Durante o ataque, Wellington também repetia para a vítima: "Cala a boca, é fita dada". Segundo Jessica, o homem também afirmou que a acompanhava havia algum tempo. Apesar disso, ela disse nunca tê-lo visto antes.
"Ele subiu em cima de mim, e eu fiquei tentando tirá-lo. Fiz uma elevação do quadril com muita força e consegui jogá-lo do outro lado da cama. Saí meio que de quatro, tentando pegar o celular que estava no criado-mudo do mesmo lado."
A luta corporal se arrastou por cerca de 13 minutos. O agressor desferiu socos contra a vítima, puxou seus cabelos, tentou sufocá-la e a derrubou da escada quando ela tentava escapar.
Em determinado momento, a nutricionista conseguiu imobilizá-lo com as pernas e dar um mata-leão – e, mesmo assim, ele seguiu com o ataque, tentando estuprá-la. Então, ela decidiu fingir que ia desistir de se debater. "Eu já estava exausta. Pensei que o pior ia acontecer", contou.
"Parei de bater com os braços, para tentar respirar, para ganhar fôlego e tempo. Só que eu não soltei a perna porque, se eu soltasse, eu sabia que ele ia me matar. Na hora em que eu soltei os braços, ele disse para eu não gritar, e ficou segurando a minha boca. Ele tentou me sufocar."
"Quando ele levantou, já soltei a perna bem rápido e chutei com toda a força da minha vida, literalmente. E aí, consegui jogar ele na parede. E foi uma pancada muito grande."
Jessica aproveitou o momento para dar mais um soco no agressor, que ficou tonto. Na sequência, ela conseguiu subir as escadas e correr para fora do apartamento.
"Foi uma cena de filme de terror", resumiu Jessica.
Jessica teve o apartamento invadido e foi vítima de tentativa de estupro.
Reprodução/Redes sociais
Fuga e pedido de socorro
Após escapar, Jessica saiu correndo pelo corredor do condomínio e começou a bater nas portas dos vizinhos em busca de ajuda. As imagens da câmera de segurança mostram a vítima deixando o apartamento e, logo atrás, o suspeito a perseguindo.
Segundo a nutricionista, inicialmente, apenas uma mulher abriu a porta ao ouvir os gritos e correu para ajudá-la. "Ela não pensou duas vezes. Foi para cima dele para me defender", contou.
Após ouvir os gritos de socorro, outros moradores também deixaram os apartamentos e conseguiram conter Wellington até a chegada da Guarda Civil Municipal.
Quando os agentes chegaram ao local, encontraram o suspeito sendo segurado pelos vizinhos. Jessica apresentava diversas lesões e foi encaminhada para um pronto-socorro da região.
O caso foi registrado como tentativa de estupro, lesão corporal e violação de domicílio na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Barueri.
A Polícia Civil apreendeu o celular do agressor para analisar mensagens, contatos e possíveis conversas que possam esclarecer se ele monitorava a rotina da nutricionista ou se contou com a participação de outras pessoas.
Jessica entrou em luta corporal por mais de 20 minutos com Wellington.
Montagem/g1/Arquivo pessoal
Audiência de custódia
Um dia após o ataque, no domingo (24), Wellington passou por audiência de custódia, quando a prisão em flagrante foi convertida em preventiva. Durante o depoimento, ele disse que tinha saído para beber em um bar e, ao retornar para casa andando, decidiu entrar em um prédio, pois estava chovendo.
Ele ainda contou que nenhum funcionário do condomínio o abordou ou solicitou sua identificação. Em seguida, segundo Wellington, ele subiu de elevador e parou em um andar de forma aleatória. Ele tentou abrir a porta de um apartamento que estava com a porta destrancada.
Ao entrar no imóvel, Wellington se deparou com Jessica, que estava assustada e começou a gritar por socorro. Em depoimento, ele negou ter tentado agredir ou estuprar a nutricionista. Ainda afirmou que não conhece a mulher.
Suspeito estava em livramento condicional
Documentos obtidos pelo g1 mostram que Wellington de Oliveira Santos possui antecedentes e estava em livramento condicional quando foi preso.
Em 2017, ele foi condenado a 11 anos e 4 meses de prisão por estupro, roubo com uso de arma, restrição da liberdade da vítima, violação de domicílio e constrangimento ilegal em um crime ocorrido em 2015.
Após cumprir parte da pena, recebeu progressão para o regime semiaberto em 2020 e passou a cumprir livramento condicional em julho de 2021.
O histórico criminal também inclui um caso de violência doméstica registrado em 2025. Na ocasião, a Justiça concedeu medidas protetivas contra ele após denúncias envolvendo violação de domicílio, dano e agressões no contexto da Lei Maria da Penha.
Advogada diz que condomínio deve ser responsabilizado
A advogada Silvana Campos, que representa a nutricionista, afirma que o condomínio deve ser responsabilizado pelos danos sofridos pela vítima em razão das falhas de segurança que permitiram a entrada do suspeito.
Segundo ela, as imagens mostram que Wellington entrou no prédio sem ser abordado por funcionários, permaneceu por alguns minutos no saguão e conseguiu passar por baixo da catraca sem nenhuma intervenção da equipe de portaria.
Para a advogada, houve falha na prestação do serviço desde o momento em que o suspeito acessou o condomínio até a invasão do apartamento.
"Tudo teria sido evitado se houvesse uma segurança eficiente e uma portaria eficiente. Não adianta os condomínios divulgarem que possuem portaria e segurança monitorada se, quando necessário, elas não são efetivas", disse.
Silvana também reforça que, mesmo após os gritos de socorro da vítima, a administração do condomínio não teria tomado providências imediatas, como acionar a segurança do prédio. Foram os próprios moradores que ligaram para a polícia.
A defesa da nutricionista informou que estuda medidas judiciais para buscar reparação pelos danos sofridos pela vítima e cobrar mudanças nos protocolos de segurança do condomínio.
O g1 não localizou a administração do condomínio até a última atualização desta reportagem.
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