim Ipiranga, o borracheiro Adilson de Jesus aguardava a condução sem bancos e exposto ao tempo.

"É difícil, a gente fica querendo se sentar, descansar. A chuva atrapalha", relatou o passageiro na ocasião.
Ponto de ônibus sem abrigo para passageiros em Ribeirão Preto (SP)
Reprodução/EPTV
Já na região da Avenida Dom Pedro I, onde alguns endereços possuíam o modelo padrão, os passageiros se apertavam na calçada nos locais sem cobertura. O pintor Emerson Roberto de Souza resumia a frustração: "Todos os pontos teriam que ter um banco, uma cobertura. É complicado".
Mesmo nos locais que contavam com estrutura, o design já era alvo de críticas. A dona de casa Auxiliadora Furtado apontava falhas no projeto dos abrigos instalados, um problema relatado ainda hoje pelos moradores.

"Teriam que tampar atrás também. Só na frente você molha [quando chove]", alertou a usuária em 2019. Naquele ano, a extinta Transerp (atual RP Mobi) declarou que avaliaria a necessidade de reestruturação e pediria providências à concessionária.
O que dizem os responsáveis
Em nota, o Consórcio Pró-Urbano declarou que o serviço de mobiliário urbano é definido exclusivamente pela RP Mobi. Segundo a concessionária, a empresa apenas executa as ordens de serviço nos locais previamente determinados pelo órgão gestor.
A RP Mobi confirmou que é a responsável por fiscalizar e apontar a necessidade de pontos cobertos, mas o comunicado não explicou o motivo de a cidade ainda registrar um índice tão alto de locais sem a estrutura adequada.

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